CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

8 de junho de 2012

Medição jornalística

Há anos, venho ruminando as informações prestadas pela imprensa sobre a contagem de multidão. A contagem de pessoas, qualquer que seja o evento. Ontem, Manaus assistiu a procissão de Corpus Christi (corpo de Cristo) que A Crítica, para rimar, talvez, assassinou o “corpus cristis”. Correto: Christi (genitivo singular, para lembrar o latinista padre L. Ruas).

Diário do Amazonas, de hoje
Duas coisas produzem em mim aquele gesto bovino: uma, a transferência deste encargo para quem não possui competência: a Polícia.
(Em falando de Polícia, anunciar a “expulsão” de algum membro desta, é a segunda razão de meu mal-estar. Afinal, para encurtar a explicação, funcionário público não sofre expulsão, sofre como pena máxima a demissão ou a exoneração, passada no crivo da Justiça.)

Retorno ao número de devotos, ontem, no cortejo religioso. E vou ilustrar o papo com a publicação dos jornais de Manaus.  

O Diário do Amazonas foi mais comedido, imprimindo a nota com “30 mil fiéis” rezando. O concorrente Em Tempo cravou 40 mil na celebração. Enfim, A Crítica que, somando os informes dos competidores, cravou “mais de 70 mil fieis”.

E agora, José, em quem confiar? Certamente cada um terá uma explicação, possível até que o primeiro jornalista tenha estado na concentração religiosa logo no início. O repórter do Diário pode ter passado pouco depois. Somente o de A Crítica seguiu em total a manifestação.

Jornal A Crítica, dessa data
Mas, qual o motivo para transferir o ônus da avaliação de presença para a Polícia. No entanto, o Em Tempo e A Crítica não recorreram a esta, o repórter do primeiro assumiu a informação de que “mais de 40 mil fiéis acompanharam a peregrinação”. A repórter da segunda cravou “70 mil católicos” no evento. Apenas o Diário assegurou que “cerca de 30 mil pessoas, segundo a Polícia Militar (PM), estiveram presentes”.

Aposentado desta Polícia Militar, tive noção, em conversa, de que se estima 4 pessoas por metro quadrado. Nunca aprendi isso em curso policial. Daí não entender a motivação dessa transferência de encargo. Fica a sugestão de que a imprensa ao falar em PM (quase uma incógnita), que assinale quem de fato avaliou a multidão.

Jornal Amazonas EmTempo, de hoje