CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

12 de junho de 2012

Medição jornalística (2)

Na sexta 8, mostrei aqui a discrepância dos matutinos locais na medição do público que acompanhou a festa católica de Corpus Christi. Apenas para recordar: esse número foi de, mais comedido, 30 mil a, mais excessivo, 70 mil.
A Crítica, 11 junho 2012

No sábado 9, ocorreu a Marcha para Jesus, empreendida pelos evangélicos. E a contagem dos participantes oscilou entre 800 mil e um milhão de pessoas. Absoluto exagero. Autêntico devaneio dos organizadores, apoiado pela imprensa.

O exagero pode ser demonstrado em uma breve conta. O IBGE indica que Manaus possui 1 milhão e 800 mil habitantes, mas admitamos que chegue a dois milhões. A igreja católica, seguida por mais da metade desta população, conseguiu levar cerca de 5% de fiéis. Os evangélicos, curiosamente, marcharam com a metade da população. Quanta insensatez! Visto que a fonte consultada (se o foi!), a Polícia Militar, nunca possuiu esse gabarito.

Por falar nisso, a Folha de São Paulo, de ontem, rompendo com a tradição de apoiar a divulgação de executores, contestou com fundamentos a cifra de presentes a festa gay de São Paulo.  Apenas para cotejar, ano passo compareceram à festa cerca de 4 milhões de pessoas.

A 16ª edição da Parada Gay de São Paulo, um dos principais eventos turísticos da cidade, reuniu ontem 270 mil pessoas, de acordo com o Datafolha - 65 mil delas fizeram o percurso inteiro do evento.

Pela primeira vez na história, a manifestação teve uma medição de público com caráter científico. O Datafolha inaugurou o método em maio na 28ª Caminhada da Ressurreição, procissão católica por ruas da zona leste da capital.

Segundo o instituto, nenhum evento similar no mundo tem medição científica de público. Em alguns países, ele é estimado a partir do lixo produzido. Em outros, pela concentração de pessoas ao longo da parada - este método, no entanto, não leva em conta o público flutuante.