CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

3 de fevereiro de 2011

Corpo de Bombeiros Municipais

No Amazonas, 1953 era lembrado por sua maior enchente até a de 2009, que a suplantou. Tão severa que deixou marcas e recordações na capital, impondo dificuldades para a circulação em geral. Para facilitar o trânsito de pessoas, as ruas que circundam o roadway de Manaus receberam passarelas de madeira. Múltiplas providências foram necessárias para amenizar o impacto do fenômeno, por todo o interior amazônico.



Major Nicanor Silva

Nessa ocasião ocorrem duas inclusões que marcariam a história dos Bombeiros Municipais. Em 2 de fevereiro, ocorreu a incorporação de Nicanor Gomes da Silva (1939-), com exatos 14 anos. Isso mesmo, com a idade de adolescente. Incorporado como soldado alcançou o oficialato e, nesta classe, o comando da corporação. A 10, foi incluído Tertuliano da Silva Xavier (1916-1986) para servir como voluntário por dois anos, logo promovido a cabo, para preenchimento de vaga. A 12, foi promovido a terceiro sargento. Em 1965, sendo tenente, exerceu, por dois meses, o comando da CBM.

As promoções em tão escasso espaço refletem, aos nossos olhos, primitivismo. Eis os indefectíveis esclarecimentos: Tertuliano havia servido o Exército por quatro anos, sendo licenciado como cabo. Ao ingressar na CBM, aproveitou-se da consuetudinária norma que reconhecia a graduação alcançada. Quanto à promoção a sargento, o comando aplicou a regra da “ordem superior”.
Tenente Tertuliano e esposa

Nesse ano, ainda restavam em apreciáveis condições de utilização um acervo de peças e equipamentos para o combate a incêndios. A autobomba, a diesel, marca Henshell, de fabricação alemã, ano de 1939, que, por falta de manutenção e peças de reposição, repousava em um depósito de veículos inservíveis da Prefeitura. Este local, situado nos fundos da ex-sede municipal, serviria mais tarde de quartel da companhia.

Uma escada de dois lances, apelidada de "magyrus", fabricada há bastante tempo e toda em madeira, montada em estrutura também de madeira sobre duas rodas, tipo carroça. Alcançava doze metros de altura e seu acionamento era manual, por um sistema de roldanas, engrenagens e manivelas metálicas. De original, a "magyrus" era de tração animal, porém, nos anos de 1950, eram os municipais que a arrastavam. Apresentava-se em mau estado, por obra do tempo. Outra, era uma escada “telescópica”, como assim era denominada, de dois lances, que atingia dez metros de altura. Fabricada em madeira de pinho, por isso resistente e leve, em funcionamento. Usada nas instruções, especialmente nas ministradas pelo saudoso tenente Monteiro “Fumaça”, na rua José Paranaguá, quando se alcançava o topo da parede do quartel da Praça da Polícia.

Outros materiais e peças: aparelhos de registros, que eram acoplados aos hidrantes subterrâneos; luvas e chaves de hidrantes subterrâneos; extintores de espuma química, fabricados em metal amarelo. Existiam alguns mangotes e mangueiras de incêndios, ainda com acoplamento de rosca; máscara de ar, com o ar mandado por mangueiras, funcionava nos moldes da máscara de escafandro, todavia, não havia compressor. Lanternas archotes, a querosene; uma das peças de inspiração do distintivo do Corpo de Bombeiros.
Escudo dos bombeiros

A grande enchente em nada contribuiu com os cofres municipais, ao contrário. O prefeito interino Oscar da Costa Rayol (1952-53) deixou sem pagamento o funcionalismo municipal durante o último trimestre. Os Bombeiros não foram poupados.