CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

17 de agosto de 2010

Major Salvio Belota

Passaram-se 20 anos, desde a madrugada de 17 de agosto de 1990, quando o major Sálvio “morreu, fazendo o que mais gostava: salvar vidas”.

A Crítica. Manaus, 18 agosto 1990


No desastre que vitimou fatalmente o major Sálvio de Souza Belota (38a), o Corpo de Bombeiros sofreu, com certeza, a mais expressiva baixa de sua história. Sálvio exercia o subcomando do Corpo, e era usual avisar ao comando quando um sinistro, pela sua complexidade, exigia reforço na operação. Quem relembra o desastre é o subtenente Nirceu Coelho da Cruz:
Quando comandava uma operação no combate ao incêndio que destruiu a Importadora Jenny, localizada na esquina das ruas Henrique Martins com a Lobo D’Almada, o major Sálvio Souza Belota, subcomandante do Corpo de Bombeiros, morreu ao ser atingido por uma parede em chamas, ontem de madrugada. (A Crítica, 18 ago. 1990)
Estava de serviço de adjunto ao oficial de dia e, somente por isso, permanecera no Quartel, quando o comboio se deslocou até a Importadora Jenny. Assim que a situação se agravou, fui acionado para, como de praxe, avisar ao comando. Então, telefonei para a residência do major Sálvio que, de pronto, se dirigiu ao local. Aconteceu o desastre, porém, somente tomei conhecimento pelo pessoal do serviço de rádio. E, como na guarnição de serviço se encontrava o tenente Sávio, houve aquela confusão sobre a identificação do morto. Esclarecida a identidade, lamentei sob todos os aspectos que o major Sálvio Belota tenha partido.
Os jornais de Manaus descreveram a tragédia por dias seguidos com letras destacadas e a cores. Ampla foi a comoção, tanto na caserna quanto entre os inúmeros amigos, visto a amizade desfrutada pelo falecido oficial. Seu corpo foi velado no quartel do Corpo de Bombeiros e, conduzido na Auto Escada magirus, foi sepultado no cemitério São João Batista.

A Crítica. Manaus, 18 agosto 1990

O Estado do Amazonas e a Prefeitura de Manaus dispensaram ao falecido major Salvio merecidas homenagens. A Prefeitura dotou uma escola com seu nome e, recentemente, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas deu a uma medalha o nome do companheiro morto no cumprimento do dever.