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terça-feira, setembro 15, 2015

NOTAS PARA A HISTÓRIA DA PMAM


Na Semana da Pátria de 1970, o governador do Estado, Danilo Areosa, inaugurou um pavilhão do futuro quartel da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). O projeto de Severiano Mário Porto destinava-se a aquartelar o efetivo da PMAM, que se premia no quartel da Praça da Polícia. Ou seja, ali no bairro de Petrópolis, o governo construía o quartel do Comando Geral.

Tal não aconteceu, pois, no ano seguinte, apenas o 1º Batalhão de Polícia Militar, sob o comando do então tenente-coronel Flávio Rebello, ocupou aquele imenso quartel. Devido a sua ampla estrutura, abrigou várias unidades menores.

O comando-geral da Força Estadual somente transferiu-se para aquele endereço mais de 30 anos depois. Em 2002. Lastimável que tenha conduzido diversas organizações para suas dependências, tornando o espaço acanhado e disputado pelos ocupantes.
Recorte do Jornal do Commercio, 6 set. 1970

Governo inaugura quartel da PME

O dia de ontem foi duplamente festivo para a Polícia Militar do Amazonas. Foram inauguradas as instalações de seu Centro de Instrução e Treinamento e o seu novo quartel general em Petrópolis. Na oportunidade também várias personalidades foram agraciadas com as medalhas Tiradentes e Cidade de Manaus.

O Governador passou revista às tropas no novo Centro de Instrução, na rua Dr. Machado, ao lado [ao fundo] da Maternidade Ana Nery, e deu por inauguradas as novas instalações, havendo em seguida uma demonstração das práticas desportivas daquela agremiação, com ênfase em judô, que agradou a grande maioria dos presentes.

Pouco depois, se fez a entrega das medalhas aos cidadãos que com elas foram distinguidos pelo Governo do Estado.


Condecorações
As medalhas entregues foram de dois tipos. Primeira, a medalha Cidade de Manaus, que se destina a cidadãos cuja atuação em quaisquer dos setores da vida humana tenham se destacado na cidade de Manaus. A outra condecoração se destina a personalidades que, com sua atuação, tenham contribuído com relevantes serviços com a Polícia Militar do Amazonas.

Com a Medalha Cidade de Manaus foram agraciados os senhores Érico de Carvalho, presidente da [extinta] Varig; Jorge Augusto de Souza Baird; Francisco Monteiro de Paula [secretário de Fazenda]; Aderson Dutra, Stepheson Vieira Medeiros e Agesilau Araújo. Todas foram entregues pelo governador do Estado.

Já os que receberam a medalha Tiradentes tiveram paraninfo individual. Os agraciados foram: Paulo Pinto Nery – paraninfo Amaury Silva; Mário Jorge Fonseca Hermes [capitão dos Portos] – paraninfo cel. Arídio Brasil; Paulo Figueiredo de Andrade Oliveira [tenente-coronel comandante do 1º BIS] – paraninfo José Lopes; cel. Jorge Teixeira [diretor do Colégio Militar de Manaus] – paraninfo Deputado Miranda Leão; Alberto Rocha – paraninfo governador Danilo Areosa.

Terminada a aposição das condecorações, os presentes se dirigiram às novas instalações da PM, no bairro de Petrópolis.

O governador inaugurou o pavilhão lá existente e prometeu que entregaria em dezembro os outros quatro pavilhões que formarão o Quartel General da Polícia Militar do Amazonas. O pavilhão tem linhas discretas, modernas, e foi feito para alojar 150 homens.

Depois dos discursos de praxe foi servido um coquetel aos presentes.


(*) Jornal do Commercio, 6 de setembro de 1970

domingo, junho 07, 2015

COMANDO-GERAL DA PMAM

Dois aquartelamentos da Polícia Militar do Amazonas exponho hoje. O primeiro, sobejamente conhecido, está situado na Praça da Polícia, legalmente de Heliodoro Balbi, agora se encontra transformado em Centro Cultural Palacete Provincial. E deve continuar assim, ao menos, esta é minha opinião.

O segundo quartel está situado no bairro de Petrópolis. Foi inaugurado em 1970, e sua idealização coube ao arquiteto Severiano Porto, tanto que se pode observar ainda detalhes em madeira que foram a marca deste profissional. Em nossos dias bastante modificado, requer uma placa com essa indicação.


As fotos expostas são da década de 1970, e pertencem ao Arquivo Histórico da corporação.

Zuavos em frente ao quartel da Praça da Polícia

Quartel do Comando-Geral em Petrópolis

Corredor central do quartel em Petrópolis, com venezianas em madeira

Soldado do então 1º Batalhão, em Petrópolis, diverte crianças

terça-feira, fevereiro 19, 2013

SEVERIANO PORTO E A PMAM



Quartel do 1º Batalhão, em Petrópolis
Comentários circulantes na corporação quando ali desembarquei davam conta que o arquiteto Severiano Mário Porto chegara em Manaus a convite do governador Arthur Reis (1964-67). Tudo porque este habilíssimo profissional estava encarregado da elaboração de um novo quartel para a Força Estadual.
Hoje, Porto completa 85 anos. Por este motivo, seus amigos e admiradores promoveram em jornais locais os merecidos parabéns. Lembro-me que a Polícia Militar, agora comandada pelo coronel David Barbosa, já expressou seu entusiasmo pelo mestre, na concessão da Medalha Tiradentes.
Sei igualmente que os amigos reúnem os dados sobre as obras produzidas no Amazonas pelo aniversariante. Gostaria de colaborar, lembrando mais detalhes sobre o Quartel da Polícia Militar, no bairro de Petrópolis. Este trabalho deve concorrer em precedência com o estádio Vivaldo Lima.
As obras em Petrópolis consumiram dois governos: de Arthur Reis e Danilo Areosa, este as deixou relativamente acabadas quando passou o Poder Executivo ao coronel João Walter de Andrade, em janeiro de 1971. O complexo militar estava destinado a aquartelar toda a corporação em Manaus, afinal, esta mal contava com 1000 homens.

Quartel do 1º Batalhão, em Petrópolis, em 1979
No entanto, o comandante da PM, coronel Paulo Figueiredo, preferiu manter-se no quartel da Praça da Polícia, apesar deste estar se desmanchando. Em novembro desse ano, transfere o 1º Batalhão de Polícia Militar, sob o comando do tenente-coronel Flávio Rebello, para o longínquo bairro de Petrópolis.
Somente 40 anos depois, o comando-geral da corporação ocupou seu espaço. E, por muito pouco, a PM não se encontrava no mesmo endereço, afinal foram tantas unidades para lá transferidas, que faltam acomodações para abrigar tantos, ao contrário de sua inauguração.
Recordo informação ouvida não sei onde e de quem: a Escola Estadual Castelo Branco, situada no bairro de São Jorge, teria sido construída copiando a planta do quartel de Petrópolis. Bastante modificado, o edifício da Polícia ainda resguarda aqui e ali uma das marcas deste arquiteto: a madeira. As janelas foram construídas de madeira, ao lado de outros elementos vasados. 
Detalhe final: os alojamentos (dormitórios) dispunham de armadores de redes, contribuindo para que os policiais utilizassem as regionais “baladeiras”.

sábado, fevereiro 16, 2013

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS: ALBUM (2)

Maestro tenente Raimundo Bezerra
O registro de hoje mostra a centenária Banda de Música da Polícia Militar do Amazonas em atividade, regida por dois diferentes maestros: os tenentes Raimundo Alves Bezerra, que dirigiu a Banda até 1976, e Antônio da Costa Franco, que o sucedeu até o inicio dos anos 1990.

As fotos mostram desfiles em frente ao quartel da Praça da Polícia; nos desfiles de Sete de Setembro, tanto na av. Eduardo Ribeiro quanto na av. Djalma Batista, e em formação no quartel do 1º Batalhão (hoje Comando Geral) no bairro de Petrópolis.
 
Desfile na av. Eduardo Ribeiro (acima) e em frente
ao Quartel da Praça da Polícia (abaixo)


Em formação para o desfile de Sete de Setembro,
na avenida Djalma Batista (acima)
Banda em formação no 1º Batalhão

quarta-feira, dezembro 26, 2012

FELIZ NATAL, AINDA QUE TARDIO


Afinal, estou em Minas Gerais. Perdido em andanças para alcançar um encontro familiar bem distante de casa, não pude manter a publicação diária. Por essas razões, meus votos de felicidades pela festa do Menino Jesus chegam com algumas horas de atraso.

Cartão elaborado em 1977-78 no 1º Batalhão de
Polícia Militar
 
Para ilustrar a postagem, resgatei um ancestral cartão de Boas Festas, referente a 1977-78, idealizado pelo então comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Pedro Rodrigues Lustosa. A foto foi realizada por um experimentado fotógrafo, que ainda hoje produz com eficiência, falo de Carlos Navarro.

No comando deste batalhão, Lustosa havia sucedido  ao tenente-coronel Hélcio Motta, que fora conduzido ao Estado Maior da corporação. Oficial dedicado e organizador ao extremo empreendeu vistosa reforma nas dependências do quartel, em especial o parque esportivo, como bem demonstra a fotografia.

Este registro natalino causou um mal estar, um fuxico entre a classe, pois entendiam que a foto queria mostrar a deficiência do antecessor. Entenda-se como briga de compadres. Certo mesmo é que este Cartão é o mais antigo documento -- com 35 anos -- apregoando os anseios da Polícia Militar, mesmo que nascido de uma fração da PMAM, para a população.

O texto pertence ao coronel Lustosa, somente ele, com a paixão dele pela briosa Polícia Militar, poderia escrever com aquela ênfase. Na época, eu colaborava com o comando do coronel Lustosa, como subcomandante, mas não pude contribuir com este histórico cartão de Boas Festas.

quinta-feira, novembro 10, 2011

1º BATALHÃO, EM PETRÓPOLIS: 40 ANOS (4/4)

Para encerrar a série, desejo lembrar a existência, na Polícia Militar do Amazonas, de dois batalhões com a mesma denominação: 1º Batalhão. Ambos desapareceram no tempo, ambos foram desintegrados.

Candido J. Maraino, pincel
de Jurandir Macedo, 1997
O primeiro a existir foi o 1º Batalhão de Infantaria, comandando pelo tenente-coronel Candido José Mariano, que seguiu contra Canudos, em 1897. Sua criação data do ano anterior, quando o Amazonas dispunha de um Regimento Militar para a segurança do estado.

Esse Regimento compunha-se de dois batalhões, fração de artilharia e cavalaria, além de companhia de bombeiros. Era tão evoluída a força estadual, que possuía duas bandas de música. Afinal, o Amazonas sacava dinheiro contra a produção da borracha, a riqueza que avalizou a expedição contra Antonio Conselheiro.


Está documentada a decisão do governador Fileto Pires que entregou a Candido Mariano 40 contos de réis, para gastos em geral com o pessoal. Tanta benevolência servia para colaborar com os cofres federais, que mantinha a campanha de Canudos há dois anos.
O Regimento prosperou enquanto prosperava o ciclo da borracha, tão logo este demonstrou retração, a PM operou na mesma direção. Em 1908, assume o governo Antonio Bittencourt, reclamando da situação econômica do Estado. Entre suas iniciativas, veio a mudança, drástica mesmo, nas fileiras da corporação policial. Em 20 de janeiro, organiza, em lugar do Regimento bem nutrido, o Batalhão Militar do Estado.

Coronel Pedro J. Souza,
comandante da PM em 1910
Ainda no mesmo governo, retornou a reorganização do Regimento, até com elevação de policiais. No entanto, em janeiro de 1913, o governador Jonathas Pedroza extingue aquele e, com a metade do efetivo, cria o Batalhão de Segurança. A partir desse ano, o efetivo da corporação seguia os rumos da economia do Estado, sempre definhando.

Obviamente que, em decorrência da extinção do regimento, os batalhões (1º e 2º) foram extintos, desapareceram. Restam apenas os assentamentos de seu pessoal, devidamente guardados no Palacete Provincial.


x.x.x

Somente em 1965, no início do Governo Militar, o governador Arthur Reis denominou a Polícia Militar do Estado de Batalhão Amazonas. Nos considerandos da lei que o criou, lembrou aquele intelectual, historiador competente, das atribulações sofridas pelo primitivo 1º Batalhão em Canudos.

Nos três capítulos desta série sobre a Polícia Militar no bairro de Petrópolis contei da evolução desta unidade, de seus comandantes. Com a presença do comando geral da corporação neste aquartelamento, o 1º BPM foi descaracterizado. Finalmente, em 2007, o coronel Dan Câmara, comandante-geral, decidiu pela extinção do batalhão, a fim de implantar nova ordem de comando, agora empregando as companhias comunitárias.

Posse do coronel Dan Câmara (à dir.), no comando-geral da
PMAM, presente o governador Eduardo Braga (centro), visivelmente
cansado. Os uniformes distintos são da mesma corporação.

terça-feira, novembro 08, 2011

1º BATALHÃO, EM PETRÓPOLIS: 40 ANOS (3/4)



Em 1976 (29 junho), assume o comando do 1º BPM o tenente-coronel Pedro Rodrigues Lustosa, no dia de São Pedro e de seu natalício. As necessidades de policiamento e o crescimento econômico do Estado, com o comércio da Zona Franca e, posteriormente, do Distrito Industrial, levam os governos a atender melhor a Polícia Militar. Não se pode desmerecer nesse aspecto a força do regime militar.
Quartel do 1º BPM, em Manaus, c1975
 O bairro de Petrópolis continuava reclamando socorro público. Instalado em um terreno deveras acidentado, como se pode observar ainda em nossos dias, o avanço se fazia sob medida. Mas, afinal a presença deste quartel foi importante para a prosperidade do bairro.
Tropa do 1º BPM, em Manaus, c1975
 Após o comando do tenente-coronel Pedro Lustosa vieram, pela ordem, os tenentes-coronéis Amilcar da Silva Ferreira (1979-81), Ruy Freire de Carvalho (1981-82) Ilmar dos Santos Faria (1982-83). Estávamos, então, dando os primeiros passos para a redemocratização do País. Em 1982, foi eleito o governador Gilberto Mestrinho, que assumiu no ano seguinte. Dois anos depois, com a substituição do presidente João Figueiredo, estava rematado o governo dos generais.
Coronel Amilcar
Ferreira

 A dimensão deste quartel permitiu seu uso para diversos fins. Quando a PMAM empreendeu esforços na formação de graduados e soldados, ao extinguir o Centro de Instrução Militar (CIM), foi no 1º BPM que ocorreu este trabalho. Pequenas unidades, como a Companhia de Guarda, foram acolhidas neste local. Ainda há dias passados conversávamos sobre o início do Canil, pois foi ali, com muita improvisação que os primeiros cachorros foram “incluídos”, foram que lá que eles aprenderam a “falar”.
Até 1990, quando passou pelo comando do 1º BPM o então major Moacir da Fonseca Carioca (cristão bem formado, não dispensava ajuda a quem o procurasse), comandaram o BPM os seguintes tenentes-coronéis: Mael Rodrigues de Sá (1983-84); Edson de Lima Matias (1984);Fausto Seffair Ventura (1984-85); Alfredo Assante Dias (1985); Edval Correa da Fonseca (1985); Odorico Alfaia Filho (1985-86); Antônio Ferreira Lima (1986); Edmilson da Silva Nascimento (1986-87); Edson de Lima Matias (1987-88); Raimundo Carlos Daniel Mar (1988-1990) e José Cabral Jafra (1990).
Fácil observar que não havia uma diretriz para o tempo do exercício de comando, alguns colegas passavam “uma chuva”, poucos meses. Como se esperar desses comandantes o estabelecimento de uma conduta? Na verdade, cumpria apenas os preceitos de praxe. Terá sido um reflexo da mudança de governo, do governo democrático que se estabelecia?

Alfredo Assante; Ilmar Faria; Fausto Ventura e Fernando Andrade (acima) Encarnação; Mael Sá; Carioca e Castelo Branco (da esq. para dir.)


Ressaltada mudança ocorreu em abril de 1997 quando, por exigência do melhor policiamento da cidade, o batalhão tomou a denominação de Batalhão de Polícia de Rádio Patrulha, sob o comando do tenente-coronel Fernando Antônio Andrade de Oliveira. Este, seis meses depois passou a direção ao então major Wilson Martins de Araújo que, tal qual o antecessor, permaneceu outros seis meses a frente do quartel. Na sequência, transferiu o comando ao tenente-coronel James Pedrosa Castelo Branco, que permaneceu “longo período” (dois anos), até 1999.

Em 2002, o 1º BPM foi “invadido”, ocupado pelo comando da corporação, que se fazia escoltar por diversos órgãos. Com esse procedimento, o comando-geral da PMAM ocupava o espaço que lhe fora destinado passado mais de trinta anos. Mas, a costumeira designação de 1º Batalhão perdurou por algum tempo, mesmo quando, em 2007, esta Organização Policial Militar (OPM) foi desativada ou extinta. (segue)

segunda-feira, novembro 07, 2011

1º BATALHÃO, EM PETRÓPOLIS: 40 ANOS (2/4)


Quartel do 1º Batalhão, Petrópolis, 1975
Desde 8 de novembro de 1971, a Polícia Militar do Amazonas encontra-se no bairro de Petrópolis, com o aquartelamento do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM). Nessa data, esta unidade, com o efetivo de aproximadamente 400 homens (as mulheres somente ingressariam na PM em 1980), ocupou o enorme quartel destinado a abrigar todo o efetivo desta corporação.


Eram três enormes prédios (para a época), o do comando, com tantas e um enorme corredor, que mais parecia um hotel ou hospital, e mais dois para as companhias, sem esquecer o corpo da guarda, onde se encontrava o famigerado xadrez. Todos eles dispondo de venezianas de madeira; armários de madeira nos alojamentos; travessas adequadas a armação de redes, isso mesmo, com essas medidas Dr. Severiano Porto pensava em arejar os espaços. Hoje, as venezianas quase desapareceram, pois a refrigeração do ambiente obrigou a substituição.
Coronel Flávio Augusto
Ainda existe a caixa elevada e a cisterna, que supriam a deficiência do abastecimento de água na cidade. Somente muito depois, foi construído um galpão, que se transformou em garagem e serve em nossos dias para outros fins. Não posso esquecer a quadra esportiva, onde muito futebol-de-salão foi disputado, nem semi-oficial campo de futebol, onde por ocasião das olimpíadas policiais as disputas ferviam.  


Coube ao tenente-coronel Flávio Augusto da Silva Rebello, comandante do batalhão desde abril, efetuar a transferência. Dois outros auxiliares do coronel Flavio são aqui lembrados: major Manoel Gouveia dos Santos Freire e o capitão Mael Rodrigues de Sá, coincidência, estes dois eram conhecidos pelo último sobrenome.
Na manhã dessa data, no quartel da praça da Polícia, o batalhão tomou seu escasso mobiliário, enfiou-o em um caminhão e fez a mudança. Desembarcou, então, no outro lado da cidade, para encontrar unicamente a edificação, não havia telefone (a comunicação era feita pelo rádio), pouco transporte, mas muita determinação em superar os embaraços.

Tenentes-Coronéis
Helcio Motta e
Lustosa, e major Freire
(a partir da esq.)

Dois anos depois, em fevereiro, assumia o comando da organização, o tenente-coronel Hélcio Rodrigues Motta (1973-1976), nele permanecendo por três anos. Coronel Hélcio, oficial graduado na escola da PM da Guanabara, soube conduzir, ainda que com sua conversa algumas vezes prolixa, a tropa. Conseguiu superar alguns entraves, tanto os policiais como os da administração municipal. Enfim, como se diz na caserna, assentou alguns tijolos na construção do batalhão.

Foi para esse comando que, em 1974, eu fui transferido. Ainda major, prestei os encargos próprios do meu posto, ali permanecendo até 1977, quando fui designado para o comando da Rádio Patrulha, então ocupando o aquartelamento da rua Dr. Machado, atrás da Maternidade Ana Nery, agora Balbina Mestrinho.
As aperturas que o batalhão enfrentava eram desafiadoras, por isso, atraía poucos militares para o serviço de policiamento da cidade, que lhe cabia. Assim, era considerado um local de “castigo”. Os faltosos, os transgressores da disciplina eram comumente transferidos para aquela unidade. Foi o que aconteceu comigo, ao fracassar no comando do Corpo de Bombeiros.


Quadra de esportes em funcionamento (acima) e os
soldados-especialistas na ampliação do quartel, no
comando do coronel Lustosa (abaixo)
Em 1976 (29 jun.), assume o comando do 1º BPM o tenente-coronel Pedro Rodrigues Lustosa, no dia de São Pedro e de seu natalício. Na direção, permaneceu por três anos. Conhecido por sua disciplina e organização, além de sua paixão pelo São Raimundo EC, do qual foi jogador e treinador, coronel Lustosa renovou o aquartelamento e enquadrou no melhor sentido os policiais do 1º BPM. (segue)
 

domingo, novembro 06, 2011

1º BATALHÃO, EM PETRÓPOLIS: 40 ANOS (1/4)

Jornal do Commercio, 17 nov. 1971
Desde 8 de novembro de 1971, a Polícia Militar do Amazonas encontra-se no bairro de Petrópolis, quando o quartel desta unidade policial militar foi ocupado (não houve inauguração formal). Portanto, estamos comemorando quarenta anos de instalação do Batalhão Amazonas, depois 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM) neste bairro. Em nossos dias, com a extinção do batalhão, o aquartelamento acolhe o Comando Geral e outras unidades da corporação.


Gen Pereira visita o quartel de Petrópolis,
em 1971
Um pouco desta história, que começa em 1964. A PM estadual, no princípio do governo militar, possuía um efetivo irrelevante ocupando o quartel da praça da Polícia, que estava se desmanchando. Os problemas, de toda ordem, avolumavam-se, sequer havia uniformes para todo seu pessoal.
O governador Arthur Reis (1964-67) tomou várias medidas no quartel, duas interessam a este post. A primeira, deu o título de Batalhão Amazonas (deccreto 188/65) ao efetivo da PM, pois, até então, o pessoal estava distribuído em companhias e grupamento e destacamentos pelo interior.

Severiano Porto,
em 1971
A segunda, contratou o serviço do arquiteto Mário Severiano Porto (nascido em Minas Gerais, trazido para Manaus pelo governador), que construiu várias edificações em Manaus, algumas premiadas, para projetar um novo quartel para a Polícia Militar do Estado.


Para a dimensão do aquartelamento projetado, o governo encontrou o terreno em Petrópolis, de propriedade do industrial Socrates Bonfim. No entanto, entre a elaboração do projeto e a conclusão da obra passaram dois governadores: Arthur Reis e Danilo Areosa (1967-71).
Nesse último governo foi criado, em 1970, o 2º BPM (Batalhão Cândido Mariano), para cuidar dos destacamentos do interior, hoje sediado em Itacoatiara. Em função desta medida, o Batalhão Amazonas passou a ser conhecido pela sua antiguidade: 1º BPM.


Em 31 de janeiro de 1971, João Walter de Andrade assume o governo, e, em 30 de março, nomeia comandante da PM ao tenente-coronel Paulo Figueiredo. Em abril, o tenente-coronel PM Flavio Rebello torna-se o primeiro comandante do 1º BPM. Estas autoridades encontram o quartel de Petrópolis em fase de acabamento, que já fora inspecionado pelo general Augusto Pereira, da IGPM, no início desse ano.
Coronel Figueiredo
e governador
João Walter, 1971
Também foram esses militares, em especial o coronel Paulo Figueiredo, que apressaram o desfecho da mudança. Convém revelar uma resolução: esta caserna estava destinada a receber o efetivo e a administração da PM, ou seja, o orientação era trocar o quartel da praça da Polícia pelo de Petrópolis.  Mas, nem todos estavam a favor, pois, enquanto o velho quartel da praça se mostrava deteriorado, estava otimamente localizado, bem no centro de Manaus. O novo, ao contrário, localizava-se na rua Benjamin Constant de um bairro em fase de arruamento, sem muitas condições, portanto.


Somente em novembro, há quarenta anos, o novo e imenso quartel foi ocupado pelo 1º Batalhão, levando para o bairro de Petrópolis não somente segurança. Certamente, obrigou o governo a programar os recursos básicos que permitiram o desenvolvimento deste bairro. (segue)