CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

25 de agosto de 2010

Memorial Amazonense XXX

• Colônia Oliveira Machado

Tomou posse na presidência do Amazonas, em 10 de fevereiro de 1889, Joaquim de Oliveira Machado (1842-1920), nascido em Barra do Pirai (RJ) e morto em Niterói (RJ). Era bacharel pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (SP).
Encontrou o governo amazonense sitiado por dificuldades financeiras. Mas, atendendo aos apelos locais, resolveu enfrentar a crise. Foi, todavia, curto seu período de governo, estendendo-se por 140 dias, precisamente até 1º de julho. Mais grave era a crise enfrentada pelo governo imperial, gerada pela avalanche republicana que assomava representativas camadas sociais.


Machado, o penúltimo presidente, recebeu dos manauenses singela homenagem. Uma localidade à margem do Rio Negro e próxima da capital, ocupada por imigrantes nordestinos, como hoje acontece, acolheu seu nome. Em nossos dias, constitui o bairro da Colônia Oliveira Machado, integrante da Zona Sul em que se encontra mapeada a cidade de Manaus no início da segunda década do século XXI.


• Barão do Solimões

Em 1.º de julho, assume a presidência Manuel Francisco Machado, barão do Solimões, nascido no Pará. Apenas dois dias depois, desembarca em Manaus o conde d’Eu, esposo da Princesa Isabel, regente do Brasil.


O primeiro genro imperial visita diversas repartições na Capital e, rodeado de parlamentares regionais, viaja em inspeção até o forte de Tabatinga, no rio Solimões, marco da tríplice fronteira com a Colômbia e o Peru.


O governo do barão do Solimões teve curtíssima duração, pois o entregou a 21 de novembro. Nesse dia, foi substituído por junta governativa organizada pelos devotos da Proclamação da República. Coube-lhe, ao menos, o feito singular de cerrar as cortinas do governo imperial no Amazonas.


Outra coincidência, de cunho regionalista: coube a um paraense (Tenreiro Aranha) inaugurar a Província no Amazonas e, a outro, descerrar a mesma.

• Na Província, o último comandante do Corpo

Em 12 de setembro, assumiu o comando do Corpo Policial, José Pereira da Rocha Filgueira, major (acredito que do Exército, apesar de não ter apurado qualquer dado sobre este oficial), comissionado no posto superior. A pesquisa ocorreu tanto no Arquivo Histórico do Exército, em duas ocasiões, quanto em arquivos da corporação, hoje recolhidos ao Palacete Provincial, tão pouco no acervo do Arquivo Público do Amazonas.


Este comando, no entanto, perpassou a fase de transição do Império, pois segue comando o Corpo, enquanto a Junta governava. Será substituído em janeiro, por determinação do governador Ximeno de Villeroy.


Qualquer que seja sua corporação de origem foi o comandante que efetuou na Polícia Militar a passagem entre o Império e a República.


Rematado o período provincial, desejo estabelecer uma ligeira análise. Até que o tempo foi curtíssimo, apenas 13 anos, se, e somente se, tomar por base a reinstalação da Guarda Policial (1876). São contados 10 comandantes titulares, mais cinco interinos. Apesar desse número, no comando da Guarda Policial, depois Corpo Policial, não há um só amazonense.
Dos comandantes, são conhecidas as naturalidades de três paraenses, um baiano, um cearense e de dois fluminenses ou da capital do Império. É perfeitamente compreensível tanta dependência. Não havia qualquer possibilidade de mudança, diante dos regulamentos vigentes e da insuficiência de oficiais em geral.