CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

15 de agosto de 2010

Polícia Rodoviária no Amazonas

Há 40 anos, com o Governo Militar (1964-1985) em plena marcha de ocupação do País, nenhuma dificuldade teve a Policia Militar do Estado para ocupar “manu militari” a Guarda Rodoviária (GR), que pertencia ao Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (Deram).


Jornal do Commercio. Manaus, 15 agosto 1970


De fato, a GR estava subordinada à Divisão de Trânsito do Deram, afinal o Estado administrava somente uma rodovia, ou seja, a estrada que liga Manaus a Itacoatiara. Seu comandante era João Verçosa (conhecido por Jonga, irmão do desembargador Mário Verçosa e cunhado do ex-governador Gilberto Mestrinho) e a GR estava aquartelada no entroncamento da rua Recife e avenida Constantino Nery com a estrada dos Franceses, o que constituía autêntica “babel” para a circulação de veículos, somente solucionada com a construção do complexo viário de Flores. No local, opera hoje uma fração dos Bombeiros.

A GR possuía dois pontos de fiscalização, postados em “residências” do Deram: na primeira balsa no rio Urubu, hoje coberto por ponte, e na cidade de Itacoatiara.

Nada oficializou a motivação do apresamento da PR, mas, conta uma lenda urbana que o “desrespeito” de um guarda rodoviário ao comandante da Polícia Militar, coronel Maury Silva (1967-1971), amigo de frequentar com a esposa a residência do casal governador Danilo e Violeta Areosa, causou o infortúnio.
Certo mesmo é que, em 14 de agosto de 1970, o tenente-coronel Pedro Lustosa (foto), recém vindo de um curso nos Estados Unidos, foi designado para o comando da Guarda Rodoviária.

Quatro meses depois, em 31 de dezembro, o governo regularizou a nova unidade policial, criando o Batalhão de Policiamento Especial (BPE), ainda sob o comando do tenente-coronel Lustosa. Apenas em fevereiro de 1971, ocorreu a nomeação deste oficial para o comando que, no entanto, ele logo transferiu ao capitão Ruy Carvalho, a fim de assumir a Casa Militar do governador João Walter de Andrade (1971-75).

Em abril de 1971, o tenente-coronel Helcio Motta assumiu o Batalhão e nele permaneceu até novembro, quando o passou ao major Osório Fonseca Neto. Em abril, agora de 1972, o BPE foi bipartido, dando origem as Companhias de Trânsito (sob as ordens do major Osório) e Rodoviária (comandada pelo major Humberto Soares).

Quartel da Companhia de Polícia Rodoviária, c1977


Finalmente, em dezembro de 1972, o Governo, ao promover a reestruturação da Polícia Militar, consolidou a extinção do BPE.