CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

9 de novembro de 2010

Memória Policial II

Deveria acrescentar "nacionalina" ao título, porque recordo um desportista de valor: Alfredo Barbosa Filho, que os amigos e atletas tratavam por Barbosão.
Barbosa Filho, em A Notícia,
Manaus, 17 jul. 1980
Nessa data, estaria comemorando seus 90 anos, pois nascido em 10 de novembro de 1920, segundo registro da Polícia Militar. Mas o site http://www.bauvelho.com.br/ assinala o nascimento a 11.
Pouco importa. Vamos comemorar.
Barbosa ingressou na Polícia Militar do Estado em fins de 1954, quando seu amigo e protetor Plínio Coelho, já eleito governador, preparava-se para assumir o mandato. Plínio era integrante do Nacional Futebol Clube e exercia sua autoridade dentro e fora do campo.
Há um episódio ocorrido no Parque Amazonense, lembrado pelo atleta Gadelha do Nacional, em que o governador determinou a prisão dos PM, porque a patrulha ousou  corrigir os juvenis do Naça na base do cassetete. E olha que o cassetete de então era de borracha, conhecido pelos praças por "produto do Amazonas".

Plínio Coelho governou o Amazonas entre 1955 e 1959, quando passou o governo para Gilberto Mestrinho, que o devolveu em 1963.
Na transmissão desse cargo, o 2º tenente Barbosa Filho foi guindado a coronel comandante da PMAM. Essa brusca mudança ocorreu a 2 de fevereiro. Em nossos dias questiona-se, há estranhamento quando um tenente-coronel assume o comando geral da mesma corporação.
Antes de relatar o final dessa manobra, quero lembrar que a ficha funcional deste oficial mostra alguns deslocamentos dele, presidindo a delegação do Nacional FC. Com esse encargo, esteve em Porto Velho (1955); no então território federal do Amapá (1956); e com a equipe de pedestrianismo da PM em Belém/PA (1959).

Há, todavia, um relato sobre a atividade do tenente Barbosa que reclama divulgação. Em maio de 1959, ele embarcou com a tropa da PM para Nhamundá (AM), com a finalidade de manter aquele território, enquanto o Pará e o Amazonas discutiam seus limites.
Plínio Coelho, em
A Gazeta, nov. 1962

Em 1964, ocorreu a mudança do governo federal, passando ao Regime Militar. O governador Plínio Coelho ainda se manteve no poder até junho, quando foi cassado. Mas, prevendo esse desfecho, promoveu o tenente Barbosa Filho ao posto de capitão (maio) e, insatisfeito ainda com essa ajuda, em 13 de junho exonerou o coronel Barbosa do comando. Então, o amigo governador o recompensou, nomeando "fiscal de vendas e consignações da Secretaria de Economia e Finanças".
Barbosa Filho também foi cassado. Anistiado, porém, retomou os proventos do referido cargo. 
Catador de papéis contumaz, saí em busca do decreto de nomeação do tenente Barbosa para o comando da PMAM. No Diário Oficial, não o encontrei. Assim, penso que ele exerceu esse cargo apenas com a publicação em boletim interno da corporação e a "palavra" do governador Plínio Coelho.
Barbosão morreu em maio de 1992. O então deputado estadual Maneca, outro conhecido desportista, me informou o fato. Na ocasião, eu me preparava para entrevistar o ex-comandante. Não deu. 

Coronel Barbosa Filho (à dir.), primeiro da fila inferior
Hoje, sua foto orna o quadro dos ex-comandantes gerais da corporação. E o Nacional, batizou com seu nome o Centro de Treinamento (CT). (Para mais detalhes do CT, veja www.apaixonaca.blogspot.com/). Com essa medida, Barbosão continua "treinando" seus garotos.