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quinta-feira, maio 02, 2019

PMAM: ANOTAÇÃO HISTÓRICA

Quartel da Praça da Polícia

Plínio Ramos Coelho, ao assumir o governo em 1955, escolheu o major EB Cleto Potyguara Veras para comandar a Polícia Militar. Esta instituição, segundo o governante, foi encontrada sucateada, sob o heroico comando do tenente-coronel PM Neper da Silveira Alencar. 

Elevado ao posto de coronel para exercer esse comando, ele trouxe para a Força Estadual o dinamismo da Força Terrestre, tanto na instrução quanto na administração, tendo permanecido no comando até 1959.
Depois anos depois da posse, o coronel Cleto colaborou com ampla reportagem sobre a corporação, exibida no jornal A Crítica (2 dezembro de 1957), da qual recuperei partes essenciais.
A publicação aludida esclarece os caprichos, os acertos deste comandante, porém, há registros, aqui já divulgados, de sua intolerância com oficiais. Uma delas bastante referenciada: aconteceu entre este e o major Júlio Cordeiro, os quais foram “pra porrada”, em frente da tropa. Contudo, o coronel Cleto Veras deixou na cidade e no governo de Plínio Coelho resultados benéficos para a Segurança Pública.
Título da publicação mencionada - A Crítica, 02 dezembro 1957

QUEM É O COMANDANTE
Dando um exemplo raro, jamais tendo chegado no quartel depois das 7 horas da manhã, o coronel Cleto Veras imprimiu com o seu exemplo, à vida da corporação, um ritmo eficiente e produtivo de trabalho. No curto desta reportagem, fomos de serviço em serviço. Pedíamos para examinar os livros, solicitávamos dados, informações, detalhes. Tudo nos era fornecido com precisão, com eficiência, com presteza. (...)
O coronel Cleto Veras está presente nos menores setores da vida de seu quartel. De quando em vez, de surpresa, é comum verem os soldados o coronel sentar-se à sua mesa, no rancho. Por esse modo, o comandante controla e fiscaliza de perto e pessoalmente, o que é servido aos seus soldados, aos quais deseja bem alimentados e dispostos aos pesados encargos da vida militar.
Um trabalho racional e inteligente de abastecimento das despensas da corporação, em que o aspecto da economia não é de forma alguma esquecida e, muito pelo contrário, aplicado com rigor e ótimos resultados presidem os cuidados com a alimentação dos soldados, que é farta e boa.

CAMPANHA DE CANUDOS
Ao seu lado, serena na sua imponência, falando uma linguagem muda, mas altiloquente de heroísmo e frêmitos guerreiros, está a espada empunhada por um bravo oficial amazonense nos combates de Canudos, tendo em baixo, num quadrozinho emoldurado, a seguinte legenda:
“Esta espada que aqui se vê foi conduzida honrada, honesta e bravamente, em benefício da República, pelo major José Augusto da Silva Junior, do qual então eu era comandante. E, por ser verdade, firmo o presente. Manaus, 15 de agosto de 1903.
(a) Candido José Mariano.”

NO SALÃO DE ARMAS, UMA ATMOSFERA DE PASSADO
Bem no centro do grande edifício onde se localiza o quartel da Polícia Militar, limitado pelas praças João Pessoa e Ribeiro Junior e ruas José Paranaguá e Lima Bacury, está o salão de armas. Ali, no silêncio profundo que parece estar todo o tempo aumentando pela solenidade das armas antigas que pendem das paredes e pelos móveis antigos, lavrados à mão, ouvindo apenas de muito longe, os rumores da rua e das vozes de comando que chegavam do pátio, onde a tropa fazia evoluções, trabalhamos grande parte desta reportagem.
Num dos cantos dentro de um armário, carinhosamente está a bandeira que os bravos expedicionários amazonenses empunharam nos combates em Canudos. Está também a histórica espada já antes referida. As paredes ornadas com antigas armas medievais e espanholas, falam de um passado glorioso. Ao fundo duas pesadas armaduras, autênticas, originárias do século XIV provocam perguntas. [As armaduras são réplicas, decorativas, adquiridas da França.]

OFICIAIS CORRETOS, CUMPRIDORES DOS SEUS DEVERES 
Para a realização dessa obra, que se constitui na apresentação da Polícia Militar de forma tão impecável, como nunca ela esteve em fase alguma da sua existência, o coronel Cleto Veras tem contado com a colaboração estreita e eficiente dos seus oficiais, homens que, compreendendo as suas obrigações, não se esquivaram em cooperar estreitamente com o comandante no trabalho que se propôs a realizar, de dignificação da Corporação.
O corpo de comando da Polícia Militar está assim composto: 
Comandante — coronel Cleto Potyguara Veras, 
Subcomandante — major Manoel José Moutinho Junior, que acumula as funções de capitão-fiscal [foi comandante-geral interino em 1964].
Tenente-secretário — tenente Alcimar Guimarães Pinheiro; Além do quadro de comando, a Polícia Militar é composta das seguintes subunidades:
CCS [Companhia de Comando e Serviços] – comandada pelo capitão João Teixeira;
1ª Companhia de Fuzileiros – comandada pelo capitão Omar Gomes da Silveira [foi comandante-geral em 1967-68]
2ª Companhia de Fuzileiros – comandada pelo capitão João Pinheiro de Almeida;
Companhia de Policiamento Urbano (Cosme e Damião) – comandada pelo capitão Júlio Cordeiro de Carvalho.

COSME E DAMIÃO – UM RETRATO VIVO DA PME DA ATUALIDADE 

Deixamos propositadamente para encerrar esta reportagem com a Companhia de Policiamento Urbano (da Polícia Militar do Estado. Seus soldados, que a população lembrando os seus colegas cariocas, batizou carinhosamente de “Cosme e Damião”, já se encontram conhecidos de toda a cidade. Patrulhando as ruas e praças, em duplas, numa posição característica, dão eles – esses soldados – um retrato bem vivo do que é a Polícia Militar de hoje.


Severos, enérgicos, serenos, mas inflexíveis no cumprimento do seu dever, os “Cosme e Damião” já se tornaram, para os habitantes desta cidade um símbolo de segurança e garantia.
Até mesmo na difícil e sempre árdua fiscalização dos mercados e feiras (economia popular) onde outras autoridades falham lamentavelmente, os Cosme e Damião revelam uma eficiência que conseguem uma coisa dificílima: a confiança do consumidor.

FINALIZANDO
Esta reportagem, que contou com a cooperação de todos os seus elementos, desde o coronel Cleto a todo e qualquer soldado ao qual recorremos, deseja se constituir numa homenagem a essa instituição militar que em 81 anos de existência, tantas glórias e alegrias já deu ao Amazonas.

(Nota: a partir de 1972, a criação da PMAM teve nova datação, 4 de  abril de 1837)

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