CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

3 de agosto de 2010

Os Bombeiros do Amazonas XI

1964
A 31 de janeiro, o Executivo municipal autorizou o aumento do efetivo do Corpo de Bombeiros “para 90 homens“ e concedeu outras vantagens. Essa iniciativa trazia o beneplácito do prefeito Josué Cláudio de Souza que, desde o ano anterior, injetara ânimo nos Bombeiros designando-lhes novo aquartelamento, algumas viaturas e, agora, efetivo. E mais, uma denominação mais vistosa: Corpo de Bombeiros Municipais.
Prosperava a olhos vistos o serviço de combate às chamas e socorros públicos. Especialmente porque o concorrente - os voluntários - deixara de existir; dessa maneira as autoridades não tinham como transigir, ou aqueciam os bombeiros ou estes morriam sabrecados.

Sobre o movimento militar de 31 de março, em Manaus, o matutino da empresa Archer Pinto (O Jornal, 3 abril 1964) divulgou as notas abaixo, na coluna Fatos em Revista:

A cassação do mandato do Governador Plínio Coelho, em 14 de junho, ensejou a posse, a 29, de Arthur Reis (1906-1993). Consagrado em eleição pela Assembléia Legislativa, Arthur Reis inaugurou um novo período político no Amazonas, instalado no país pelo governo militar. Impulsionou a recuperação do Estado sem, contudo, se imiscuir no serviço de extinção de incêndios, que continuava sob a incumbência da Prefeitura de Manaus.
Amazonas sempre tranquilo: Nosso Estado felizmente é de boa paz. Todas as crises político-militares que eclodem no país não afetam a vida local. É evidente que a população fica apreensiva, preocupada, mas nunca se registraram badernas, provocações. Apenas uma greve geral paralisou toda a cidade, faz dois anos, mas o “líder” do movimento há muito que daqui partiu porque com o atual Governo o negócio é diferente. Que Deus esteja sempre conosco nessas ocasiões.


Repartições Federais funcionam plenamente: Apesar da crise que dominou o país num período de 72 horas, as repartições federais no nosso Estado não tiveram qualquer interrupção nas suas atividades. O funcionamento foi normal como se nada estivesse ocorrendo.
Facsimile da assinatura do major Nascimento

Como sucedeu na maioria das repartições do Estado, a Comissão Estadual de Investigação (CEI), a máquina revolucionária investigativa adentrou a Prefeitura de Manaus, a fim de apurar irregularidades. Concluído o devido Inquérito Policial Militar (IPM), restaram diversas incriminações que, no tocante ao Corpo de Bombeiros de Manaus, recaíram sobre o comandante.
Ao final, em 29 de setembro, o Governador assinou o ato que demitiu o capitão da PM Edmundo Monteiro Filho. No entanto, enquanto se processavam as investigações, em 7 de agosto, o comandante dos bombeiros foi substituído pelo 1.º tenente Sebastião Vicente do Nascimento. Ainda que interino, cuja interinidade perdurou até 14 de janeiro de 1965, o tenente Nascimento foi comissionado no posto de major, em atendimento à norma vigente.
Pode sugerir pilhéria, mas se encontra a vulgarização da comissão composta de três oficiais, destinada “a investigar se no CBM existe elementos esquerdistas, simpatizantes ou que tenham ligações com tais”. Caso positivo, informar ao escalão superior. Essa paródia bem ilustra a revolução militar em Manaus.
Os fatos a seguir permitem efetuar duas afirmações: a primeira, de que a Revolução transitou por Manaus, sem pressa ou, por morarmos longe, operando como o vento geral de velocidade moderada, incapaz de produzir uma tempestade.
A segunda assertiva, o insulado povo amazonense não foi percebido pela Revolução, ou vice-versa. Sem televisão e com os jornais sulistas chegando com atraso, mais proveitosas eram as transmissões da Voz da América.

Em agosto, a Prefeitura de Manaus proporcionou novos salários aos bombeiros. Essa melhoria marca, de certo, a última manifestação do Prefeito, pois, a 14 de outubro, Josué Cláudio renunciou ao mandato. Estranho, muito estranho que um político abandonasse um largo período ainda a administrar. Não cabe neste trabalho explicação para essa decisão, apenas ressalvo que a administração do município também sofria injunções do governo militar. Um pouco adiante, o governo federal suspendeu a eleição de prefeito para as capitais e outros municípios.
Em cumprimento a legislação então vigente, o renunciante foi substituído temporariamente por Xenofonte Antony (14 out. a 31 dez.1964) e por João Zany dos Reis (1º jan. a 23 mar. 1965), ambos na condição de presidente da Câmara Municipal.

Em novembro, ainda houve tempo para substituir o médico da corporação. Para o lugar do dr. Menandro Tapajós, foi nomeado o dr. José Mendes.

1965
A 1.º de janeiro, ocorreu a posse do vereador João Zany dos Reis, na presidência da Câmara Municipal de Manaus e, por imposição legal, na direção da Prefeitura Municipal. Assim se procedia, em razão da inexistência de vice-prefeito; o presidente da Câmara era o substituto eventual do prefeito. No comando da CBM mantinha-se o major Sebastião Vicente do Nascimento, que dispunha de regular efetivo: cinco oficiais, um subtenente, oito sargentos, nove cabos e 53 soldados. Total – 86 homens.