CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

17 de fevereiro de 2011

Corpo de Bombeiros de Manaus (IV)

O comandante da Polícia Militar, coronel Maury Silva (1966-68), exortou o governador do Amazonas, Danilo Areosa (1967-71), a ampliar os recursos para a segurança pública. O mote baseava-se na expansão do comércio da Zona Franca que abrigava lojas cada vez mais generalizadas. Essa expansão, especialmente do centro de Manaus, insistia por segurança. Tornara-se inconveniente manter-se apenas o simpático policiamento de Cosme e Damião.

As frenéticas mudanças sofridas pela cidade, reflexo da zona livre, da expansão de suas fronteiras e das levas de imigrantes, influenciavam os hábitos citadinos. Manaus de cerca de 300 mil habitantes, ainda familiar, enfrentava perversa invasão demográfica. Diante dessas circunstâncias, a Pmam estabeleceu novas unidades e tipos de policiamento.

Os Bombeiros prosseguiam evoluindo, não somente no combate a sinistros, mas também no fluxo de outros atendimentos. Divulgado em Boletim (29 de janeiro), o relatório do Serviço de Manutenção e Oficinas (SMO) e a situação de equipamentos ratifica essa evolução.



A viatura AT-1, dirigida pelo sargento 12, regressou às 10h25 do SESI, na av. Presidente Kennedy. Dirigida pelo sargento 9, saiu às 12h50, para deixar água na residência de n.º 784, da av. Castelo Branco e na de n.º 41, da rua Bela Vista, tendo regressado às 17h35. Às 6 horas saiu para deixar água na residência dos oficiais desta Corporação, e regressou às 9h55.
A viatura ABT-1, dirigida pelo soldado 74, às 10h25, saiu para abastecer-se de gasolina no Posto Texaco e regressou às 10h40. Às 16h50, dirigida pelo soldado 87, saiu para socorro a uma loja que desabava na rua Dr. Moreira e regressou às 17h20.
Situação das viaturas: as de prefixo AR-1, ABI-1, ABT-1 e AT-1 estão prontas para o serviço e a de prefixo AT-2 aguarda reparos na oficina mecânica da PMM.
Situação das Bombas: a de prefixo MBR-1 encontra-se sob a responsabilidade de Jorge Machado Freire. As de prefixos MBR-2 e MBR-3 acham-se na oficina da PMM, para reparos.

Conhecido quartel dos bombeiros, hoje o edifício encontra-se
abandonado.
Tropa dos bombeiros, em frente
ao quartel da Sete de Setembro
Demorou, e como, mas finalmente chegou ao Corpo o mais pesado e decisivo reforço: três viaturas de combate a incêndio, novas, adequadas ao serviço e made in Brasil (Boletim Interno, de 7 de maio). Todas da “marca Chevrolet, modelo C-6503, ano 1969, motor de 6 cilindros, de 149 HP, à gasolina.” Estavam “equipadas com tanque (pipa) de 6.000 litros, elíptico em chapa 3/16, série 1419, de fabricação da Trivellato S/A - Engenharia, Indústria e Comércio”. Tomaram os prefixos AT 2/69 a AT 4/69 (Auto Tanque), todos do TCI–CB 1969 (Trem de Combate a Incêndio do Corpo de Bombeiros). Custaram aos cofres da Prefeitura: NCr$ 89.025,00 (oitenta e nove mil e vinte e cinco cruzeiros novos).
Parte do capítulo do livro em preparação sobre Os Bombeiros do Amazonas, de Roberto Mendonça.
No início de 1969, o Corpo de Bombeiros possuía o efetivo de quatro oficiais, subtenente, treze sargentos, nove cabos e 56 soldados; total – 83 homens, mantida a estrutura anterior. Estimulado, o comando organizou o vestuário da tropa e o prefeito sancionou o Regulamento de Uniformes. Mas, o passo foi exagerado. A quantidade de peças e de arranjos permitidos superou qualquer expectativa, de tal maneira que, para os oficiais, havia previsão de sete diferentes uniformes.