CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

22 de dezembro de 2013

BOMBEIROS DO AMAZONAS


Capa do livro
Trata-se do livro que escrevi, para efetuar uma retrospectiva desta instituição, surgida em Manaus há 137 anos. Como foi longo o tempo que levei para concluir esta memória, mas, enfim, saiu da gráfica na noite de quinta-feira (19). As dificuldades foram múltiplas: a inexistência de uma equipe de trabalho; apoiado pelo CBMAM, vieram os entraves burocráticos, como as substituições direcionais; concluído o texto, sobrevieram a seleção e o tratamento das imagens, com a necessidade de substituir, devido a acidentes de trânsito, o primeiro designer contratado; elaborada essa etapa, com os acréscimos de última hora, restava catar os recursos para a impressão.  E a data marcada para o lançamento, ou melhor, a apresentação deste aos “homens e mulheres do fogo” aproximando-se célere. Deu na medida!
Coronel BM Antonio Dias
Um ligeiro cálculo permite-me afirmar que desde 1993 venho trabalhando o tema. Em 1995, editei Os Bombeiros de Manaus que, diante do novo, se tornou um ensaio, um esboço. Somente em 2005, voltei ao trabalho, quando o então comandante dos Bombeiros Militares, coronel Marinho de Alcântara, contratou-me para a elaboração do texto. Tudo caminhava bem, até que a exoneração deste oficial do referido comando emperrou a conclusão da obra por outra temporada. Somente há três anos voltei ao batente sob o entusiasmo do coronel Antônio Dias e, como relatado, concluir o projeto. Assim, pois, essas diversas paradas na linha do tempo, devido aos entraves acima elencados, fizeram que este compêndio demorasse tanto.

Todavia, vencemos. Em especial pela dedicação do coronel Dias, empenhado ao extremo, mas cuidadoso com a administração que há alguns anos desenvolve no CBMAM. Às vezes, entusiasmado, eu tentei discordar, mas fui vencido, como quando recorri ao secretário de Estado da Cultura e ao presidente da Rede Amazônica. Desisti. Deixei que o coronel Dias conduzisse o processo. Foi desse modo que triunfamos. Este livro, por tantas razões e colaborações, pertence ao centenário Corpo de Bombeiros do Amazonas.

Para melhor expressar meu ponto de vista, reproduzo a Apresentação que assinei em os Bombeiros do Amazonas:


O exercício da significante função no Corpo de Bombeiros e o próprio tema que já expandi, nessa ordem, inquietaram-me. A primeira inquietação ocorreu quando servi na instituição em três situações e, a segunda, ao publicar a brevíssima retrospectiva dos Bombeiros de Manaus, em 1995. Ainda que na reserva, prossigo estimulado pela temática. Desse modo, a exploração que ora concluo
ultrapassa suficientemente a antecedente, ao recordar treze décadas de existência do serviço de extinção de incêndios na capital amazonense, núcleo básico de sua atuação.
De outro modo, creio existir um condão mágico seduzindo àquele que se relaciona com essa abnegada profissão, porque não dizer, a todos os combatentes do fogo. Daí meu reconhecimento: sofri o aludido fascínio. Os substratos deste estão assim sistematizados: anteontem, quando jovem capitão (1973) comandei o Corpo de Bombeiros, subordinado à Polícia Militar; ontem, ao retornar ao Corpo (e alma), em ocasiões bastante afortunadas. E hoje, por esta retrospectiva que entrego a você, leitor.
Para a concretização desta empresa, deste compêndio, busquei com afinco, documentos e outros elementos exequíveis; uns foram alcançados no Rio de Janeiro, onde os repositórios nacionais permitiram-me deslindar a fundação e a existência da Polícia Militar do Amazonas. Com semelhante intento estagiei em Belém do Pará, onde manuseei ou pus os olhos em centenários apontamentos. Pa-
tenteei, pois, com os papéis examinados, a saga desses bombeiros, aos quais, sem distinção externo meu profundo apreço.
Devo acrescentar que nesta obra, observei o relato cronológico dos fatos zelando pelos fundamentos básicos da corporação. Do efetivo geral; dos comandantes; das repetidas transferências devido às mudanças políticas; dos vencimentos; e por aí afora. E ainda há muito a relatar. Declaro, enfim, que o livro não me pertence com exclusividade - porque aqui e ali reproduzo citações honrosas e transcrições jornalísticas. E não foram poucas!
Estruturei esta obra em três fases: a primeira, mais alongada, narra desde a criação do serviço de extinção de incêndios até meados do século passado, cujo balizamento foi a passagem desse ofício para a competência da Prefeitura de Manaus. A segunda, iniciada em 1951, prospera até 1973, quando o Corpo de Bombeiros de Manaus foi incorporado à Polícia Militar do Amazonas. A terceira,
com duração de 25 anos, cobre a responsabilidade do Estado com os serviços, enquanto competência da Força Pública.
A partir de 1998 abre-se novíssima idade, quando o encargo do combate ao fogo prossegue com o Estado, porém, desvinculado da Polícia Militar, a corporação dos Bombeiros veleja autônoma.
Sou agradecido aos "companheiros de viagem", àqueles que contribuíram de qualquer modo para a concretização desta retrospectiva. O primeiro, sem dúvidas, é o "civil folgado" Ed Lincon. Ed vestiu a camisa, o boné, avermelhou-se de bombeiro, por isso, qual a todos os bombeiros, é um herói.
Fogo!,  assim se saúdam os Bombeiros. A mesma saudação para a Sandra Assayag, funcionária do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, pelo apoio dispensado, ontem e hoje. Ao sargento Jorge Medeiros, que mantém o arquivo desta corporação
com dedicação e zelo.


Agradeço ao Antônio Matos, subtenente, e ao Jocemar Luís P. Marcos, soldado, ambos do arquivo-geral do Centro Histórico e Cultural do Corpo de Bombeiros Militar (RJ) o adjutório dispensado. Ainda, a Salete Lima, da Fundação Dirson Costa, pela gravação das entrevistas, e ao Carlos Navarro, pelas fotografias elaboradas. Finalmente, aos familiares de combatentes do fogo que, entre fortes emoções e copiosas lágrimas, me emprestaram suas lembranças para tornar bem mais crível esta retrospectiva.
Fogo!