CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Diario do Amazonas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Diario do Amazonas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, outubro 28, 2025

ANIVERSÁRIO DE MANAUS: 24 DE OUTUBRO

 Ainda estamos usufruindo da sequência de feriados e pontos facultativos iniciados na data dos 356 anos de existência da capital. Mas todos sabem que não é bem assim, que esta data é uma junção de anos e meses e dias distintos. Como escreveu um respeitado doutor de História da Ufam: isso é uma data "frankstein". Como a consolidar a opinião, acabo de recolher de arquivos a página do extinto jornal Diário do Amazonas, edição de 17 maio 1988, o recorte que ilustra a postagem, e os 140 anos se referem ao ano de 1848, quando foi oficializado o nome da cidade: Manaus. Não a criação. 

Jornal Diário do Amazonas, 17 maio 1988

Manaus em 140 anos

PROGRESSO VEIO EM DUAS ETAPAS

Manaus completa este ano 140 anos. Mas as transformações profundas na cidade ocorreram apenas em dois momentos: o primeiro, no final do século passado, no governo de Eduardo Ribeiro, quando a riqueza proporcionada pela borracha possibilitou mudanças definitivas; o outro, nos últimos 20 anos, depois da implantação da Zona Franca, que modificou mais uma vez o aspecto da capital, fazendo surgir um parque industrial dos mais modernos, mas, também, permitiu o aparecimento de novos bairros, que não conseguiram acompanhar o ritmo de crescimento de Manaus e padecem da falta de infraestrutura e saneamento básico. 

quarta-feira, julho 08, 2015

HISTÓRIA DA POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (1)

Concluía meu tempo de serviço nesta corporação em 1996, quando assumi a direção do Serviço de Saúde. Havia a obrigação de dirigir um hospital e uma clínica odontológica. E um desejo geral dos servidores policiais em aprimorar este serviço e fazê-lo prosperar. Anseio que o tempo demonstrou não ter sido alcançado.
No afã de melhorar o atendimento no Hospital da Polícia Militar, situado na rua Cândido Mariano, providenciei a remodelação do edifício. Com a pintura de sua fachada, fiz afixar o nome do hospital.
Na ocasião do inauguração dos melhoramentos, a imprensa fez a divulgação do feito. O texto e a foto que reproduzo catei no Diário do Amazonas (31.julho.1996).



A Polícia Militar do Amazonas inaugura na próxima semana um hospital, na rua Cândido Mariano, s/n, Centro. O hospital passou por uma completa restauração. Foram adquiridos novos e modernos equipamentos para exames de prevenção cardiológica. Inaugurado em 1984, o hospital tem enfermaria com vinte leitos, uma ala para pediatria e dois apartamentos, além do laboratório, salas para consultas e
administração

Atualmente quinze médicos militares, sob a direção do ortopedista Rogério Passini, atendem nas áreas de clínica geral, pediatria, ginecologia e neurocirurgia. Seus pacientes são, basicamente, policiais militares e dependentes, embora receba verbas do SUS (Sistema Único de Saúde) e possa atender pacientes, sem vínculo com a Polícia Militar, para pronto-atendimento e internações.

Recentemente empossado como diretor do Centro de Saúde, o coronel Roberto Mendonça explica que "as instalações foram melhoradas com a recente restauração do prédio. O setor de raios X foi recuperado e foi instalada uma farmácia que repassa medicamentos a preço de custo. Numa próxima etapa será restaurado o laboratório, que realiza exames básicos (fezes, urina e sangue) e novos equipamentos serão comprados".


terça-feira, junho 12, 2012

Medição jornalística (2)

Na sexta 8, mostrei aqui a discrepância dos matutinos locais na medição do público que acompanhou a festa católica de Corpus Christi. Apenas para recordar: esse número foi de, mais comedido, 30 mil a, mais excessivo, 70 mil.
A Crítica, 11 junho 2012

No sábado 9, ocorreu a Marcha para Jesus, empreendida pelos evangélicos. E a contagem dos participantes oscilou entre 800 mil e um milhão de pessoas. Absoluto exagero. Autêntico devaneio dos organizadores, apoiado pela imprensa.

O exagero pode ser demonstrado em uma breve conta. O IBGE indica que Manaus possui 1 milhão e 800 mil habitantes, mas admitamos que chegue a dois milhões. A igreja católica, seguida por mais da metade desta população, conseguiu levar cerca de 5% de fiéis. Os evangélicos, curiosamente, marcharam com a metade da população. Quanta insensatez! Visto que a fonte consultada (se o foi!), a Polícia Militar, nunca possuiu esse gabarito.

Por falar nisso, a Folha de São Paulo, de ontem, rompendo com a tradição de apoiar a divulgação de executores, contestou com fundamentos a cifra de presentes a festa gay de São Paulo.  Apenas para cotejar, ano passo compareceram à festa cerca de 4 milhões de pessoas.

A 16ª edição da Parada Gay de São Paulo, um dos principais eventos turísticos da cidade, reuniu ontem 270 mil pessoas, de acordo com o Datafolha - 65 mil delas fizeram o percurso inteiro do evento.

Pela primeira vez na história, a manifestação teve uma medição de público com caráter científico. O Datafolha inaugurou o método em maio na 28ª Caminhada da Ressurreição, procissão católica por ruas da zona leste da capital.

Segundo o instituto, nenhum evento similar no mundo tem medição científica de público. Em alguns países, ele é estimado a partir do lixo produzido. Em outros, pela concentração de pessoas ao longo da parada - este método, no entanto, não leva em conta o público flutuante.

sexta-feira, junho 08, 2012

Medição jornalística

Há anos, venho ruminando as informações prestadas pela imprensa sobre a contagem de multidão. A contagem de pessoas, qualquer que seja o evento. Ontem, Manaus assistiu a procissão de Corpus Christi (corpo de Cristo) que A Crítica, para rimar, talvez, assassinou o “corpus cristis”. Correto: Christi (genitivo singular, para lembrar o latinista padre L. Ruas).

Diário do Amazonas, de hoje
Duas coisas produzem em mim aquele gesto bovino: uma, a transferência deste encargo para quem não possui competência: a Polícia.
(Em falando de Polícia, anunciar a “expulsão” de algum membro desta, é a segunda razão de meu mal-estar. Afinal, para encurtar a explicação, funcionário público não sofre expulsão, sofre como pena máxima a demissão ou a exoneração, passada no crivo da Justiça.)

Retorno ao número de devotos, ontem, no cortejo religioso. E vou ilustrar o papo com a publicação dos jornais de Manaus.  

O Diário do Amazonas foi mais comedido, imprimindo a nota com “30 mil fiéis” rezando. O concorrente Em Tempo cravou 40 mil na celebração. Enfim, A Crítica que, somando os informes dos competidores, cravou “mais de 70 mil fieis”.

E agora, José, em quem confiar? Certamente cada um terá uma explicação, possível até que o primeiro jornalista tenha estado na concentração religiosa logo no início. O repórter do Diário pode ter passado pouco depois. Somente o de A Crítica seguiu em total a manifestação.

Jornal A Crítica, dessa data
Mas, qual o motivo para transferir o ônus da avaliação de presença para a Polícia. No entanto, o Em Tempo e A Crítica não recorreram a esta, o repórter do primeiro assumiu a informação de que “mais de 40 mil fiéis acompanharam a peregrinação”. A repórter da segunda cravou “70 mil católicos” no evento. Apenas o Diário assegurou que “cerca de 30 mil pessoas, segundo a Polícia Militar (PM), estiveram presentes”.

Aposentado desta Polícia Militar, tive noção, em conversa, de que se estima 4 pessoas por metro quadrado. Nunca aprendi isso em curso policial. Daí não entender a motivação dessa transferência de encargo. Fica a sugestão de que a imprensa ao falar em PM (quase uma incógnita), que assinale quem de fato avaliou a multidão.

Jornal Amazonas EmTempo, de hoje

sexta-feira, novembro 04, 2011

Dia Nacional da Cultura

Revista Plus, Diário do Amazonas, editora Mazé Mourão
Depois que a edição da revista Plus (jornal Diário do Amazonas), domingo, 9 de outubro, anunciou a abertura da centenária Biblioteca Pública para o dia 5 de novembro, passei a contar os dias. E, na condição de morador do centro, vejo diariamente a biblioteca. Os dias passando, e nada que identificasse a sua reabertura ao público.
Hoje, véspera da prometida abertura, descubro que a publicação da revista, de responsabilidade da imortal Mazé Mourão, fora uma “propaganda enganosa”. Para quem devo reclamar? Responde o adágio, que para o bispo. Então tá. Moro na ilharga da residência episcopal, logo passo por lá.

Dr. Roberio Braga segura o Missal
Lembro que as declarações expressas no periódico são de autoria, ditas e fotografadas, do secretário estadual de Cultura, Robério Braga, prometendo com as mãos sobre o medieval Missal do acervo. Portanto, caríssimo secretário, promessa é dívida! Abra a biblioteca, nós precisamos dela. Ainda mais que revestida de recursos técnicos modernos, ou seja, devidamente equipada, conforme suas declarações, para uso dos... pagadores de impostos.
Abra a biblioteca, esqueça a presença de ambulantes, afinal a cidade está sitiada por eles. Esqueça, Dr. Roberio, a localização dos postes de iluminação em frente da sua obra. Não ligue para a decoração, queremos pesquisar, ler os livros antes que os tablets nos roubem essa condição.

Apenas um detalhe: em 1945, a mesma Biblioteca Pública sofreu violento incêndio, que a queimou até o limite, pois os bombeiros de então pouco podiam fazer. A recuperação empreendida pelo saudoso imortal Genesino Braga, não apenas dos livros e outros impressos, mas a recuperação do prédio durou bem menos que os 5 anos que a SEC já consumiu apenas com atual “restauração”, embelezamento. E, naquele período de vacas magérrimas, nem se cogitava de recursos federais ou internacionais, como ora acontece.
Revista Plus, 9 out. 2011
Para os amazonenses, vidrados nos acervos e esperançosos da melhor utilização da Biblioteca Pública, o Dia Nacional da Cultura não tem qualquer motivação, este ano. Resta-nos, quem sabe, voltar ao bispo, que pode nos consolar com as mãos sobre a Bíblia. Assim seja.

quarta-feira, agosto 31, 2011

Convite do IGHA

O Instituto Geográfico e Histórico convida para a posse da filósofa Rosa Mendonça de Brito. Parece estranho, mas não é. Na Casa de Bernardo Ramos, sua finalidade abrange uma gama respeitável no ramo das ciências, em consequência, possui bom número de especialistas. 


O evento ocorre na próxima sexta-feira, a partir das 19h30, no salão Dom Pedro II, na sede da instituição, situada a rua Bernardo Ramos, 117 – Centro Histórico de Manaus. O convite distribuído lembra que o traje é o passeio completo.
Diário do Amazonas, hoje

A nota publicada no Diário do Amazonas plus@d24am.com informa que a saudação a nova acadêmica será proferida pela professora Marilene Corrêa, recentemente empossada no Igha. No convite distribuído, todavia, a saudação estará a cabo do orador adjunto, historiador Abrahim Sena Baze.

quarta-feira, junho 01, 2011

Quarta Literária: Octaviano Mello

Anísio Mello, no lápis de Palheta, 1987
Há nove anos, em junho, o saudoso Anísio Mello ocupou a tribuna da Quarta Literária, iniciativa consagrada da Livraria Valer. Conversou com os ouvintes sobre seu pai, Octaviano Mello. Dias depois, Narciso Lobo (doutor em Ciências da Comunicação e professor da Universidade Federal do Amazonas, membro da Academia Amazonense de Letras, morto em 2009) escreveu no Diário do Amazonas (10 jun. 1992) o texto aqui postado.

Um humanista em Tefé


Narciso Lobo

Por vezes, o silêncio que se faz sobre algumas pessoas é tão grande, que as gerações seguintes sequer lembram que elas existiram. Essa convicção ficou reverberando em mim quando assisti, semana passada, a uma palestra despretensiosa do poeta e pintor Anísio Mello, como parte das Quartas Culturais, na Livraria Valer, sobre a vida e obra de Octaviano Mello.
Nascido em Barras, no Piauí, aos dez anos, em 1899, Octaviano chegou a Manaus, com sua família, e aqui, como tantos outros amazonenses por adoção, ao longo de seus curtos 57 anos de existência, construiu uma trajetória exemplar, felizmente resgatada pelo seu filho Anísio, para um público composto, em sua maioria, de jovens, presentes ao evento.
A VIDA desse personagem se cruza com diversos momentos da constituição da própria identidade amazonense: frequentou, a partir de 1907, o Ginásio Amazonense Pedro II e, a seguir, o curso de Odontologia da Universidade Livre de Manáos, o primeira instituição desse porte criada no Brasil, em 1909, fato que muitos historiadores brasileiros da educação desconhecem e, o que é pior, muitos amazonenses também.

Octaviano Mello, desenho do filho
Anísio Mello
Vale aqui fazer dois destaques: primeiro, para o Ginásio Amazonense Pedro II, que, ao lado da antiga Escola Normal, no princípio do século, concentrou os mais importantes intelectuais e produtores de conhecimentos, por um lado, e formou as gerações que se transformaram nas elites dirigentes do Estado; e, o segundo, para a Universidade Livre de Manáos, nascida no momento em que a extração da borracha trazia riquezas para o Amazonas e para o Brasil.
Mesmo sendo derrotado, em 1926, esse projeto ambicioso de criação da primeira Universidade brasileira, ficaram os frutos, ou seja, gerações de dentistas, agrônomos, farmacêuticos, além de ter continuado a formação de advogados, dado que a Faculdade de Direito resistiu à decadência da borracha, e pode, assim, estabelecer, já na década de 1960, o elo entre a Universidade Livre de Manáos e a atual Universidade do Amazonas.

Mas Octaviano, mesmo tendo-se engajado, como odontólogo, na pesquisa científica, participando de congressos nacionais e internacionais, tornou-se também advogado e, na condição de juiz, em diversas localidades do interior do Amazonas, deu sequência à sua inquietação, escrevendo mais de uma dezena de livros, como Topônimos Amazonenses, hoje um clássico, além de livros que permanecem inéditos, como Nheengatu sem mestre.
Também, pela extrema atualidade, vale destacar a experiência pioneira, em Tefé, que emocionou a todos que assistiram à palestra de Anísio: na condição de juiz e prefeito temporário, em 1941, criou o presídio aberto, com colônia agrícola, com a finalidade de ressocializar os presos e devolvê-los à vida comunitária.
Narciso Lobo, em sessão da Academia
Amazonense de Letras, 2007
Essa experiência pioneira de humanização dos presos, que só agora começa a ser aceita, foi feita com sucesso, mas, infelizmente, com sua morte precoce, foi abandonado, e os presídios, em Tefé como no Amazonas e no Brasil, voltaram a ser as infernais escolas de aperfeiçoamento do crime e da violência, hoje tão bem mostradas pela mídia.
Como se vê, resgatar a boa história pode ser remédio precioso para a cura de males do próprio presente. Infelizmente, na maioria das vezes, não nos damos conta disso.