CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de novembro de 2010

PM AMAZONAS: SERVIÇO DE SAÚDE (2)

Antes de prosseguir, uma observação que parece pertinente. Ao final do século XIX, os entendimentos sobre a cura de doenças possuíam outros entendimentos. Uma das crenças era de que a transferência de doente para local mais propício, quase sempre fora de seu domicílio, traria benefícios. Nesse sentido, a cura da tuberculose, para ficar apenas nessa moléstia, recomendava levar o afetado para locais com ares mais sadios. Nesse sentido, são muitos os casos bem ou mal sucedidos na literatura médica.

Governador Silverio Nery
A crença em tal principio levou o governador do Amazonas, Silvério Nery (1900-1904), no início do século XX, a implantar na cidade de Itacoatiara (AM), distante de Manaus (AM) cerca de 300 km, um sanatório militar. Detalhe importante é que à época o hospital era alcançado, a partir de Manaus, apenas por navegação fluvial, de barco regional. A estrada que hoje liga os dois municípios foi inaugurada em 1965.
Esse hospital (já desaparecido) passou a ser dirigido por um médico da PM, doutor Lima Verde, em função da prosperidade amazonense. O período, usufruindo a riqueza da borracha, permitiu ao governo manter um corpo policial com estrutura de Regimento: dois batalhões de infantaria, além de artilharia, cavalaria e outros serviços, incluindo-se o de saúde. Sem esquecer a presença de duas bandas de música. O pessoal engajado era de mais de 600 homens, e bem menos que os 900 previstos.

Assim, o atendimento médico ao pessoal da Polícia Militar seguia a fórmula: a visita médica efetuada pelos oficiais médicos, pertencentes aos quadros da corporação. Essa visita permitia apenas o atendimento ambulatorial com indicação dos primeiros cuidados e diagnósticos. Não havia sequer enfermaria. Um nome deve ser lembrado: Dr. Nemézio Quadros, que se associou ao prefeito Adolpho Lisboa em algumas maracutaias.

As lesões mais graves ou moléstia de cura prolongada, o único recurso era baixar o policial na Santa Casa de Misericórdia, a mesma que se agora se encontra com as portas cerradas. Esta estrutura permaneceu até o final da primeira década do século passado.

Após a derrocada da borracha, o Amazonas e, consequentemente, sua Polícia encurtaram. Foram minguando, até que em 1930 o governo intervencionista de Álvaro Maia decreta a extinção da Polícia Militar estadual, alegando não possuir recursos financeiros para mantê-la. Ao retornar a atividade, em 1936, a PMAM viu-se contemplada com um modesto Serviço de Saúde, sob a direção do doutor Ramayana de Chevalier, que preferia escrever (muito bem) crônicas à receita médica.