CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

15 de novembro de 2010

Rua Marechal Deodoro

O feriado de hoje motivado pela Proclamação da República, em 1889, trouxe à lembrança o marechal Deodoro da Fonseca, aquele idoso de barbas grisalhas e com ares de quem acha-se tomado de dores. O acontecimento já motivou livros e estudos de todas os escalões, da mesma forma ocorreu sobre o marechal alagoano, primeiro presidente do Brasil.
Apesar de tantos estudos e publicações, poucos se recordam do fato, e da motivação do feriado. Assisti a uma ligeira enquete na via pública promovida por uma emissora de TV. As respostas tão descabidas me autorizam afirmam o que registrei acima.
A presença do marechal Deodoro na direção do governo causou uma série de homenagens. Seu nome foi afixado em diferentes logradouros e instituições em todo o País. Seu busto, igualmente. O Amazonas não escapou da ladainha, tendo contribuido com uma rua, engrossando assim o cordão das louvações.
Trata-se da rua Marechal Deodoro, no centro histórico e comercial de Manaus. Esta rua começa na rua Marques de Santa Cruz e finda na avenida Sete de Setembro. Por ironia, ou a propósito, tomou o nome da rua do Imperador, e essa homenagem ocorreu no primeiro aniversário da República. Aqui, assim como na então Capital Federal, o imperador Pedro II foi exilado.

Rua Marechal Deodoro, Natal 2003
Esta artéria já teve seu tempo de esplendor, segundo cada autor. Nesse dia, para homenageá-la e lembrar o Marechal Deodoro, que conduziu a mudança do regime de governo no Brasil no final do século XIX, reproduzo uma crônica primorosa.
Esclareço que a mesma foi publicada em O Jornal, circulado em Manaus, em 28 ago. 1960. Nesse sentido, é preciso levar em consideração os 50 anos passados.
Hoje, a rua é mais conhecida por "bate palmas", devido seu comércio.


VELHOS TEMPOS
André Jobim

É com imenso prazer que continuamos com o propósito sadio de escrever, revendo, com a ajuda de nossa memória e dos velhos alfarrábios, fatos do passado para o presente congestionado pela politicalha, evocando assim a saudade e o avivamento da recordação, o tempo bom que passou e por este simples ensejo, voltamos a falar da rua Marechal Deodoro, a pequena “Wall Street” desta Manaus amiga; rua privilegiada do comércio amazonense, onde floresceu as grandes iniciativas de progresso, quer na industria, quer no comércio propriamente dito e ainda hoje, marcam com altivez, o apogeu de sua era de glórias.
Onde está a firma Figueredo & Cia., duas portas eram reservadas ao Cartório do Tabelião Raymundo Monteiro, pai extremoso de René e Yano Monteiro; era poeta primoroso, de fina sensibilidade e inteligente. Seus versos falam nas paginas dos livros que escrevera, dentre os quais, possuímos e guardamos avaramente um deles.
Vamos ainda encontrar na mesma rua, os vestígios de firmas que passaram e as que ainda existem a desafiar o tempo, vencendo a inflação criminosa da nossa moeda, na época atual.

Antonio Lamarão funcionou nos altos do prédio onde foi o J. Dias Paes, e o seu proprietário foi um dos fundadores do Cinema Avenida.
Matriz de J.G.Araújo, 1950 

Nos altos do prédio, onde está instalada a delegacia do Ministério do Trabalho, que foi da firma Tancredo Porto & Cia. Ltda., funcionou a Associação Comercial do Amazonas. E de seus chefes e auxiliares, dentre eles nos lembramos bem do velho Artur Ferreira, pai de nossos amigos Artur e Aluisio, este último até bem pouco tempo foi um cultuador do violino e que, conosco, fez parte dos “coros” da Igreja dos Remédios e da Catedral e também de varias serenatas; Osvaldo Viana, José da Costa Teixeira, José Mauricio Sales de Figueiredo, Diogo brasão e silva, filho do velho Brasão e Silva, um dos fundadores da praça da Liberdade nos Bilhares, atrás do Seringal Mirim, onde era morador, Manoel Antonio da Silva e nosso amigo João Jauapery.
Quanto à firma J. G. Araujo & Cia. Ltda., já falamos em crônicas anteriores, mas, mesmo assim, ainda é hoje o colosso, sem favor, dessa terra.
O Banco Popular de Manaus funcionava onde é hoje a firma Antonio M. Henriques, tendo ao lado o Café Moderno do velho Matias e seu irmão Antonio e que, posteriormente, pertenceu ao saudoso amigo José Seixas, e quem não se lembra do José na Leiteria Amazonas?!
Do Banco Popular nos lembramos de seus fundadores: Fenelon Bomilcar, Coronel Taurino, Ildebrando Sisnando, José Nunes de Lima (proprietário da fábrica Mimi) e seus auxiliares Aureliano, Alzira Hugo e Silva, ainda hoje se constitui uma das auxiliares destacadas; vem também a nossa lembrança Armando Bandeira, falecido em São Paulo, moço inteligente e trabalhador que, conosco, formou nos bancos escolares dos colégios de então.
A firma Henrique Pinto & Cia., dirigida até hoje pelo nosso amigo Henrique Pinto; no seu escritório, exercia a função de chefe e correspondente o senhor Jacob Sabbá,, como chefe dos pracistas, o saudoso José Travassos de Souza (o Careca), que, fora da vida comercial, era jogador chave do primeiro time da União Esportiva Portuguesa, e Vitorino Silva que até hoje constitui uma das molas principais da referida razão comercial.

O Jornal, dez. 1963

Ao lado, na parte térrea, era o escritório dos corretores Manoel Dias de Oliveira (dono da Vila Fany) e João Leandro Hermes de Araújo (também proprietário do prédio onde está o Pronto Socorro). Entre seus auxiliares formavam os nossos amigos José Marçal dos Anjos, José Oliveira, o Bebé, Demetrio e Adolfo Hermes de Araújo, hoje juiz do Tribunal de Contas do Estado, Marcelino Almeida (o Ventania), que depois se associou com o corretor e velho amigo Antonio Balbino dos Santos. (segue amanhã)