CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de agosto de 2010

Espaço Cultural III

Lançado há cerca de um mês, com resumo fornecido pela revista Veja, o livro Fordlândia: ascenção e queda da cidade esquecida de Henry Ford na selva, de Greg Frandin, tradução de Nivaldo Montingelli Jr. Rio: Rocco, 2010 (339 p. cerca de R$ 56,00), logo me atraiu.
Prometi emprestar a dois amigos nascidos em Fordlândia (PA): o professor de artes folclóricas José Nogueira e o competente músico Beto Blue Birds.
Ainda estou lendo, mas me surpreendeu a descrição realizada sobre a capital do Amazonas. Leia.

"Manaus é famosa pelo enorme Teatro Amazonas, uma casa de ópera construída com mármore italiano e rodeada de ruas revestidas de borracha para que o ruído das carruagens dos retardatários não atrapalhassem as vozes dos melhores tenores e sopranos da Europa. Terminado em 1896, dizem que sua construção custou mais de dois milhões de dólares. O dinheiro fluía livremente durante o boom e as classes mais altas de Manaus importavam de tudo a qualquer preço. Exploradores americanos descobriram que podiam vender suas roupas usadas de brim cáqui por cinco vezes o preço pago nos Estados Unidos depois que se cansavam de passear pela cidade em seus trajes de selva.

(Ao contrário dos brasileiros, que depois e voltar da selva costumavam tomar banho, barbear-se e comprar novas mudas de roupas o mais rápido possível, os americanos, segundo um observador, tinham o “irritante hábito de andar pelas ruas e se dirigir a seus oficiais superiores! Com seus “chapéus altos, botas de campanha e cartucheiras” (Earl Parker Hanson, Journey to Manaos, Nova York: Reynal and Hitchcock, 1938, p. 292).

Com mais cinemas que o Rio e mais salas de espetáculos que Lisboa, Manaus foi a segunda cidade do Brasil a ser iluminada por eletricidade e os visitantes que chegavam a ela pelo rio à noite durante os últimos anos do século XIX se maravilhavam com seu brilho em meio à escuridão, “pulsando no ritmo febril do mundo”. Mas não era apenas a luz que tornava Manaus e Belém, também eletrificada cedo, modernas. Seus muitos espaços escuros ofereciam locais para prazeres essencialmente urbanos. Roger Casement, cônsul da Grã-Bretanha no Rio, que mais tarde se tornaria famoso por suas atividades anti-imperialistas e antiescravagistas, escreveu em seu diário em 1911 a respeito de passar pelas docas de Manaus, escolhendo jovens homens para fazer sexo anônimo".

Cartão Postal do contemporâneo Teatro Amazonas, sem datação
A minha surpresa "caminha" pelas ruas emborrachadas e nos melhores tenores e sopranos europeus. Isso representa dizer que as "lendas urbanas" sobre o Teatro Amazonas ainda prosperam, mais de um século depois de inaugurado.