CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

14 de junho de 2012

Lauro Adriano Barbosa

O casal Barbosa e
o primogênito
Morreu na madrugada de hoje, Lauro Adriano Lima Barbosa, nascido em Manaus, mais precisamente no Educandos, em 1934.  Ainda quando este bairro se chamava Constantinópolis (em homenagem ao governador Nery) e os insulados moradores, sob a tutela de Jacques Souza Lima, construíam a estrada (hoje avenida Leopoldo Peres) que os ligariam ao bairro da Cachoeirinha. O governador Efigênio Sales completou a obra inaugurando a ponte, a primeira deste subúrbio, que perdeu sua finalidade com as obras do Prosamim.

Morreu na cidade de Jau (SP), mas será velado em São Vicente (SP), onde morava, depois de enfrentar com altivez um câncer que o acometeu por anos.

Lauro era o primogênito do seu Manoel Barbosa, da Paraíba, e de dona Raymunda Lima, do Anveres, que apesar do nome excêntrico, existe à ilharga do Cambixe, um subúrbio do Careiro da Várzea. E muito importante, eu era seu primo, porque dona Raymunda e dona Francisca, minha mãe, eram irmãs.

Nasceu na Estrada, onde seu pai possuía uma padaria, isso mesmo, funcionando no térreo da casa de “dois andares” ou sobrado, que servia de residência. Esteve construída ao lado da fábrica de castanha. Um pouco depois do extinto cine Vitória. Lauro foi aluno do Colégio Dom Bosco, usando aquele uniforme militarizado, e do saudoso padre Agostinho.
Residência dos Barbosa, na
estrada de Constantinópolis
Mais adiante, ao tempo do serviço militar, obrigação que os pais, mais que o governo, impunham ao filho, para que este se tornasse homem, Lauro foi servir no 27º BC. Aproveitou a obrigação e seguiu no serviço. No meado dos 1950, teve sua primeira oportunidade na vida. O desastre árabe-sionista ofereceu o mote, quando o governo brasileiro cedeu uma tropa de paz, como a que frequenta hoje o Haiti, para manter a paz no Canal de Suez.

Lá esteve o sargento Lauro Adriano, acumulando tempo de serviço e uma reserva financeira. Obteve mais, sabedoria e disposição para enfrentar a vida. Primeiro, noivou. O cerimonial da época foi cumprido pelo “velho” Barbosa em casa da noiva. Veio o casamento com a Ada, vizinha da “estrada”, que o escoltou por toda a vida, dando-lhe as filhas Andrea e Adriana.

Em 1956, estando no Rio de Janeiro, recebeu os pais e os irmãos, na época uma dúzia. Cresceram e multiplicaram-se...  Hoje, espalham-se por alguns estados do País, cuidando de filhos e netos. Lauro seguiu no Exército, onde alcançou o oficialato na reserva. Mas, antes desse desiderato, concluiu o curso de bioquímica, e ingressou na loja maçônica, da qual sempre deu sinais de ativo e vibrante membro. A aposentadoria desfrutava na cidade de São Vicente (SP), ao lado da mulher, depois que as filhas cuidaram da vida própria.

Sargento Lauro, no início da
vida militar
Exercia sobre os irmãos e os descendentes a legítima autoridade do primogênito, vigiando para que a prole construída pelo seu Manoel e dona Raymunda não fenecessem, ao contrário, prosperassem com disciplina e com dignidade. Estou certo de que o Lauro alcançou. Mesmo gravemente enfermo, suas palavras, enquanto pode falar, e seus escritos depois, utilizando os vários meios da tecnologia, abonam minha perspectiva.

Despeço-me do primo Lauro, ecoando um dístico que encima o portão de um campo santo: Ide, em paz, que seus ossos descansem, “enquanto esperam pelos nossos”.