CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

27 de abril de 2012

Arquidiocese de Manaus: 120 anos

Quando do centenário da Igreja em Manaus, foi impresso um opúsculo, que circulou em 1993, elaborado pelo acadêmico Elson Farias, depois que o saudoso padre Luiz Ruas se acidentou. O título desta obra: Cem anos de fé na floresta: o centenário da arquidiocese de Manaus. O texto seguinte foi extraído desta.

Capa do livro

Se a instalação da Igreja registrou-se em Manaus sob as bênçãos de Nossa Senhora, a Diocese do Amazonas organizou-se em momento dedicado às questões sociais, movimento que se consagrou nos programas da doutrina social da Igreja.

A diocese foi criada no dia 27 de abril de 1892, quando o papa Leão XIII deu nova organização à Igreja no Brasil, ao editar a bula Ad Universas Orbis, plantando novas e desmembrando a do Amazonas da diocese do Grão-Pará. A matriz paroquial de Nossa Senhora da Conceição, informa monsenhor Francisco da Silveira Pinto, elevou-se à categoria de Sé-Catedral.

"Nesse mesmo ano, prossegue monsenhor Pinto, em maio, no dia 19, a nova Catedral recebe a visita de três ilustres prelados: Dom Jerônimo Tomé da Silva, bispo do Pará; Dom Antônio Cândido de Alvarenga, bispo do Maranhão e Dom Joaquim José Vieira, bispo do Ceará. O bispo do Pará viera para acertar medidas para a instalação da nova diocese e posse do primeiro bispo".

A bula Ad Universas Orbis estabelece os limites da nova diocese: "Ao Norte, limitar-se-á com o território da Guiana Inglesa, com o das repúblicas de Venezuela e Nova-Granada (Colômbia). Ao Poente, com as do Equador e Peru. Ao Sul, com a da Bolívia e com a diocese de Cuiabá (MT), da qual separar-se-á pelo rio Ji-paraná, pelo Tapajós depois da foz do Três-Barras até a foz do Uruguatás. Ao Nascente, finalmente, os limites serão a diocese de Belém (PA) pelo rio Nhamundá, pelas serras de Parintins, donde se segue por uma linha reta até à margem esquerda do Tapajós a contar do ponto em que se encontra a foz do supradito Três-Barras".
Dom Frederico Costa,
bispo do Amazonas

Em 1946, por via do desmembramento efetuado para propiciar a criação de prelazias e prefeituras apostólicas no Acre, em Cruzeiro do Sul, Porto Velho, Rio Negro, Rio Branco, Lábrea, Tefé e Alto Solimões, a diocese do Amazonas ficou reduzida à zona centro-oriental do estado do Amazonas, limitando-se a Leste com o estado do Pará; ao Norte, com as prelazias do Rio Negro e do Rio Branco; ao Sul, com as prelazias de Lábrea e de Porto Velho e o estado de Mato Grosso; e a Oeste, com a Prefeitura Apostólica de Tefé.

No capítulo destinado aos pastores da Igreja no Amazonas, demorar-nos-emos no trato da figura de seus bispos e arcebispos. Mas, vale a pena anotar logo um pormenor da ação pastoral desenvolvida por Dom José Lourenço da Costa Aguiar, primeiro bispo, que, movido pelo anseio de levar a mensagem cristã aos povos nativos da Amazônia, desejou aprender o nheengatu, para falar aos índios em sua própria língua.

A partir do pontificado de Leão XIII, a Igreja adotou conduta voltada para a questão social, cujo conteúdo ideológico foi expresso na célebre encíclica Rerum Novarum, que arregimentou as forças do Povo de Deus nos rumos da aproximação do fosso que os séculos armaram entre o capital e o trabalho.
A mensagem de Leão XIII teve profunda influência nas transformações operadas na vida social, econômica e política do mundo, estimulando a própria Igreja a também se orientar nessa direção.

Dom Luiz Vieira, atual
arcebispo de Manaus

Nessa data, dados extraídos do site da arquidiocese, o território arquidiocesano se espalha por uma superfície de 65.146 km2 e evangeliza uma população de 1.709.010 habitantes. Para isso, a atividade eclesiástica dispõe de 714 comunidades eclesiais; 53 paróquias e 21 áreas missionárias. Enfim, para a pregação da “fé na floresta”, a Igreja dispõe de 123 presbíteros (destes, 41 diocesanos) e três bispos, sob o báculo de Dom Luiz Soares Vieira, arcebispo de Manaus.