CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de agosto de 2011

Academia da PMAM coronel Neper Alencar (1)

Coronel Neper Alencar (1918-1993) exerce, nos primeiros meses de 1960, a chefia da Casa Militar do governador Gilberto Mestrinho. Retorna ao quartel da praça da Polícia para assumir o subcomando da corporação, subordinado ao “coronel” Assis Peixoto (o último civil a comandar a PM do Amazonas), que a administra até 1962.

Coronel Neper Alencar (à esq.) acompanha o governador
Gilberto Mestrinho (à dir.), O Jornal, 28 jan.1960
Em janeiro de 1963, assume o governador Plínio Coelho, que mantém ao tenente-coronel Neper como subcomandante da PM. As graves mudanças políticas sucedidas no período, hoje registradas na memória do País, seguidamente aclaradas pelos estudiosos, alcançaram a Força Estadual do Amazonas. Apesar de todo o esforço daquele governante, o progresso policial militar era mínimo, seu efetivo seria da ordem de 200 homens.

Ao final desse ano, nosso homenageado foi convocado para o serviço no Palácio Rio Negro. Na sede do governo, ele assumiu a chefia da Casa Militar, permanecendo nessa função até final de junho de 1964. A justa causa de sua dispensa é obvia: o governador Plínio Coelho fora cassado pelo Regime Militar.

Antes de retornar a caserna, em março seguinte, para reassumir o subcomando, tenente-coronel Neper Alencar esteve à disposição da Secretaria do Interior e Justiça. Seu comandante era o major EB José Jorge Nardi que, ao ser exonerado em agosto de 1965, entregou-lhe este comando. Neper o exerceu em caráter efetivo até março de 1966.
Coronel Neper Alencar recebe os aspirantes Pedro Câmara, Pedro
Lustosa e Helcio Motta (a partir da esq.), O Jornal, 20 dez. 1962
A substituição foi realizada pelo capitão EB Hernany Guimarães Teixeira. Coube a este, em junho desse ano, incorporar a PM parte dos formandos do NPOR, do 27.º BC, entre os quais me incluo. O patrono da Academia seguiu por anos no exercício do subcomando, para ser mais justo até 5 de setembro de 1969, quando foi promovido a coronel (em decorrência do decreto 1.394/69), até então, este posto era privativo de oficial da reserva. Tornou-se, pois, o primeiro entre seus pares.

Dois detalhes: um, antes desta distinção, em 1967, esteve à disposição do gabinete do prefeito de Manaus, Paulo Pinto Nery; e foi, em curto período (1967-68), comandante da Guarda Territorial de Rondônia, antecessor da PM deste estado. Dois, embora tenha alcançado o derradeiro posto hierárquico, coronel Neper não realizara qualquer curso profissional. Muito simples: a obrigatoriedade formulada pela Inspetoria Geral da PMs não o alcançara.

No entanto, no ano seguinte, aceita frequentar o CAO (Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais), na Polícia Militar de São Paulo. O curso fora organizado notadamente para atender alguns desses casos sucedidos pelo País. Coronel Neper leva consigo o tenente-coronel Júlio Cordeiro, igualmente atingido pelas normas da Inspetoria. Naquele estado, ele conquista novas amizades, não somente dos colegas de farda, mas de dirigentes do Palmeiras, clube de futebol.

Normas da Inspetoria motivaram a PM local a modificar sua estrutura de comando. Dessa maneira, houve a mudança do subcomando para a chefia do Estado Maior, que foi entregue ao coronel Neper Alencar. Com isso, ele alcançou mais uma primazia: de ser o primeiro Chefe, nomeado em 9 de outubro de 1969.

Em dezembro de 1971, coronel Neper afasta-se da atividade no quartel da praça da Polícia. Nessa ocasião, fora nomeado subsecretario de Segurança, função que exerceu por dois anos. Exonerado, permanece disposicionado junto à referida secretaria até que, em dezembro de 1975, aceita assessorar a coordenadoria regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Penultimas notas: em abril de 1977, próximo de completar 36 anos de serviços, sem os acréscimos legais, ocorre sua transferência para a reserva. E, seis anos depois, é “reformado pela idade limite”, consoante os assentamentos do saudoso coronel Neper da Silveira Alencar. (segue)