CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

11 de novembro de 2010

Decálogo do candidato à Academia de Letras

Efetuei em três tempos a leitura da crônica sabática de Robério Braga (A Crítica, 30 out. e www.roberiobraga.com.br) sobre as eleições na Academia Amazonense Letras. Melhor dizer, acerca dos pré-requisitos que um aspirante à imortalidade amazonense deve cumprir a fim de tomar assento definitivo na poltrona azul da Casa de Péricles de Moraes.

Li o texto com afinco, porque sou um pretendente, já tendo sido derrotado na última eleição, certamente por desconhecer esses preceitos.

Sede da Academia Amazonense
de Letras, em 2009
 Conhecedor do número de candidatos às vagas, muitos, como eu, desconhecendo este manual liberei a iniciativa e o espaço para reduzir a crônica a dez tópicos.
Daí vem o título dessa postagem, por isso, direto ao que interessa.
Espero ter colaborado. E mais uma, para os interessados: a abertura da nova eleição ocorrerá em janeiro próximo. E o expediente da Academia vai das oito às catorze horas. Vamos nos preparar.


1. Resistir ao primeiro convite. Aprendi que há um convite que apenas traz dissabores e, ao contrário, outro que permite o trânsito livre. Aguarde algum bom tempo, doutor Roberio Braga esperou dez anos e o poeta Luiz Bacellar ali ingressou aos oitenta anos.
2. Não desdenhar das poltronas azuis. Azul é a cor da cadeira dos imortais. Essa cor (seja qual for sua predileção), portanto, deve ser buscada com convicção, sem aparente desinteresse.
3. Não formular críticas ácidas. O interessado deve demonstrar verdadeiro e sadio interesse, sem fingimento.
4. Possuir um desejo plausível. Sem os ardores da paixão, pois isso cega. Ou, no dizer popular e repetido pelo cronista, “não se deve ir ao pote com muita sede”.
5. Não cultivar a empáfia. O mesmo que orgulho vão, arrogância, insolência, presunção. Qualquer dos conceitos derrota.

6. Cuidar de sua história. O candidato deve zelar pelo seu desempenho, pela sua conduta em geral. A própria história, descuidada e irrelevante, pode acarretar a ruína do pleiteante.

7. Não utilizar meios externos. A eleição na Academia não comporta, não sofre a influência externa. Especialmente se esta se apresenta em forma de cabo eleitoral, eleitores comprometidos e outras formas de promessas. Badalação social, nem pensar.

8. Nunca recorrer à Justiça. A decisão da assembleia acadêmica sobre a eleição é definitiva e irrecorrível.

9. Não comparar com outros processos eletivos. É inimaginável alcançar a imortalidade pelos desvãos dos mortais políticos. Procure conhecer como ocorre o pleito. É de uma simplicidade franciscana.

10. Chegar “lisa e mansamente”. As cautelas que o candidato deve tomar para alcançar a Casa de Adriano Jorge são: biografia considerada; apreço pela instituição e interesse em ajudar a erguer a todo tempo aquele monumento. Ao contrário, querendo arrombar a porta, ele estará perdido.
Falecidos acadêmicos Aderson Dutra, Waldemar Batista e Agenor Ferreira