CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

29 de agosto de 2011

Academia da PMAM coronel Neper Alencar

Talvez eu tenha chegado com aquele atraso, pois há tempo os alunos-oficiais da Academia da Polícia Militar solicitam pela internet informações sobre o patrono daquele estabelecimento de formação superior. Aqui vai minha contribuição. Trata-se da primeira parte, logo concluo meu trabalho.
Ten-cel Neper Alencar,
O Jornal, 1964

Neper da Silveira Alencar, falecido coronel da Polícia Militar do Amazonas, nasceu em Manaus a 6 de junho de 1918 e aqui morreu em 7 de março de 1993, estando sepultado no cemitério São João Batista.


De cor branca, cabelos e olhos pretos, media 1,67m, mas devido sua estrutura física parecia ter mais altura. Neper era o terceiro filho do professor Abílio de Barros Alencar (já tratado em postagem anterior), “cuja inclinação era pelo magistério, ensinando matemática”, e de Judith da Silveira Alencar.
Ao tempo do serviço militar, o professor Abílio enviou o filho a Belém (PA), a fim de que este frequentasse o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (Cpor), gerido pelo Exército. Ao final de 1940, Neper concluiu o curso de infantaria. Sem prestar o estágio regulamentar, logo regressa a Manaus, e conquista uma vaga na Polícia Militar do Estado, então comandada pelo tenente-coronel PM José Rodrigues Pessoa.

É necessário esclarecer que, então, o ingresso de oficial na Força Policial dependia exclusivamente de vaga; porém, para acolher ao tenente Neper, o interventor federal baixou o decreto-lei n.º 581, de 2 de junho de 1941, que, modificando artigos do Regulamento Interno, permitiu a inclusão deste oficial. A 30 de junho, este ingressou na PM, no posto de 2.º tenente.
Ten-cel José R. Pessoa

No entanto, como não cumprira o estágio básico do Cpor, em fevereiro de 1943, o jovem tenente foi apresentado ao 27.º BC. Nessa situação permaneceu até abril, quando então o tenente Neper Alencar voltou aos quadros da força estadual. Desfruta de uma ascensão meteórica, tanto que, em 1948, era promovido a capitão e alcança o posto de tenente-coronel, em 1954. Em julho deste ano, assume o subcomando da corporação.

No final de 1954 acontece eleição governamental, elegendo o trabalhista Plínio Coelho, que vence ao “cacique” Álvaro Maia e a velha oligarquia amazonense. Quando o eleito assume, em 31 de janeiro seguinte, encontra no comando interino da corporação ao elegante tenente-coronel Neper Alencar.

Aqui cabe uma digressão: o Amazonas vivia momentos angustiantes, de igual maneira a Força Policial. Plínio Ramos Coelho afirma isso em sua mensagem de posse, e, tratando da desta força, informa que a encontrou falida sob o comando estóico do coronel Neper Alencar. Como o Estado, toda a Força necessitava de reparos, de reorganização geral. Basta relembrar que sequer fardamento o pessoal possuía. Os vencimentos há meses havia "desertado".
Manaus, centro histórico, anos 1940
Dois meses depois, o governador PRC empossa no comando o coronel Cleto Veras, mas o tenente-coronel Neper foi recompensado, ao ser nomeado Assistente Militar do governador (função não bem definida).
Nessa condição permanece pelos cinco anos seguintes. Nos meses de janeiro de fevereiro de 1960, o governador Gilberto Mestrinho nomeia o patrono da Academia chefe da Casa Militar, então denominada de Gabinete Militar. Substituído nesta função, tenente-coronel Neper volta a assumir o subcomando da Polícia Militar do Estado. (segue)