CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, março 08, 2025

ARMAZÉM COLOMBO: MANAUS

Existiu na esquina (ao tempo era no “canto”) da av. 7 de Setembro com a rua Marechal Deodoro o Armazém Colombo, cujo slogan era “as três bocas de fogo contra carestia”. Desapareceu em 1973, após 68 anos de existência, em decorrência do desaparecimento de seus proprietários. Esta postagem extraída de A Crítica (19 mar. 1973), conta um tanto daquela empresa. 

Foto do referido matutino

Na parede uma faixa “Armazéns Colombo em liquidação. Aproveitem”, este anúncio marca o fim de uma tradição no comércio de Manaus. Os “Armazéns Colombo”, após 68 anos de atividade vão fechar suas portas, abandonando o tradicional canto da 7 de Setembro com a Marechal Deodoro. Durante muitos anos foi o ponto alto do comércio amazonense, onde qualquer um poderia adquirir confecções e perfumes franceses.

A ORIGEM

Os "Armazéns Colombo” surgiram em 1905, graças ao entusiasmo de um comerciante português, o fundador José de Souza Azevedo. Nascido na cidade de Batalha em Portugal, o comerciante veio para o Brasil e radicou-se na Amazonia, criando as “Casas Colombo”, uma pequena loja na 7 de Setembro quase esquina da rua da Instalação.  

A firma funcionava inicialmente num prédio de duas portas, onde existia também uma pequena alfaiataria. O proprietário residia na parte superior do prédio onde hoje está localizado o Palace Hotel.

Homem trabalhador e econômico, o comerciante José de Souza conseguiu ampliar seus negócios aos poucos, sempre com a colaboração de sua esposa, dona Armanda Parente de Azevedo. Era a firma Azevedo & Cia., proprietária das “Casas Colombo'”.

A história dos “Armazéns Colombo” apresenta diversas etapas. Logo no início quatro elementos faziam parte da sociedade: o comerciante José Azevedo, sua esposa Armanda; a filha Angelina de Azevedo Moura Ramos e ainda Antonio Batista de Carvalho. Aos poucos a sociedade foi sofrendo transformações sensíveis. Antonio, um dos sócios saiu. José faleceu em 1969; vitimado por um colapso. Sua filha Angelina desistiu. Ficou a esposa dona Armanda Parente, que faleceu em 1972. A organização ficou então sob a responsabilidade da senhora Janet Parente de Medeiros, irmã de dona Armanda. 

Dona Janet ainda hoje é sócia dos “Armazéns Colombo Limitada” e se encontra em Recife, acompanhando de longe o processo de dissolução da sociedade. Seus irmãos, dona Maria de Boaventura Batista, Hugo, Claudio e Maria de Lourdes cuidam dos últimos momentos da tradicional loja.

Os funcionários mais antigos da casa não sabem precisar quando o Colombo passou a funcionar na 7 de Setembro com a Marechal Deodoro. Dona Aurea Moraes Freire, de 54 anos, entrou na firma em 1937. “Naquele tempo nós tínhamos uma alfaiataria funcionando nó prédio e as três secções de vendas. As três secções:  Louvre, o Fogo sem fumaça e Colombo vendiam artigos diversos. O primeiro com perfumes e tecidos franceses; o Fogo sem fumaça com chapéus e outros artigos pequenos e o Colombo com artigos para homens e crianças. O prédio pertencia mesmo à dona Armanda Parente, e até há 25 anos ainda funcionou a alfaiataria, instalada nos altos do prédio.

Os Armazéns Colombo iniciaram em Manaus a entrega a domicilio. - Seu proprietário, José Azevedo, criou a figura do Papai Noel para entregar as compras na véspera de Natal. Ele ficava na porta da loja conversando com as crianças. Hugo lembra parte da história: Seu José comprou um carro americano, para entrega a domicilio. Foi um dos primeiros carros a circular em Manaus.

Os Armazéns Colombo graças ao espírito de seu proprietário conseguiram sobreviver na grande crise da borracha. Muitos estabelecimentos comerciais fecharam as portas e os Armazéns estiveram no caminho. No final acabaram vencendo a luta. “Seu” José faleceu aos 89 anos de idade. Sua esposa o seguiu em 1972. Começou aí o processo de dissolução da sociedade.

Na tradicional casa da [avenida] 7 de Setembro, os antigos funcionários, modelos da cortesia cabocla vivem os últimos momentos de uma loja que é tradição no comércio amazonense. O povo não mais vai ver “as três bocas de fogo contra a carestia”. O prédio vai ser vendido e existem diversos empresários interessados na transação. O Armazém Colombo encerra uma página curiosa e brilhante do passado pondo um ponto final numa tradição de 68 anos.

quinta-feira, agosto 26, 2021

ZONA FRANCA DE MANAUS - 1981

 Aspectos da capital amazonense compartilhados da revista INTERIOR, uma publicação bimestral do Ministério do Interior, então dirigido por Mário Andreazza. Trata-se da edição nº 36, referente a janeiro/fevereiro de 1981.

Detalhe da capa da revista

As conhecidas artérias comerciais de Manaus: Marechal
Deodoro e Marcilio Dias 

Anúncio do BASA, ainda operante na praça


sábado, maio 05, 2018

VELHOS TEMPOS

Foto do autor do post, de hoje
Julgo necessário um aperitivo para justificar este post. 1) No fundo, reconheço, sou um seguidor de André Jobim que, em sua coluna Velhos Tempos, relembrava, republicava textos de periódicos locais.  2) A rua Marechal Deodoro segue no mesmo espaço do Centro Histórico, todavia, trocou a presença de central de grandes firmas, escritórios, agências bancárias por lojas de confecções exclusivamente, daí o epiteto de “rua do bate-palmas”.
3) A loja de Antonio M. Henriques aqui mencionada é um exemplo: desfigurada, hoje pertence à colônia árabe, vendendo confecções.
4) De três personas citadas nesta postagem tive referências pelos seus filhos: Raimundo Filgueiras, que dirigiu o Banco de Crédito da Amazônia, hoje Basa. Seu filho, Ângelo Filgueiras, foi prefeito de Manacapuru. 5) O filho de Romeu Pimenta de Medeiros foi comandante da Polícia Militar do Amazonas, e deste tenho recebido informações sobre o saudoso genitor, que morou por anos na av. Joaquim Nabuco. Saúde, Medeirão! 6) André Jobim teve dois filhos servindo na Polícia Militar do Estado – o médico Fred e o combatente Roosevelt.

 





Na rua Marechal Deodoro, aonde está hoje a Loja e o escritório de Antonio M. Henriques, foi por muitos anos a Agência do Loide Brasileiro. Seu gerente naquela época, era o velho Trajano Mota, tendo como chefe de Escritório o nosso amigo Raimundo Filgueiras, hoje gerente da Agência do Banco do Brasil. Caixa era o Romeu Pimenta Medeiros, estudante de Agronomia e, consequentemente, colega de nosso Crisanto Jobim; chefe de Tráfego, o incansável Ernesto Pereira, irmão do desembargador Sadoc Pereira, homem afeito ao trabalho e amigo sincero de seus colegas; os demais auxiliares eram Sra. Adalgisa, esposa do Sr. Manoel Saraiva de Araújo, Clovis Catarino e Anselmo Lopes de Sousa, um dos velhos auxiliares que ainda hoje trabalha na Agência  sob a direção do nosso amigo Joaquim Sousa de Araújo –  o Quincas...
E talvez alguém ainda se lembre do “Macaca caiu”, tipo popular da meninada, o “Mascarado”, amigo dileto do Oliveira, dos Correios, da preta “Carolina”, a primeira mulher no Amazonas a usar calças de homem, afeita ao trabalho e dedicação aos seus filhos... Tudo isto passou e é comum naqueles que vão envelhecendo... 

terça-feira, novembro 24, 2015

VELHOS TEMPOS

Saudoso cronista, os manauenses de ora não mais se lembram sequer da rua Marechal Deodoro, porque hoje não se conhece a cidade pelas suas artérias. Se conhece por referências.
Rua Marechal Deodoro, a partir da antiga agência
dos Correios; neste quarteirão estava a 
loja Antonio M. Henriques 
Então, para os novos, esta rua está situada no centro, é aquela tomada pelo comércio do “bate-palma”. Em uma dessas lojas de confecções e adereços funcionou a loja de Antonio M. Henriques, que conheci vendendo eletrodomésticos.
Pouco importa. Transcrevo esta memória para festejar ao amigo coronel Medeiros, ex-comandante da PMAM, cujo genitor vem citado (destaque) no texto do Jobim.


VELHOS TEMPOS (*)

André Jobim

(...) Na Rua Marechal Deodoro, aonde está hoje a loja e o escritório de Antonio M. Henriques, foi por muitos anos a Agência do Loide Brasileiro. Seu gerente naquela época, era o velho Trajano Mota, tendo como chefe de escritório o nosso amigo Raimundo Filgueiras [pai de Angelus Filgueiras, deputado estadual e prefeito de Manacapuru], hoje gerente da agência do Banco do Brasil; Caixa era o Romeu Pimenta Medeiros [pai do coronel PM Romeu Medeiros Filho], estudante de Agronomia e, consequentemente, colega de nosso Crisanto Jobim; chefe de tráfego, o incansável Ernesto Pereira, irmão do desembargador Sadoc Pereira, homem afeito ao trabalho e amigo sincero de seus colegas.

Recorte de O Jornal, então o periódico de maior circulação em Manaus 

Os demais auxiliares eram senhorita Adalgisa, esposa do Sr. Manoel Saraiva de Araújo, Clovis Catarino, e Anselmo Lopes de Sousa, um dos velhos auxiliares que ainda hoje trabalha na agência atual, sob a direção do nosso amigo Joaquim Sousa de Araújo --- o Quincas...

E talvez alguém ainda se lembre do "Macaco caiu", tipo popular da meninada, o "Mascarado", amigo dileto do Oliveira, dos Correios, da preta "Carolina", a primeira mulher no Amazonas a usar calcas de homem, afeita ao trabalho e dedicação aos seus filhos... Tudo isto passou e é comum naqueles que vão envelhecendo...

Era comum ver nas páginas principais das revistas, os retratos de Maria Angela Câmara, Simy Benaion, Maria de Nazaré de Figueiredo, quando de sua primeira comunhão e mais algumas, gentis ornamentos da nossa sociedade...
 Em homenagem a Herculano Castro e Costa [jornalista, genitor de Baby Rizzato], publicamos hoje, uma de suas adoráveis redondilhas, publicada numa revista amazonense em agosto de 1930: 
Para fazer-te uma saia
A maré vai, uma a uma, 
Passando a ferro na praia, 
As rendas brancas da espuma.
 (*) O Jornal, 18 dezembro 1960

quarta-feira, novembro 17, 2010

Rua Marechal Deodoro III

Em 21 ago. 1960, o saudoso cronista André Jobim, escrevendo para O Jornal, encerrou suas observações sobre as empresas e, especialmente, os amigos que desfrutou por anos naquela artéria. 



J. Dias Paes, agentes da Lamport Holt Line, com Raul Lopes e Joaquim Leite.
G. Defner & Cia., com George Defner, pai de Georgete e Irene, esposa de Von Jess, criaturas que formavam na fina flor da elite manauense; seus auxiliares destacados: Antonio Ferreira da Silva, chefe da atual firma Ferreira da Silva & Cia. Ltda., os catalões Antonio Graça e o simpático cabo Gomes, com o seu bigode à “la antiga” e infatigável torcedor do Luso. Em seu lugar está hoje a agência do Banco de Crédito da Amazônia S.A.
A Casa Semper, sucessora de Bernardo Bockris, dirigida pelo velho Hans Semper e seus auxiliares diretos: Kurt Kremer; nosso muitíssimo e dedicado amigo José Maia, filólogo brilhante, o revisor de A Planície, do infatigável Hildebrando de Oliveira, poeta primoroso; Antonio Caetano da Silva, o Kardeck; o simpático velho Soeiro; Paulo Semper, Rogério, que sempre levantava os braços quando falava, João Aleixo do Nascimento (Joca) e o atual Semper Faber.
General Rubber Co. of Brazil, sucessores de Gordon & Cia., com os senhores S.W.C. Russell, Anselmo Vinhas, Valentim e Napoleão Normando, velho Souza, Montenegro, Euclydes e o velho Manoel com o seu bigode sempre em forma, bem tratado e quase igual ao do cabo Gomes...

 Tudo isso passou e alguns sobrevivem como se fossem marcos da tradição e do bom gosto, desta Manaus fabulosa e boa, que o tempo atual com todos os “ismos” não consegue apagar a era abençoada que passamos...
Aproveitando essa recordação, vou colocar meu “pitaco”. A rua Marechal teve o privilégio de abrigar, ainda que por reduzido espaço, o primeiro supermercado da Cidade. Foi o Sumesa – Supermercados S.A., pertencente, entre outros, ao doutor Gebes Medeiros, e instalado no canto da Marechal com a Sete de Setembro, até pouco uma loja Esplanada.

O Jornal. Manaus, 27 jul. 1963
Inauguração do SUMESA, O Jornal, 27 jul. 1963
Grande Hotel em reparos, em Manaus
Lembro, na oportunidade, que na metade do ano este edifício sofreu um violento incêndio, estando em fase de reconstrução. E que, nesse endereço, funcionara no áureo tempo “bellepoqueno” o Grande Hotel.




terça-feira, novembro 16, 2010

Rua Marechal Deodoro II

Retorno com a segunda parte da memória de André Jobim, autor de Velhos Tempos, sobre a rua Marechal Deodoro. O saudoso Jobim escrevia sobre matéria variada em crônica dominical, mas sempre reportando antigas lembranças. Este texto foi publicado em O Jornal (já desaparecido), em 21 ago. 1960. 
Chefatura de Polícia
A Marechal permanece em sua extensão como antes, porém mudou totalmente no comércio praticado. As grandes empresas deram lugar ao comércio varejista, marcantemente de confecções e calçados.
Quando Jobim publicou esta crônica, na esquina desta rua com a Sete existia a casa Colombo, descrita pelo autor. Do outro lado da calçada, existia a Chefatura de Polícia. Mais adiante, onde agora comercializa a Marisa, funcionava o Banco Ultramarino, depois o Banerj. Na outra esquina, pela rua Quintino Bocaiuva, estava a loja Pernambucanas.
Recolhi alguns anúncios de época para ilustrar a descrição de André Jobim.
 
Na atual turbulência da propaganda política, onde todos se julgam com direitos de salvadores deste imenso Brasil, voltamos os nossos olhos ao passado para reviver nos “Velhos Tempos”, as firmas comerciais que pontificavam na rua Marechal Deodoro, onde começamos a nossa vida de comerciário humilde. Talvez pouca gente se lembre, por isso nos custa fazer algumas referências, trazendo à lembrança velhos amigos e nomes que até hoje se destacam no presente, face às inovações e o modernismo avassalador, que entusiasma e que estarrece...
A tradicional Casa Colombo, ainda hoje sobre a direção do dinâmico José de Souza Azevedo com as suas três seções, dentre elas a lembrada “Fogo sem fumaça”, onde de tudo se encontrava, desde o perfume francês até os brinquedos alemães que expunha à venda por preços que assombravam, mas que hoje, talvez, nos decepcionasse. De seus auxiliares ainda nos lembramos de Anquises Índio de Maués, Arnon Oliveira, Antonio Rebello, José Lima, Manoel Bentes Vieira, Egidio Scardine, Jacy Pinto Freitas, d. Alzira Braga e Áurea Freire, dileta filha de Antonio Nonato Freire, funcionário da Delegacia Fiscal.

Chapelaria Goulart do velho Goulart Coelho, irmão de Abdon Coelho, chefe fotógrafo da Polícia Civil, esposo de dona Márcia e pai de Cilene Coelho Gioia, e de seus funcionários Saturnino Ribeiro, Augusto Lira, Antenor e Edgar Monteiro de Paula, Jacauna Maia, Ângelo Cardoso e Cisne Nonato. É hoje dirigida pelo velho Glicério Vieira.
Esta casa nos faz lembrar o seu fabuloso estoque de chapéus de palhinha, de fitas pretas e laços para trás, que fazia o encanto da moda modernista de “la belle époque”.


Henrique Perdigao & Cia., dirigida por José Victor, Aurélio Gomes e o velho Simpatia, funcionando hoje, em seu lugar, a firma Figueiredo & Cia.


Anúncio do moderno automóvel, em O Jornal, abr. 1960


Matos Areosa & Cia. Ltda., dirigida pela figura respeitável e estimada do comendador Antonio Duarte de Matos Areosa, o incentivador do seguro e primeiro representante da Companhia Aliança da Bahia, para quem comprou o prédio atual, ex-depósito da firma Tancredo Porto & Cia., pai extremoso de nossos amigos Danilo e Antonio Areosa que mantêm a mesma linha de impecabilidade comercial.
Lembramo-nos dos seus auxiliares L. Perdiz (atualmente nos Estados Unidos), Hermínio Silva, Prudêncio Barreiros Garcia, Manoel Cunha, ex-sócio da firma Tancredo Porto e fundador de uma firma na rua Guilherme Moreira, chamada M. C. Monteiro Mesquita & Cia., e do velho chaveiro José Lindo que, apesar de aposentado e de cabecinha algodoada, ainda hoje se distrai e se contenta em abrir as portas do escritório do fabuloso Deusdeth Fernandes, de idealismo primoroso igual a nós...

Banco Nacional Ultramarino S/A, onde velhos amigos ainda hoje vivem na labuta diária, dentre eles o velho Matos, Gercino Cunha Melo, Aguinaldo Archer Pinto, Silva, Geraldes, José Adrião, Manoel Pinto, Armando Mesquita, hoje proprietário da Fábrica Baré, orgulho da indústria de refrigerantes de nossa praça, e tantos outros abnegados e merecedores de nossa homenagem.

Ourivesaria Cantisanti, hoje a Gasônia.

Tabelião Lessa, onde trabalhavam o Dr. Marcionilo e Albino Lessa. Era aí o ponto de reunião de Aristóteles Mello, pai de Washington e Wilson Melo; desembargador Faria e Souza, Crisanto Jobim que, para ganhar o sustento de sua família, lavrava escrituras, e tantos outros que gostavam das “piadas e prosas” do velho Albino Lessa, pai de Nenê Lessa, fiscal da Prefeitura Municipal.

Na esquina, o famoso Café Ultramarino dos irmãos Marques, tios do Marques, atual gerente do Banco Ultramarino Brasileiro S/A.
Depois do almoço, era obrigatório ouvir-se a palavra inflamada do finado Manoelzinho, da Capitania do Porto, amigo inseparável do nosso amigo Walter Rayol. Era o ponto do cafezinho e dos comentários sócio-político-comercial da época.
Grandi & Cia., com o velho Grandi e o saudoso Benjamin Alves. O outro lado, onde é hoje A Pernambucana, era o Tabelião Dias e a banquinha de selos do sogro do saudoso Aluisio Ramos.
Souza Arnaud vendia geladeira movida à gás
C. E. Campos Vinagre, dirigida por Augusto Soares da Cunha, irmão do nosso amigo Manoel Soares da Cunha, da firma J. A. Leite & Cia., Serafim Araujo (conhecido por Cicatriz Vermelha), Ivan Valente e João Soares Vinagre (o Careca) e Guilherme, o Acapu.
Souza, Arnaud vendia caminhão na Marechal, março 1960 
J. A. Leite & Cia., com o velho Leite sempre sentado em sua cadeira predileta e exercendo as funções de caixa, Abílio Silva e Sá, Antonio José de Almeida Leite Loureiro, Antonio Guedes, Ermindo Fernandes Barbosa e tantos outros, dando lugar hoje a firma Souza, Arnaud, do nosso amigo Euclides de Souza Lima e seus filhos James e Douglas.

segunda-feira, novembro 15, 2010

RUA MARECHAL DEODORO

O feriado de hoje motivado pela Proclamação da República, em 1889, trouxe à lembrança o marechal Deodoro da Fonseca, aquele idoso de barbas grisalhas e com ares de quem acha-se tomado de dores. O acontecimento já motivou livros e estudos de todas os escalões, da mesma forma ocorreu sobre o marechal alagoano, primeiro presidente do Brasil.
Apesar de tantos estudos e publicações, poucos se recordam do fato, e da motivação do feriado. Assisti a uma ligeira enquete na via pública promovida por uma emissora de TV. As respostas tão descabidas me autorizam afirmam o que registrei acima.
A presença do marechal Deodoro na direção do governo causou uma série de homenagens. Seu nome foi afixado em diferentes logradouros e instituições em todo o País. Seu busto, igualmente. O Amazonas não escapou da ladainha, tendo contribuido com uma rua, engrossando assim o cordão das louvações.
Trata-se da rua Marechal Deodoro, no centro histórico e comercial de Manaus. Esta rua começa na rua Marques de Santa Cruz e finda na avenida Sete de Setembro. Por ironia, ou a propósito, tomou o nome da rua do Imperador, e essa homenagem ocorreu no primeiro aniversário da República. Aqui, assim como na então Capital Federal, o imperador Pedro II foi exilado.

Rua Marechal Deodoro, Natal 2003
Esta artéria já teve seu tempo de esplendor, segundo cada autor. Nesse dia, para homenageá-la e lembrar o Marechal Deodoro, que conduziu a mudança do regime de governo no Brasil no final do século XIX, reproduzo uma crônica primorosa.
Esclareço que a mesma foi publicada em O Jornal, circulado em Manaus, em 28 ago. 1960. Nesse sentido, é preciso levar em consideração os 50 anos passados.
Hoje, a rua é mais conhecida por "bate palmas", devido seu comércio.


VELHOS TEMPOS
André Jobim

É com imenso prazer que continuamos com o propósito sadio de escrever, revendo, com a ajuda de nossa memória e dos velhos alfarrábios, fatos do passado para o presente congestionado pela politicalha, evocando assim a saudade e o avivamento da recordação, o tempo bom que passou e por este simples ensejo, voltamos a falar da rua Marechal Deodoro, a pequena “Wall Street” desta Manaus amiga; rua privilegiada do comércio amazonense, onde floresceu as grandes iniciativas de progresso, quer na industria, quer no comércio propriamente dito e ainda hoje, marcam com altivez, o apogeu de sua era de glórias.
Onde está a firma Figueredo & Cia., duas portas eram reservadas ao Cartório do Tabelião Raymundo Monteiro, pai extremoso de René e Yano Monteiro; era poeta primoroso, de fina sensibilidade e inteligente. Seus versos falam nas paginas dos livros que escrevera, dentre os quais, possuímos e guardamos avaramente um deles.
Vamos ainda encontrar na mesma rua, os vestígios de firmas que passaram e as que ainda existem a desafiar o tempo, vencendo a inflação criminosa da nossa moeda, na época atual.

Antonio Lamarão funcionou nos altos do prédio onde foi o J. Dias Paes, e o seu proprietário foi um dos fundadores do Cinema Avenida.
Matriz de J.G.Araújo, 1950 

Nos altos do prédio, onde está instalada a delegacia do Ministério do Trabalho, que foi da firma Tancredo Porto & Cia. Ltda., funcionou a Associação Comercial do Amazonas. E de seus chefes e auxiliares, dentre eles nos lembramos bem do velho Artur Ferreira, pai de nossos amigos Artur e Aluisio, este último até bem pouco tempo foi um cultuador do violino e que, conosco, fez parte dos “coros” da Igreja dos Remédios e da Catedral e também de varias serenatas; Osvaldo Viana, José da Costa Teixeira, José Mauricio Sales de Figueiredo, Diogo brasão e silva, filho do velho Brasão e Silva, um dos fundadores da praça da Liberdade nos Bilhares, atrás do Seringal Mirim, onde era morador, Manoel Antonio da Silva e nosso amigo João Jauapery.
Quanto à firma J. G. Araujo & Cia. Ltda., já falamos em crônicas anteriores, mas, mesmo assim, ainda é hoje o colosso, sem favor, dessa terra.
O Banco Popular de Manaus funcionava onde é hoje a firma Antonio M. Henriques, tendo ao lado o Café Moderno do velho Matias e seu irmão Antonio e que, posteriormente, pertenceu ao saudoso amigo José Seixas, e quem não se lembra do José na Leiteria Amazonas?!
Do Banco Popular nos lembramos de seus fundadores: Fenelon Bomilcar, Coronel Taurino, Ildebrando Sisnando, José Nunes de Lima (proprietário da fábrica Mimi) e seus auxiliares Aureliano, Alzira Hugo e Silva, ainda hoje se constitui uma das auxiliares destacadas; vem também a nossa lembrança Armando Bandeira, falecido em São Paulo, moço inteligente e trabalhador que, conosco, formou nos bancos escolares dos colégios de então.
A firma Henrique Pinto & Cia., dirigida até hoje pelo nosso amigo Henrique Pinto; no seu escritório, exercia a função de chefe e correspondente o senhor Jacob Sabbá,, como chefe dos pracistas, o saudoso José Travassos de Souza (o Careca), que, fora da vida comercial, era jogador chave do primeiro time da União Esportiva Portuguesa, e Vitorino Silva que até hoje constitui uma das molas principais da referida razão comercial.

O Jornal, dez. 1963

Ao lado, na parte térrea, era o escritório dos corretores Manoel Dias de Oliveira (dono da Vila Fany) e João Leandro Hermes de Araújo (também proprietário do prédio onde está o Pronto Socorro). Entre seus auxiliares formavam os nossos amigos José Marçal dos Anjos, José Oliveira, o Bebé, Demetrio e Adolfo Hermes de Araújo, hoje juiz do Tribunal de Contas do Estado, Marcelino Almeida (o Ventania), que depois se associou com o corretor e velho amigo Antonio Balbino dos Santos. (segue amanhã)