CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

25 de agosto de 2011

Renúncia de J. Quadros: cinquentanos

Nessa data, há cinquentanos, Jânio da Silva Quadros, ou melhor Jânio Quadros, renunciava a presidência da República, escrevendo um bilhete de sete linhas para o presidente do Senado. A consequência desse ato conhecemos muito bem, outros até o vivenciaram de diversas formas.

Capa do opúsculo de Anísio Mello

Esta efeméride foi lembrada, nesta semana, pela revista Veja e pelo canal Globonews. Em ambos, foi explorada a trajetória do político, sua figura histriônica, além de seus bilhetinhos com que governava e da célebre fotografia em que Jânio demonstra com os pés sua indefinição.


No entanto, J. Quadros é pouco lembrado pela sua erudição e, quando ocorre, é para servir de chacota. Um amazonense, porém, tomou a iniciativa de analisar a obra poética de Jânio, em opúsculo (30p) publicado em São Paulo, em 1962 (2ª edição). E é com a vulgarização desta peça que relembro o cinquentenário da renúncia.

Foi sob o título - A face poética de Jânio, que Anísio Mello (1927-2010) analisou a poesia deste matogrossense. Convém assinalar que AM desembarcou em São Paulo na ocasião em que JQ governava o estado.

O opúsculo tem prefácio de Jorge Medauar, que registra a magreza da obra, em razão do pequeno número de poemas de autoria de JQuadros. Mas que “o objetivo da obra de Anísio Mello há de ter sido este de proclamar o senhor Jânio Quadros como um político melhor dotado, porque apurou sua sensibilidade, fazendo-se poeta”.

Esta produção de AM foi divulgada originalmente para os leitores de Correio do Norte (jornal quinzenal de sua propriedade, editado em SP), “para os que se interessam por literatura, independentemente da política adotada pelo nosso poeta”. E Anísio Mello finaliza, “admiramos a facilidade do manejo da língua portuguesa falada e escrita por Jânio”.

A capa, apesar de haver indicação no corpo da publicação, pertence ao autor, artista plástico e poeta, além de outras habilidades com as artes. “Assim é Jânio Quadros: um só homem, sentindo as emoções e querendo interpretá-las por setenta milhões de brasileiros [população de então], com seu imenso coração de poeta”. E, conhecedor da arte, Anísio Mello consagra: “ só os poetas podem sentir as emoções do povo”.