CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

6 de abril de 2012

IGHA (95 anos) 2ª parte


Mais uma seção do artigo sobre o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e alguns congêneres, de autoria do padre Nonato Pinheiro (1922-94), que foi associado desta agremiação.

Nossos Institutos Históricos

Padre Nonato Pinheiro
(do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas)
 

O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro é, evidentemente, o "primus inter pares", por direito de primogenitura e por direito de conquista. Foi fundado no Rio de Janeiro em 1838, contando, portanto, 132 anos. Seus primeiros diretores foram: marechal Francisco Cordeiro da Silva Torres Alvim, visconde de Jerumirim; José Feliciano Fernandes Pinheiro, visconde de São Leopoldo; marechal Raimundo José da Cunha Matos e cônego Januário da Cunha Barbosa.

Detalhe do painel do Auditório do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro, Rio
Sua fundão propriamente se deve ao marechal Cunha Matos e ao cônego Januário Barbosa.

O marechal Cunha Matos era português, natural de Faro, chegado ao Rio de Janeiro em 1815. Brioso militar e homem de cultura, associou-se ao cônego Januário para fundar essa benemérita instituição, que tem sido uma alavanca de ouro a erguer bem alto a cultura brasileira. O cônego Januário foi um ilustre sacerdote brasileiro, cuja eloquência rivalizava com a de Monte Alverne, com a de frei Sampaio, com a de frei Francisco de São Carlos. Brilhou como pregador régio, obtendo ainda realçado esplendor na política de seu tempo. Prova de seu grande amor ao Instituto Hisrico e Geográfico Brasileiro foram suas últimas palavras, proferidas pouco antes de morrer, a 22 de fevereiro de 1846: "Meu amado Brasil, meu querido Instituto, adeus!"

Ainda sobre o Instituto Hisrico e Geográfico Brasileiro, não poderei omitir o amor que lhe votava o Imperador Pedro II, que sentia particular bilo em presidir-lhe as sessões.

Fundado o sodalício a 21 de outubro de 1838, seus membros fizeram sua primeira visita ao Imperador a 19 de março de 1339, às 10 horas da manhã, no Paço da Boa Vista, Sua Majestade foi saudado por José Feliciano Fernandes Pinheiro, visconde de São Leopoldo. Foi o início de uma amizade indesatável e ininterrupta. O Instituto traz em seu brasão, além da formosa legenda latina "Pacifica scientiae occupatio" (ocupação pacífica da ciência), uma alusão aos fecundos auspícios de Dom Pedro II: "Auspice Petro Secundo".

Para sua história, recomendo o livro de Max Fleiuss: O Instituto Histórico através de sua Revista (Imprensa Nacional, 1938), publicado no ano centenário de sua fundação. Pedro Calmon é seu atual presidente. Nosso Arthur Reis ocupa a terceira vice-presincia, sendo ainda membro da Redação da Revista.

Sem temer contestação, afirmo que o Instituto do Ceará é o mais famoso, depois do Brasileiro. Foi fundado a 4 de março de 1887. O historiógrafo JoHonório Rodrigues, que esteve em Manaus a ministrar um curso de Historiografia, escreveu este honroso depoimento: "Seu principal órgão foi a Revista, tornada em breve um dos melhores e mais valiosos periódicos históricos do Brasil. A Revista do Instituto do Ceara é, então, depois da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o mais rico repositório geográfico brasileiro, particularmente precioso para a história antiga e moderna do Ceará" (Índice anotado da Revista do Instituto do Ceará, p.29). José Honório admira-se como essa revista se tenha mantido "num mesmo espirito de objetividade histórica, de infatigável pesquisa, cheia e rica de preciosos documentos" (ibidem).

O lema do Instituto do Ceaé sugestivo: Dedimus profecto grande patientiae documentum (Demos sem dúvida um grande testemunho de paciência).

O Instituto Histórico e Geográfico do Pará foi fundado a 3 de maio de 1900 e reinstalado a 6 de março de 1917. Possui 40 cadeiras para sócios efetivos. Penso que é interessante frisar que a Universidade Federal do Pará, por um gesto fidalgo do Magnífico Reitor, Dr. José Rodrigues da Silveira, vem imprimindo a Revista do Instituto na Imprensa Universitária.
Presidente
Petrovich

O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte foi fundado a 29 de março de 1902. Tem sido um dos mais operosos do país. E' seu atual presidente o Dr. Enélio Lima Petrovich [ainda presidente, morreu ano passado]. Sua maior figura de todos os tempos é o grande Luís da Câmara Cascudo, uma das maiores culturas deste país.

Ao comemorar os 70 anos de idade e os 50 de labor intelectual de Câmara Cascudo, o Instituto do Rio Grande do Norte fez editar precioso volume, em homenagem merecida a seu cultismo orador oficial: LUIS DA CAMARA CASCUDO: sua vida e sua obra. Saudando-o, disse-lhe o presidente Petrovich: "Mestre, mestre de verdade. Somente me resta agora, nesta noite dizer-lhe: Nada mais fizemos senão cumprir com um pouco do muito que ainda lhe deve e continuará devendo este Estado, que lhe serviu de berço, e que, mercê de seu nome e de sua obra, nasceu para a história da cultura universal." (obra citada, p.91).

O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia foi fundado em 1894, e tem publicado numerosos e alentados volumes.


Consuelo Pondé,
presidente do IGH
da Bahia
O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, na mente de José Honório Rodrigues, é o terceiro em importância, depois do Brasileiro e do Ceará. Suas atividades têm sido incessantes em prol da divulgação de valiosos documentos.

O Instituto Hisrico e Geográfico de Sergipe foi fundado a 8 de agosto de 1912. O de Minas Gerais foi fundado em 1907. Suas revistas são volumosas, com colaborações preciosas, a revelar grande espirito de rebusca em seus membros.

O de São Paulo é dos mais notáveis. Foi fundado a 1° de novembro de 1894. Seu jubileu foi condignamente comemorado em 1944, com excelente volume: Jubileu Social. Foram seus fundadores Antônio de Toledo Piza, Domingos José Nogueira Jaguaribe Filho e Estêvão Leão Bourrol. A fundação verificou-se no salão nobre da histórica Faculdade de Direito.
 

Circulado em O Jornal, Manaus, 8 março 1970