CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

10 de junho de 2012

GPS canino


Celular
Semana passada, capitulei. Adquiri um celular repleto de fricotes, entre esses, o GPS (geo-posicionamento por satélite). O aplicativo que pode instrumentalizar um passeio a pé, uma corrida de carro ou de ônibus e, tenho certeza, também uma escapada “pela cerca”. Digo isso, porque diante de tantos ícones no painel, fui obrigado a praticar em um curso, desses que são dispostos em DVD, para não vacilar.

Foi aí que compreendi como usar o tal do gêpêesse. Fabuloso, não há dúvidas, capaz de nos tirar e enfiar, igualmente, em enrascadas. Nem sempre funciona a contento, ao menos foi o que percebi com as experiências efetuadas e minha paupérrima habilidade.

Mas, ao enfiá-lo no bolso, no último sábado, para circular pela cidade, algo me cutucou a mente. Não leva esse bicho, porque ele vai marcar a caminhada. Ou seja, ficará gravado na memória ou no chip, sei lá, seus passos. Não levei. Também não tinha sequer intenção de “pular a cerca”.

Essa indecisão me trouxe à lembrança outro fato, registrado pelo memorialista Pedro Nava (1903-84), em Balão cativo (1974).

Alertada com certos passeios vesperais do cônjuge, a prima Babinha apresentou-lhe um belo dia o perdigueiro que tinha comprado. E você já sabe, hem?  tem de levar o cachorro quando for arejar. No fim dum mês ela declarou que não precisava mais não e deixou o marido ir sozinho para os lados do Brejo Alegre. Meia hora depois ela pôs o cão na trilha e foi seguindo pela arreata.

Quando o bicho correu e entrou ganindo e pulando na casa costumeira, ela foi logo sacando da garrucha e disparando a dupla carga de sal na bunda da mulata que fugia, enquanto o cachorro fazia festas e lambia a cara dum Bileto siderado e em menores.

É melhor prevenir. O gêpêesse canino existe há pelo menos cem anos, e foi usado com precisão em Oliveira, no caminho das Minas Gerais.