CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Deram. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Deram. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, abril 27, 2022

MANAUS: A SITUAÇÃO DO TRÁFEGO

 Transcrito ou, como se diz, compartilhado do Jornal do Commercio, circulado na festa da Padroeira,

8 de dezembro de 1962.

Recorte do mencionado matutino

ESTÁ em curso na cidade mais uma campanha esclarecedora do tráfego feita com a melhor das intenções, como tantas outras, mas de resultados duvidosos. Dizemos assim porque todas as anteriores,  principalmente a penúltima sob os auspícios do Lions Clube e do DAERA [antecessor do DERAM], redundaram em completo fracasso se levarmos em conta as estatísticas relativas ao número de acidentes.

ESTÁ visto que os condutores de veículos, que por falta de vocação para a profissão ou por irresponsabilidade, ocasionam desastres e levam a morte e a dor aos lares de tantas famílias, estes não ouvem ou fingem que não ouvem as recomendações, os conselhos, as instruções dos promotores de tais campanhas, que sempre merecem o apoio incondicional da Delegacia Especializada do Tráfego.

ELES PREFEREM correr o risco e ameaçar o povo com as suas infrações às leis que regulamentam o trânsito dos veicules. As penalidades que sofrem são fracas para a magnitude dos danos que provocam e daí as reincidências, os abusos, com todas as suas consequências negativas para uma boa ordem nesse problema vital e segurança do público.

É PRECISO estabelecer um regime severo de multas, nas bases do que está sendo feito agora em São Paulo, onde as novas sanções se elevam até cem por cento do salário-mínimo, aos que dirigem sem carteira de habilitação ou em estado de embriaguez, aos que forçarem a passagem entre dois veículos, ultrapassarem outro em curva, ou ainda não prestar assistência às vítimas de seus atropelamentos. Para os casos de menor importância, como um simples avanço ao sinal a multa se eleva a mais de dez mil cruzeiros.

COM UM TAL regime de sanções é possível que em grande parte se consiga reduzir o número de acidentes em Manaus. Com simples conselhos, como nas campanhas que temos visto e até mesmo nelas colaborado, os resultados têm sido nulos ou quase nulos. O único rendimento realmente aproveitável é o que se relaciona com o público, orientando-0 no sentido de fazer com segurança o cruzamento das ruas.

terça-feira, fevereiro 22, 2022

POLICIAMENTO DE TRÂNSITO EM MANAUS (1)

A fim de melhor harmonizar o entendimento sobre a evolução do policiamento de trânsito em Manaus, convém uma exposição de apropriados antecedentes: a circulação de automóveis em Manaus era bem diminuta na década de 1950. Todavia, com a instalação de montadoras de automóveis no Brasil, o número foi crescendo paulatinamente e, por óbvio, exigindo mais cuidados com o tráfego, cuja maior evidência eram os primitivos ônibus de madeira. Antecipando o Detran (Departamento de Trânsito), funcionou por décadas a Delegacia de Tráfego, seguida da Delegacia Especializada de Trânsito (DET), ambas instaladas à rua José Paranaguá esquina da rua Floriano Peixoto, nas proximidades do quartel da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Nessa esquina, não obstante o crescimento de veículos, operou a primeira sede do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Ônibus na "estação" diante do Tabuleiro da Baiana

A partir de 1964, com a instalação do Governo Militar, e com a PMAM se renovando, esta Força tomou novos encargos, um dos quais em relação ao trânsito, tendo incumbido à 2ª Companhia de Fuzileiros (2ª Cia Fzo) o controle do fluxo de veículos. É conveniente esclarecer que a reduzida Força Estadual – cerca de trezentos homens – operava com a equivalência de um batalhão do Exército. Desse modo, no quartel da Praça da Polícia existia a 1ª companhia, que cuidava das guardas em geral; a 2ª, já circunstanciada; e a 3ª, intitulada de Grupamento de Policiamento Ostensivo (GPO), que abrigava o policiamento do “Cosme-Damião”; o pessoal de administração, mecânicos e artífices, mais os integrantes da Banda de Música estavam sob o guarda-chuva da Companhia de Comando e Serviços (CCSv).

Em fevereiro de 1967, o governo federal de Castelo Branco restaurou a Zona Franca de Manaus. Mediante esta inciativa, o porto de importação atraiu para a capital amazonense um número respeitável de nacionais e estrangeiros. Além de lojas de todas as dimensões, a locomoção desses visitantes redimensionou a circulação de carros na pacata cidade, tanto que determinou novel recorte de policiamento, em geral.

Na ocasião, o controle do trânsito efetuado pela Segunda teve um comandante assaz cumpridor de metas (caxias, em linguajar da caserna): tenente Ruy Freire. Exigente no trajar, exigia o mesmo dos subordinados, que tiravam serviço em pontos fixos e móveis da cidade, todos dotados do temido “talão de multas”. Ao tempo, cada policial cuidava de resolver os problemas encontrados, pois, não havia como contactar com o quartel. Afora o sargento “rondante”. As artérias mais preocupantes, em decorrência do comércio que carecia de carga e descarga e pela aglomeração de fregueses, situavam-se em redor do Mercado Público. Outra bastante agitada, era a rua Marechal Deodoro (antes de se tornar exclusiva de pedestre).


Quartel da Polícia Rodoviária, hoje dos Bombeiros

Essa operacionalidade prosperou até 1971, por conta de um episódio grotesco que apressou a implantação de nova etapa de policiamento. Em Manaus, atuava a Polícia Rodoviária, subordinada à Divisão de Trânsito do extinto Deram (Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas), cujo aquartelamento situava-se diante do entroncamento do atual elevado de Flores, localidade onde em nossos dias opera o Batalhão de Bombeiros Especial (BBE). Próximo ao final de dezembro de 1970, um guarda rodoviário altercou-se com o comandante-geral da PM, coronel EB Maury Silva, amigo do governador Danilo Areosa. Este, ao conhecer o fato, sancionou a lei 1.011, de 31 de dezembro, criando o Batalhão de Policiamento Especial para cumprir o policiamento urbano e rural de trânsito, florestal, rodoviário nas estradas estaduais, entre mais atribuições, e, com este regramento, extinguiu a Polícia Rodoviária do Deram.

O batalhão foi instalado de imediato, posto que foi agraciado com “o acervo patrimonial, inclusive as viaturas” do suprimido órgão controlador. Ainda que desse modo premiado, somente em 1 º de fevereiro de 1971 assumiu o comando o tenente-coronel Pedro Lustosa, que o transferiu para o capitão Ruy Freire, em 25 de março, a fim de assumir a chefia da Casa Militar do governador João Walter. Ruy passou ao tenente-coronel Helcio Motta, menos de um mês depois; Helcio foi até novembro daquele ano, quando passou ao major Osorio Fonseca, que o conduziu até a data do desmembramento. (segue)

quarta-feira, fevereiro 19, 2020

CORPO DE BOMBEIROS MUNICIPAIS (1952)

Capa do livro

Julgava ter esgotado as informações sobre a trajetória dos Bombeiros Militares em Manaus, quando publiquei, em 2013, Bombeiros do Amazonas: retrospectiva 1876-1998. No entanto, dias desses, vasculhando o Arquivo Público, recolhi da Mensagem governamental de 1952, rubricada pelo governador Álvaro Maia, o texto sobre o assunto.
Algumas notas contidas na peça veem corroborar o quanto eu publicara no livro: como o envio do tenente Edmundo Monteiro e o sargento Francisco Carneiro da Silva e dois cabos ao Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. A ajuda da Comissão de Estradas de Rodagem do Amazonas (CERA), depois Departamento, que findou como “Deram”. Ajuda das Forças Armadas e do público no combate ao fogo. Enfim, o estado falimentar dos Bombeiros Municipais.

CORPO DE BOMBEIROS

O CORPO DE BOMBEIROS, entregue aos cuidados e pago pela Prefeitura, está praticamente extinto em Manaus: restam os oficiais e algumas praças, estas em ocupações civis. Capital de 100.000 habitantes, com usinas e bairros operários, onde avultam casas de madeira e palha, precisa reorganizar urgentemente o seu CORPO DE BOMBEIROS, ora sem maquinários, sem mangueiras, sem quartel apropriado.
Pretende o Governo comissionar dois oficiais para estudarem, no Rio ou qualquer cidade mais próxima, a organização moderna do CORPO DE BOMBEIROS; já iniciou entendimentos preliminares com as companhias de seguro contra o fogo; autorizou, por medida de emergência e pelas dificuldades financeiras do Estado e da Prefeitura, a aquisição de três máquinas extintoras, pagas pela Comissão de Estradas de Rodagem [Cera], para seu serviço e auxílio em qualquer emergência.
Em dois grandes incêndios, que devoraram casas comerciais às ruas Marcílio Dias e Henrique Martins, conseguiu-se debelar o fogo, após enormes prejuízos, mediante conjugação de esforços das Forças do Exército e Polícia, da Guarda Civil, das mangueiras da Manáos Harbour e de populares.
O último e mais pavoroso incêndio ocorrido em Manaus, o de maiores proporções e o que produziu mais vultuosos prejuízos, foi, sem nenhuma dúvida, que aconteceu no bairro de Constantinópolis [atual Educandos].  

domingo, agosto 15, 2010

PMAM: POLÍCIA RODOVIÁRIA

Jornal do Commercio. Manaus, 15 agosto 1970


Há 40 anos, com o Governo Militar (1964-1985) em plena marcha de ocupação do País, nenhuma dificuldade teve a Policia Militar do Estado para ocupar “manu militari” a Guarda Rodoviária (GR), que pertencia ao Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (Deram).

De fato, a GR estava subordinada à Divisão de Trânsito do Deram, afinal o Estado administrava somente uma rodovia, ou seja, a estrada que liga Manaus a Itacoatiara. Seu comandante era João Verçosa (conhecido por Jonga, irmão do desembargador Mário Verçosa e cunhado do ex-governador Gilberto Mestrinho) e a GR estava aquartelada no entroncamento da rua Recife e avenida Constantino Nery com a estrada dos Franceses, o que constituía autêntica “babel” para a circulação de veículos, somente solucionada com a construção do complexo viário de Flores. No local, opera hoje uma fração dos Bombeiros.

A GR possuía dois pontos de fiscalização, postados em “residências” do Deram: na primeira balsa no rio Urubu, hoje coberto por ponte, e na cidade de Itacoatiara.

Nada oficializou a motivação do apresamento da GR, mas, conta uma lenda urbana que o “desrespeito” de um guarda rodoviário ao comandante da Polícia Militar, coronel Maury Silva (1967-1971), amigo de frequentar com a esposa a residência do casal governador Danilo e Violeta Areosa, causou o infortúnio.
Certo mesmo é que, em 14 de agosto de 1970, o tenente-coronel Pedro Lustosa (foto), recém vindo de um curso nos Estados Unidos, foi designado para o comando da Guarda Rodoviária.

Quatro meses depois, em 31 de dezembro, o governo regularizou a nova unidade policial, criando o Batalhão de Policiamento Especial (BPE), ainda sob o comando do tenente-coronel Lustosa. Apenas em fevereiro de 1971, ocorreu a nomeação deste oficial para o comando que, no entanto, ele logo transferiu ao capitão Ruy Carvalho, a fim de assumir a Casa Militar do governador João Walter de Andrade (1971-75).
Em abril de 1971, o tenente-coronel Helcio Motta assumiu o Batalhão e nele permaneceu até novembro, quando o passou ao major Osório Fonseca Neto. Em abril, agora de 1972, o BPE foi bipartido, dando origem as Companhias de Trânsito (sob as ordens do major Osório) e Rodoviária (comandada pelo major Humberto Soares).

Quartel da Companhia de Polícia Rodoviária, c1977


Finalmente, em dezembro de 1972, o Governo, ao promover a reestruturação da Polícia Militar, consolidou a extinção do BPE.