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quinta-feira, junho 20, 2019

CONTRABANDO DE CAFÉ


Em nossos dias, há uma enorme oferta de café, processado de várias formas. Não há perigo de desabastecimento. No entanto, nos anos 1950 e 60, essa rubiácea, por sua escassez, era causa de contrabando e mortes na região.
Ao final de 1950, estudei com o filho do dono do Café Brasil, instalado no bairro do Céu, e já se conversava sobre esse descaminho; em 1966, quando ingressei na PMAM, encontrei presos no quartel da Praça da Polícia dois traficantes, um deles, ex-soldado da corporação. Motivo: acusados de matar dois outros concorrentes.

Foto incluída na reportagem
Notas sobre dois personagens citados na postagem: Antogildo Viana, presidente do Sindicato dos Estivadores, estando no Rio de Janeiro, foi ali morto na detonação do Governo Militar (1964); Abel Praxedes era cabo da PMAM, enfatizando que cada subúrbio possuía ou uma delegacia ou uma subdelegacia, dependendo da dimensão do bairro.

Para enfatizar esse movimento criminoso, reproduzo a notícia publicada em A Crítica, de 14 fevereiro de 1963.




O sr. Antogildo Pascoal Viana, presidente do Sindicato dos Estivadores [SEM], às 2 horas da madrugada de ontem, com o auxílio das autoridades policiais do Morro da Liberdade, tendo à frente o sr. Abel Praxedes, subdelegado daquele Distrito,apreendeu 221 sacas de café em grão que se encontravam depositadas na residência do sr. Manuel Pereira da Silva, vulgo “Paraíba”, localizada à rua São Pedro, 704, Morro da Liberdade, sendo 80 sacas que estavam na carroceria de um caminhão, parado à porta da referida residência, 67 sacas no interior de um quarto e o resto em uma garagem, nos fundos da casa do sr. Manoel. Cientificando o fato as autoridades da Delegacia de Segurança Pessoal, direto da Receita da SEF [Secretaria de Economia e Finanças], sr. Clovis Lemos de Aguiar, que compareceram ao local, foi imediatamente lavrado o auto de apreensão pelos fiscais da SEF, uma vez que o café não possuía documentos, sendo considerado produto de contrabando.
O chofer Manoel Pereira da Silva, proprietário de dois caminhões e da casa onde se encontrava o café, ao ser interrogado pelas autoridades, declarou que fora contratado pelo comerciante conhecido por “Janjão”, para fazer o transporte do produto e guardá-lo em sua residência. Daí a Polícia estar crente ser o referido cidadão o dono da “muamba”, uma vez que se trata de café cru e que o dono do “Moinho de Ouro” já esteve metido em desvio de café clandestino.
 INQUÉRITO NA POLÍCIA
 Na Delegacia de Segurança Política e Social, de ordem do Chefe de Polícia, foi instaurado o competente inquérito para apurar a responsabilidade das pessoas envolvidas no contrabando de café apreendido, madrugada de ontem. Enquanto isto, as 221 sacas de café foram transportadas para o Quartel da Polícia Militar do Estado, onde ficarão aguardando até que seja concluído o respectivo processo.Hoje pela manhã, deverão ser ouvidos o sr. “Janjão”, acusado de ser o dono do contrabando e o motorista Manoel Pereira da Silva, que transportou em seus caminhões e armazenou em sua residência. NOVA DENÚNCIA Em atenção a uma denúncia recebida, o sr. Antogildo Pascoal Viana e o vice-presidente do SEM, sr. Sebastiao Romão, acompanhados de fiscais da SEF, seguiram à tarde de ontem em uma diligência até o Paraná da Eva, segundo consta, existe um deposito de café cru.



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