CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

6 de abril de 2012

IGHA (95 anos) 1ª parte

Seguindo na comemoração do aniversário desta instituição cultural que, no passado dia 25 de março, completou 95 anos, reproduzo um texto do lembrado sócio, padre Nonato Pinheiro. A publicação foi realizada no festejado ano de 1970, ao menos nos campos do México, quando o IGHA completava pouco mais do primeiro cinquentenário.

Detalhes do salão nobre do IGHA
O autor, que dispunha de um quarto de folha do matutino, queixava-se do reduzido espaço. Imagino como ele reagiria em nossos dias o autor, tendo que obedecer a um número determinado de toques. Para compreender, basta um olhar pelos editoriais e crônicas dos jornais em circulação.

Nossos Institutos Históricos

Padre Nonato Pinheiro
(do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas)

É notável a contribuição que os Institutos Históricos e Geográficos têm dado e m dando a cultura nacional. São instituições que abrigam inteligências lúcidas e espíritos curiosos, afeitos aos serões fecundos das leituras remansadas e rebuscas incessantes, no estudo e na pesquisa das ciências que lhes são atinentes. 
Padre Nonato Pinheiro, 1952

Sem embargo de ostentarem comumente nas fachadas de seus edifícios e na heráldica de seus escudos e brasões a designação de Institutos Históricos e Geográficos, a verdade é que a História e a Geografia não esgotam as ocupações mentais de seus membros. Outros ramos dos conhecimentos humanos integram os objetivos culturais desses prestimosos sodalícios, cuja variedade oscila de uns para outros, o que é cil averiguar pelos respectivos estatutos, ou pela simples consideração de suas Comissões Permanentes.

Costumam figurar, além da História e Geografia, outras ciências da humana sabedoria, principais e correlatas, à maneira desses rios caudalosos, que, além das calhas centrais, possuem numerosos triburios.
No Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, é bem reduzido o número de Comissões Permanentes, dado que essa primacial instituição se restringe ao estudo e divulgação da História, Geografia, Arqueologia e Etnografia. No Instituto Hisrico e Geográfico do Pará, no que concerne às ciências, as comissões de Geografia e Etnografia, História e Arqueologia, Numismática e Filatelia.

O do Ceará limita-se à cultura da História, da Geografia e da Antropologia do Brasil, especialmente a cearense.

O de Sergipe investiga a História, a Geografia, a Arqueologia, o. Folclore, a Etnografia e as línguas ingenas. O Instituto de Minas Gerais perquire a História, a Geografia e as ciências correlatas. O de São Paulo ocupa-se de História, Geografia, Numistica, Filatelia, Genealogia e Etnologia.
Ilustração de matéria sobre o IGHA, O Jornal, abril 1966

Citei à ventura as preocupações culturais de alguns Institutos Hisricos de nossa pátria, apenas para por em realce que fica patente uma como oscilação no âmbito de suas atribuições científicas. O nosso Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, navegando nas águas de algumas instituições congêneres, assim nacionais como estrangeiras, admite vastíssimo âmbito de investigações científicas, o que facilmente se depreende do mero de suas Comissões Permanentes: Bibliografia, Estastica, Cartografia, História Geral, História do Brasil, História do Amazonas, Historiografia, Historiologia, Antropologia sica e Cultural, Sociologia, Ecologia Cultural, Geografia (física, matetica, humana, política, histórica, zoológica e botânica), Arqueologia, Arqueografia, Paleografia, Paleontologia, Filologia, Linguística, Botânica, Zoologia, Geologia, Mineralogia, Genealogia, Nobiliarquia, Diplomática, Folclore, Iconografia, Monumentos Históricos, Numismática, Glíptica, Gliptografia, Heráldica, Filatelia, Ex-libris, Vinhetas e Estudos Indígenas.

Como se vê, podemos dizer do IGHA o que Jesus disse da casa de seu Pai, "in domo Patrls mei multae mansiones sunt" (na casa de meu Pai há muitas mansões).

Publicado em O Jornal, Manaus, 8 março 1970