CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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terça-feira, novembro 29, 2022

PMAM – BANDA DE MÚSICA (III)

 Em prosseguimento ao estudo da trajetória da Banda de Música da PMAM, aqui vão relacionadas algumas observações constantes de um capítulo escrito para um almejado livro sobre esta corporação musical.
Harpista no monumento situado
na praça Dom Pedro II

Solfejando

 

A Banda Música da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) já ultrapassou mais de doze décadas vertendo sonoridade e expandindo contentamento pelo Estado. Durante décadas, até na própria corporação, pouco se conhecia sobre tão radioso ofício e seus executantes. Alguns exemplos básicos: a data da inauguração, os nomes de seus regentes e outros identificadores. Até que, em 1993, elaborei ligeira retrospectiva em artigo jornalístico (A Banda de Música, em A Crítica, 7 set. 1993). Na ocasião, sugeri tanto a data de fundação quanto a mencionada denominação. Saquei tais sugestões do Relatório subscrito pelo então major Afonso de Carvalho, que comandou a corporação policial militar entre 1892-96, ou seja, durante o governo de Eduardo Ribeiro.  


Nascido na capital da província do Ceará, em 7 de setembro de 1862, Afonso de Carvalho foi um dos tantos nordestinos vitoriosos no Amazonas. Ingressou no Exército em 1880, e transferido para Manaus quatro anos depois, serviu como soldado do 3º Batalhão de Artilharia a pé; licenciado da Força Terrestre foi incluído na vaga de alferes-secretário do Corpo Policial (hoje PMAM) em 1887. E não parou mais. Retirou-se daqui depois de comandar o Regimento Militar do Estado no governo de Eduardo Ribeiro (1892-96) e de exercer a superintendência (prefeitura) de Manaus (1895-96); depois de eleito deputado para o Congresso Estadual e, na condição de seu presidente, assumir a chefia do Poder Executivo (1907-08), sucedendo ao governador Constantino Nery. Morreu no Rio de Janeiro em data não conhecida. A despeito de tanto sucesso, Afonso de Carvalho ainda não dispõe de qualquer reconhecimento de parte desta corporação.

 

A meu ver, dois eventos delimitam o aparecimento da Música na Polícia Militar do Amazonas. O primeiro é de janeiro de 1892, quando o dirigente do Tesouro do Estado informa ao governador Eduardo Ribeiro que o Amazonas empenhara recursos para a aquisição de equipamentos destinados àquela corporação militar. Para melhor elucidar, declara que o representante da Casa J. H. Andresen, José Cláudio Mesquita, então na Europa, havia recebido através do London Bank, a quantia de 68:000$000 (sessenta e oito contos de réis) destinada à aquisição de armamentos e de instrumental destinado à Banda de Música do Batalhão Militar de Polícia (denominação da força militar estadual a partir de 1891).  

O segundo episódio é pautado na datação de outro relatório: 3 de junho de 1893. Neste, o comandante do Batalhão Militar de Segurança (terceira denominação da PMAM), major Raimundo Afonso de Carvalho, detalha ao Chefe do Executivo a situação da Força Estadual. Entre umas e outras inovações, assegura que a Banda de Música já funcionava, portanto, já distribuía musicalidade no quartel da Praça da Polícia e nos coretos de Manaus.

Este Relatório, todavia, não aponta a data inequívoca da implantação da Banda, apenas permite delimitar o período. Acredito que entre a compra do instrumental na Europa e o transporte para esta capital, par a par com a contratação de músicos, quiçá selecionados no Nordeste como ocorreria seguidamente, tais provimentos devem ter consumido apreciável tempo. Desse modo, ante a inexistência de data inaugural da Banda de Música, ousei consagrar a datação deste Relatório com esse benéfico propósito. (Afinal, a própria corporação padece desse infortúnio, pois, apenas conhece o documento originador de sua fundação, do qual assumiu a data para sua festança natalícia.)

A musicista no
Palácio Rio Negro

Logo, por que não estabelecer a data de 3 de junho de 1893 como a efeméride inicial desta corporação musical? A proposta ainda não aceita, prossegue sendo timidamente respeitada, porquanto carece de legislação que a ratifique, que a consolide no calendário festivo da PMAM. Trata-se de uma iniciativa tão singela, pois a disposição legal encontra-se na alçada do comandante-geral. (segue)

sábado, novembro 19, 2022

PMAM – BANDA DE MÚSICA (III)

Alguns cuidados exercitados sobre a Banda de Música vão aqui relacionados, constantes de um capítulo escrito para um almejado livro sobre a corporação musical. 

Apresentação da Banda em Itacoatiara 

Pouco antes e bem adiante do Governo Militar

 Em janeiro de 1963, Plinio Ramos Coelho assumiu pela segunda vez o governo do Estado e, na ocasião, nomeou um comandante antirregulamentar para a Polícia Militar do Estado: o 1º tenente PM Alfredo Barbosa Filho, ligado ao governador pelo futebol do Nacional FC. Barbosa foi cassado juntamente com o chefe do Poder Executivo na instalação do Governo Militar (1964-85).

Plínio Coelho

Arthur Reis tomou posse do Poder Executivo em junho de 1964. Enquanto aguardava a indicação do comandante da Polícia Militar pelo então Ministério da Guerra, manteve o comandante transitório, tenente-coronel PM Manuel José Moutinho Junior. Em outubro, assumiu o major EB José Jorge Nardi de Souza, que permaneceu somente 10 meses à frente da corporação. Isso mostra certo descompasso nas ações dos militares no Amazonas, no campo da Segurança Pública, até então custodiada pela Chefia de Polícia.

Outra desventura viria a reboque, acabando por se engajar no aquartelamento da Praça da Polícia. Aconteceu na permuta do major EB Jorge Nardy pelo capitão EB Hernany Guimarães Teixeira, que comandou a corporação entre março de 1966 e outubro de 1967. O infortúnio estava na presença do jovem capitão, oficial intermediário, quando a PM contava em seus quadros com tenentes-coronéis. Resumindo a opera: o referido capitão findou por se intrigar com camaradas verde-oliva, exatamente pelo desnível hierárquico.  


Quando o capitão Hernany deixou abruptamente o comando da Força Estadual, o governador Arthur Reis foi compelido a substitui-lo pelo oficial mais antigo, o tenente-coronel PM Omar Gomes da Silveira (1916-87). A partir desta mudança e até o extremo do Governo Militar, sem interrupção, os comandantes pertenceram aos quadros do Exército, do posto de tenente-coronel.

 

No período, o regente da Banda foi o 2º tenente (comissionado) Ernani Puga, que assumiu em 1963 e se retirou em agosto de 1967. Sua saída coincidiu com a substituição do capitão comandante da PM.

Não creio que o comando tenha se empenhado com o setor musical, diante da calamidade que predominava na corporação. À época, em junho de 1966, estava eu ingressando na PM e posso testemunhar: sequer havia uniforme para todos os policiais. Sequer havia capacetes, nem armamento adequado (revólveres eram contados). A alimentação era fornecida somente para o pessoal de serviço, os demais, se se alimentassem, pagavam pela boia. Eu estava nesse grupo. Para conturbar ainda mais o desastre, a Zona Franca de Manaus, apesar de criada em fevereiro de 1967, demorou algum tempo para gerar os oportunos incentivos.

A atividade da Banda resumia-se a esses encargos: a formatura geral pela manhã, junto com o Batalhão Amazonas, que marchava saindo do pátio interno do quartel, contornava a Praça da Polícia e o Colégio Estadual para, em frente do quartel, saudar a autoridade de plantão. Em seguida, ocorria o cumprimento do QTS (Quadro de Trabalho Semanal), com os ensaios programados, se não houvesse alguma tocata em inauguração ou em outros empreendimentos do Estado, além de cumprimento de solicitações reservadas.  E não eram poucas, a Banda era requerida ou escalada para todos os eventos. Às vezes, tendo que repartir seu quadro para atender aos compromissos diários.

Um salto triplo no tempo...  

O comandante-geral entre 1989-91, coronel Romeu Medeiros, exigiu da corporação musical um desempenho mais dinâmico. Bastante inovador, extravagante, diria. Porque, tendo este, numa de suas andanças pela Europa, assistido em soberba apresentação orquestral o Bolero de Ravel, Medeiros formulou uma aposta com o mestre da Banda, tenente Souza Lima. De que somente se sentiria realizado no comando, quando a Banda de Música da Polícia Militar tocasse o famoso clássico. Em resumo: a Banda não venceu a porfia, frustrando ao comandante-geral.

Coronéis Medeiros (perfil), Orleilson
(de frente) e Alfaia.

Malgrado a frustação, este comandante, para melhor aperfeiçoar a cultura musical do referido regente, buscou cooperação no Rio de Janeiro, ONDE???. Para isso, enviou o tenente a um estágio no Rio, objetivando aprimorar a técnica e incutir neste a administração dos músicos. Outra iniciativa: Medeiros determinou um recital da Banda no coreto da Praça da Polícia, à tarde de todas as sextas-feiras. Havia continuamente um “respeitável público”: os comerciários no final do expediente, os estudantes saindo e entrando nas escolas próximas e outros transeuntes, além dos moradores da vizinhança. Tinha início, para atender esse objetivo, às 17 horas.

Mais outro empreendimento deste comandante. Em 1990, Medeiros enviou para a empresa Weril Instrumentos Musicais Ltda., sediada em São Paulo, os instrumentos então existentes na Banda. Detalhe oportuno: esses instrumentos haviam sido adquiridos com o aval da Suframa, ao tempo do tenente-coronel EB Wilson Ribeiro Raizer (comandante-geral entre 1979-81). Estavam em uso, portanto, há dez anos!

O comandante Medeiros contratou com essa fabricante do ramo para que, efetuando um reparo geral, descartasse os inúteis. Algum tempo depois, os diversos instrumentos devidamente restaurados e cromados retornaram a Manaus. Devido à cromagem, bastante se destacavam. Assim, a apresentação do instrumental ocorreu em solenidade de formatura no CFAP, no Dia do Soldado de 1990, presente o comandante do Comando Militar da Amazônia (CMA) – general Santa Cruz, e seu assistente, general Taumaturgo Vaz.

sexta-feira, novembro 18, 2022

PMAM – BANDA DE MÚSICA (II)

 Acerca do salão de ensaio e dos espaços ocupados pela Banda de Música em quartéis da Polícia Militar do Amazonas, escrevi este capítulo para um pretendido livro sobre esta corporação musical.
 

AQUARTELAMENTOS & SALÃO DE ENSAIO

Músicos da Banda em apresentação, década de 1970


A posse do colossal aquartelamento de Petrópolis, inaugurado em novembro de 1971 pelo 1º BPM, sob o comando do tenente-coronel PM Flavio Rebello, redundou em novel ocupação policial de Manaus e a consequente expansão da corporação. O Cosme e Damião acabava assim de atingir a periferia, pois, até então policiava o Centro da cidade e um escasso entorno. Em tempo oportuno, a Banda iria ocupar dependência dessa edificação, aliás, um segmento insignificante e malcheiroso, que findou constituindo-se na paragem provisória/definitiva. 

Construído para abrigar os serviços da PMAM, então possuindo um efetivo próximo de 1.000 homens, seu idealizador, o arquiteto Severiano Mário Porto, talvez tenha “olvidado” das dependências para a Música. Ou, oxalá planejadas, foram alocadas em um dos pavilhões deixados de construir. Somente o projeto com as plantas devidas, ora em “local incerto e não sabido”, poderia aclarar essa controvérsia.

Em meado de 1972, ao remodelar o interior do quartel da Praça da Polícia, o coronel Paulo Figueiredo removeu a Banda para o 1º BPM, como segue conhecido o quartel de Petrópolis, apesar da presença hoje do comando superior da corporação. A despeito de imensos espaços vazios, dada a desproporção de efetivo existente, nele não foi ajeitado um local apropriado para os músicos regidos pelo 1º tenente Raimundo Alves Bezerra, o Bezerrão, devido sua contextura corporal.

Tenente Bezerra, em dois momentos

Em decorrência disso, mestre Bezerra passou a ensaiar os músicos em uma casa de madeira mal-ajambrada “com dois pavimentos, coberta de telhas de alumínio, dispondo de uma porta e um janelão de frente” nos dois pisos, medindo 6x12, existente na rua Aristides Rocha, aos fundos do 1º Batalhão. Esse terreno somente seria adquirido a Fernando França de Melo e esposa, em fevereiro de 1977, no comando do coronel EB Mário Perelló Ossuosky (1975-79).

Removida a Banda da rua Aristides Rocha para o 1º Batalhão, o imóvel foi ocupado pelo CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças), que ali permaneceu até ser instalado no quartel da Ponte da Bolívia (hoje Barreira), quando foi substituído pelo Pelotão de Polícia Feminina, em 1983. Ainda no mesmo ano, este pelotão foi alojado precariamente no quartel da Praça da Polícia, no espaço desocupado foi instalada a Creche Infante Tiradentes, iniciativa do coronel PM Hélcio Motta (1983-87), que ainda ocupa o referido edifício, em nossos dias amplamente modificado.

Esta breve rememoração obtive do sargento reformado Lucas de Souza (1933-), que ingressou na PMAM em 1962, nela permanecendo até 1986. Segue ele relembrando: a Banda foi transferida para o 1º Batalhão, ocupando uma dependência anexa aos xadrezes desta Unidade. Para encurtar a conversa, onde ainda se encontra a “briosa” Banda, com uma sutil distinção, na caserna o xadrez foi desativado (já não há lugar para preso disciplinar!), o recinto após relativo arranjo passou a abrigar os músicos. “Não há estímulo para se convidar alguém para visitar nossas acomodações”, lamenta-se o atual regente. E completa acabrunhado: “ao ocorrer uma inspeção ou visitação oficial, o vexame, então, é acabado”. Neste local os músicos permaneceram, até que... houve novo terremoto.

 

A Companhia de Polícia Rodoviária, em maio de 1993, teve sua extinção cumprida. Quando essa OPM (Organização Policial Militar) desocupou o aquartelamento, ainda existente no entroncamento das avenidas Constantino Nery com Djalma Batista, cujo Elevado de Flores serve de referência, a Banda de Música ensaiou sua ocupação. Era seu regente, o tenente Francisco das Chagas de Souza Lima (1987-94). Todavia, não conseguiram se estabelecer na edificação, depois de circular pelo Japiim, voltaram para o quartel de Petrópolis.

quinta-feira, novembro 17, 2022

PMAM – BANDA DE MÚSICA (I)

 Acerca do salão de ensaio e dos espaços ocupados pela Banda de Música em quartéis da Polícia Militar do Amazonas, escrevi este capítulo para um pretendido livro sobre esta corporação musical.
 

AQUARTELAMENTOS & SALÃO DE ENSAIO

 

Antigo quartel da Praça da Polícia, onde a
Banda de Música ocupava a sala limitada
pela três janelas do térreo

A fim de melhor expandir este tópico, reitero: quando do surgimento da Banda em meado de 1893, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) já ocupava o quartel da Praça da Polícia. Ainda com a estrutura bem acanhada, bem provincial, mas certamente capaz de acomodar o reduzido Corpo Policial, nele inserido o ofício musical. O prédio adquirido pelo governo provincial e herdado pela cidade serve atualmente de sede ao Palacete Provincial. É fácil, portanto, imaginar a arquitetura ocupada pela Polícia Estadual. Olhando-se de frente, a partir da direita, contando-se três janelas, tem-se o primitivo Palacete Garcia, que existiu até 1895, quando o governador Eduardo Ribeiro inaugurou a expansão conhecida.

Isso dito, é fácil concluir que a partir da expansão a Banda de Música dispunha de uma sala adequada para os ensaios e para a guarda do instrumental. Mesmo que duas Bandas tenham servido à corporação, o número desses artistas (ainda incerto) não era expressivo. Como se reconhece, um mesmo regente ocupava a direção dos dois conjuntos, enquanto estes existiram. E não foram por muitos anos.

A decadência estadual em função da bancarrota da borracha também quebrou a Força Estadual e sua corporação musical. Disso resultou a redução do número de policiais e, desse processo, tornou o aquartelamento bastante espaçoso. Era desse modo que a Banda prosseguia ensaiando no quartel da Praça da Polícia. Tamanha extensão no local possibilitou ao governo estadual, encampando o serviço de Bombeiros, abrigar este no mesmo quartel, ao findar dos anos 1910. Em 1924, a Rebelião de Ribeiro Junior apoderou-se do Palácio do Governo e do quartel da Praça, porém, somente transmudou a denominação da Polícia Militar. Tudo persistiu como dantes no quartel do capitão PM Martins da Silva, galgado ao posto de coronel pelo Governador Militar.

A ditadura de Vargas extinguiu a Força Policial do Amazonas, no final de 1930. Sem dúvida, a música atravessou o ritmo ao perder o local de trabalho, a sala de ensaio e, pior, o soldo. Os músicos, que não se retiraram de Manaus ou assumiram outros empregos, como um bando, seguiram tocando para sustentar a si e aos familiares. Contam as pontes de Manaus que estes se apresentavam até nas esquinas, daí a alcunha granjeada: “banda dos abandonados”.

Decorridos seis anos, a Força Policial foi restaurada. Consolidado o decreto governamental, o comandante da corporação, entusiasmado ao extremo pela venturosa conquista, deu-se conta de que não possuía quartel. O da praça transmudara-se em Escola Normal e Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Restava somente a Invernada, espaço localizado na Praça 14 de Janeiro, onde funcionara a cavalaria e, em razão disso, era conhecido por “Piquete”. Ponto de referência: área da Maternidade Balbina Mestrinho e do, em nossos dias, quartel do CPM (Comando do Policiamento Metropolitano), que já foi da Rádio Patrulha, do 4º BPM e outros quejandos.

O jeito manauara, todavia, funcionou para aquartelar os policiais, tão reduzidos por ocasião dessa restauração. O comando da corporação ocupou o quartel do Corpo de Bombeiros, então funcionando na avenida Sete de Setembro. Lembro que este edifício foi ocupado por estes abnegados até o ano de 1974 e que, atualmente, o prédio arruinado encontra-se bloqueado por tapumes, em vias de desmoronar.

Diverso do quartel da Praça da Polícia, o da avenida Sete era bastante acanhado para o efetivo que foi obrigado acolher. Por isso, não tenho como assegurar que a Banda ali se instalou e, pior, se pode ensaiar, mesmo que precários fossem os músicos. Dois anos adiante, porém, o quartel da Praça foi parcialmente liberado, quando o Grupo Escolar foi transferido para a avenida Joaquim Nabuco, onde ainda se encontra. A tropa da Polícia, então, retornou ao térreo do velho “ninho”, com a atravancada situação de que o salão superior seguia tomado pelas normalistas. Como ensaiar? Sem perturbar as alunas da Escola Normal? Não há informação. Apenas conjecturas.

Músicos posam para foto na década de 1950

É sabido que, em 1940, o Governo deu início à construção do Instituto de Educação do Amazonas (IEA), concluído dois ou três anos depois. E mais. Os policiais deram substancial ajuda na edificação, a fim de se verem libertos das normalistas. Ufa... Em 1942, no comando do major EB Gentil João Barbato, a Banda de Música ocupou então uma ampla sala de “canto”, da qual se divisava Praça da Polícia e a Rua José Paranaguá. Salão de cerca de 90 metros quadrados, suscetível de abancar com relativa comodidade e técnica os músicos nos ensaios e apresentações. O salão dispunha ainda de uma reserva para a guarda de instrumentos e materiais administrativos. Finalmente, um salão para chamar de “seu”.

A despeito de oferecer restritos elementos técnicos e básicos, este espaço atendeu à corporação musical por extenso período. Acola a encontrei ao ingressar na PMAM, em 1966, sob a regência do tenente Ernani Puga (1963-67). O comandante-geral, tenente-coronel EB Paulo Figueiredo, rearranjando as dependências internas, em 1972, repaginou o centenário edifício. À ocasião, a Banda iniciou um périplo sinistro, ao ser transferida para o quartel construído no bairro de Petrópolis, destinado à sede da corporação. (segue)

terça-feira, abril 12, 2022

BANDA DE MÚSICA: BOMBEIROS DO PARÁ

 Compartilhado do livro O Corpo de Bombeiros do Pará. 2ª ed., de José Menezes, editado em 2007, e o fiz não para desmerecer ao maestro, mas para lembrar a passagem de um Itacoatiarense pela batuta militar em Belém. Não obstante minhas súplicas ao historiador da Velha Serpa Francisco Gomes, nada sei do Bruce. Fica o registro. 

A musa existente na
praça diante do antigo Paço Municipal

Começa nessa época um período de lutas políticas e revoluções, restando desse tempo pouquíssima informação sobre a Banda de Música.

Em 1917, era diretor da Banda de Música o 2° tenente Themistocles dos Santos Bruce, um amazonense de Itacoatiara. "Era um analfabeto, carrancista como um capataz de engenho do Brasil colonial..." descreveu-o o tenente Drago, acrescentando: "Desenhava o nome... Não lia os conteúdos alfabéticos, mas lia bem música e tinha o dom de decorar a instrumentação das peças que regia, a ponto de sentir, de ouvido, quando um músico deixava de tocar ou tocava mal alguns compassos ou trechos da partitura"

sexta-feira, fevereiro 18, 2022

PMAM: UM MAESTRO DA BANDA

 De retorno às anotações para o livro sobre a Banda de Música, aproveitei os dados sobre o falecido maestro Manuel Belarmino da Costa para esta postagem. Nascido em Belém/PA, seu nome integra o livro Música e Músicos do Pará, de Vicente Salles.

Fragmento do tópico sobre Belarmino no livro de Salles

Belarmino (seu nome de guerra) nasceu na cidade marajoara de Soure (PA), em 24 de agosto de 1907, filho de Adolfo Gonçalves da Costa e de Gaudência Miranda da Costa. Ainda naquela cidade começou os estudos musicais com o espanhol Manuel Puga Rivera, já referido neste trabalho. Obviamente, depois que Puga foi-se de Manaus, onde integrou a Banda amazonense.

Salles registra que Belarmino foi aluno de Rivera. No entanto, em 1909, Rivera encontrava-se alistado na Banda de Música da PMAM, em Manaus. E nela permaneceu até 1924. Se não mais (?) voltou... e tendo morrido em Manaus... Outro desencontro: os arquivos policiais indicam que Belarmino esteve em Manaus, integrando a Banda local por três anos. Teria vindo a convite de Rivera e, sim, aqui sendo instruído?  É fato que retornou a Belém, mudou-se para São Luís do Maranhão, onde ingressou no 24º BC. Mais adiante, transferiu-se para o 26º BC, retornando a Belém.

Capa do livro de Vicente Salles

Em 1932 (aos 25 anos), esteve em São Paulo participando (?) da Revolução Constitucionalista. Somente em 1944 (22|05) regressou à Belém, quando foi incluído na Polícia Militar do Pará, na condição de sargento-ajudante músico. Breve alcançou o oficialato e, sendo 2º tenente, passou a dirigir a Banda; enfim, no final dos anos 1950, passou para a reserva como capitão. Detalhe: foi com esta patente que, em 1960, visitou Manaus, tendo se apresentado no quartel da Praça da Polícia, sem que o livro competente tenha registro o fim da visita.

Contemporâneos seus lembram-se dele: de baixa estatura (1m65), branco (faioderme, na tipologia mais antiga) e, pormenor, com uma respeitável cabeleira, que lhe compunha a postura de maestro. Durante o ano de 1961 dirigiu a Banda de Música da PMAM, todavia, inexiste qualquer registro sobre a passagem deste profissional pelo conjunto amazonense. Como é notório, logo retornou a capital paraense. Já reformado, reorganizou a Banda dos Bombeiros do Pará, em 1966. Faleceu em Belém, em 9 de agosto de 1983, aos 76 anos.


segunda-feira, outubro 11, 2021

NOTA SOBRE A BANDA DA PMAM

 Em janeiro de 1970, o comando da Polícia Militar do Amazonas aprovou a criação do Jazz-Band, obviamente na Banda de Música, então sob a regência do tenente Raimundo Bezerra. Destinava-se a atender os contratos com interessados, e não eram poucos, que se valiam do corpo musical da PMAM para animar suas festas. E, para atender à clientela, entregou essa fração com os mais destacados músicos à chefia do contramestre Pedro da Costa Soeiro.

Brasão do 1º BPM, quartel onde há anos a
Banda de Música está alojada  
Lamento informar que não obtive a data de sua dissolução, que deve ter se extinguido seja pela aposentadoria de integrantes, seja pela mudança na direção do próprio corpo de música.

 

Extrato do Boletim Interno, com a relação dos músicos

Pistonistas:  

1º sargento 3 - Francisco de Sales Araújo;

3º sargento 12 - Jehoshuá Peixoto dos Santos e

soldado 767- Flório Florêncio Queiroz.

 

Trombonistas:

1º sargento 5 - Antônio Francisco Gonçalves do Souza e

1º sargento 15 - Oscar Albuquerque dos Reis.

 

Saxofonistas:

2º sargento 26 - José Ribamar de Lima Melo;

2º sargento 37 - Raimundo Sena Ferraz;

3º sargento 63 – Rafael da Silva Teixeira e

3º sargento 95 - Evandro da Rocha Freitas.

 

Baterista:

3º sargento 59 - Paulo Ribeiro dos Santos.

 

Contrabaixista:

3º sargento 54- João Sacramento dos Santos

 

Guitarrista:

3º sargento 50- Carlindo Lopes dos Santos. 

 

Ritmista:

cabo 163 - João Ferreira Dourado.

 

segunda-feira, agosto 09, 2021

LUTO: TENENTE MÚSICO CÂNDIDO (1952-2021)

Faleceu ontem, em dependências do Hospital 28 de Agosto, o tenente músico José Cândido Figueiredo, na reserva desde 2006. Nascido em 1952, era filho de outro músico, João Cândido (vivo aos 93 anos) e Maria de Nazaré Figueiredo, tendo ingressado na Polícia Militar do Amazonas e, por óbvio na Banda de Música, em janeiro de 1972.
João (pai) e José Cândido

Alcançou o último posto da graduação, em 1996, quando promovido a subtenente, passando a dirigir aquela unidade musical, em substituição ao tenente Arimateia Souza e Silva.  

Em setembro de 2002, foi contemplado com o posto de 2º tenente, e mantido na regência da Banda até sua inatividade, então substituído pelo tenente Valério da Silva.

O velório acontece na Funerária São Francisco, com o sepultamento marcado para as 16 horas, no cemitério de São Francisco, no Morro da Liberdade. 


Prof. Bernardo, coronel Roberto, João e
José Cândido Figueiredo (da esq. para dir.) 

Para uma retrospectiva sobre a Banda de Música da PMAM – coronel Afonso de Carvalho –, estive acompanhado do professor de música Bernardo, da UEA, conversando com o José e o João (filho e pai), há pouco mais de dois meses. O registro aqui estampado lembra aquele momento, que espero fixar na memória da Banda.

Siga para o Senhor sob os acordes dos anjos, Maestro Cândido!

 

terça-feira, maio 25, 2021

FESTIVA MANHÃ COM MÚSICOS

Minha disposição para concluir o trabalho sobre a Banda de Música da PMAM me levou hoje a dois Músicos bem antigos: João Candido Figueiredo Filho que, em 12 próximo, completa 94 anos de idade. O segundo era o José Candido de Figueiredo, filho do primeiro. Fui à residência do João acompanhado do Bernardo, professor de Música na UEA.

João nasceu no Varre Vento, em 1927, e chegou na Polícia Militar em 1953, na primeira grande enchente amazônica. Tocador de clarinete, alcançou a graduação de subtenente, quando foi reformado em 1980. Seu filho José foi mais além, nascido em Manaus, em 1952, ingressou na corporação em 1972. Alcançou o posto de segundo tenente em 2002 e exerceu a direção da Banda de Música entre 1996 a 2006.  

João, apesar das dificuldades naturais da idade, em especial de audição, ofereceu-nos boas informações sobre a corporação musical, e se alegrou com a recordação de velhos parceiros de festejos e de boas marchas. Voltaremos breve.

Compartilho algumas fotos do álbum de família e do registro da festa matutina.

João, ao ingressar na PM, em 1953


João, caricaturado pelo Palheta


As conquistas do João na Banda

Bernardo, João, José e Roberto
(a partir da esq.) 

quinta-feira, dezembro 10, 2020

PMAM: BANDA DE MÚSICA EM 1967

 O Almanaque da Polícia Militar do Amazonas referente ao ano de 1967, traz a relação dos integrantes da Banda de Música da corporação. Este compartilhamento permite algumas observações: são 29 graduados, porém, o número deveria ser maior, pois a relação não inclui os cabos e soldados. Deste efetivo, 13 – quase 50% – eram nascidos em outros Estados. Apenas um tem indicado o grau de ensino, por bacharel em Economia.

O maestro era o tenente comissionado Ernani Puga, então oficial da reserva do Exército, que havia dirigido a Banda do 27 BC. Este dirigente permaneceu entre 1963 e 67, quando foi substituído pelo subtenente Bezerra. 

Banda da PMAM sob a regência do tenente Bezerra,
contando com alguns dos abaixo relacionados

SUBTENENTE

RAIMUNDO ALVES BEZERRA

Natural do Ceará, em 02|06|1930. Incluído em 15|07|1956. cabo músico em 26|03|1956; 3º sargento em 24|01|1959; 2º sargento em 11|08|1961 e subtenente (concurso) em 16|10|1963.

 

SUBTENENTE

RAIMUNDO ALVES BEZERRA

Natural do Ceará, em 02|06|1930. Incluído em 15|07|1956. cabo músico em 26|03|1956; 3º sargento em 24|01|1959; 2º sargento em 11|08|1961 e subtenente (concurso) em 16|10|1963.

PRIMEIROS SARGENTOS

1 - ZENILDO PINTO DO NASCIMENTO - Nasceu neste estado em 16|06|1930. Incluído em 06|06|1949. Cabo em 13-02-1950; 3º sargento em 31-07-1950; 2º sargento em 30|11|1950 e 1º sargento em 21-06-1954.  Bacharel em Ciências Econômicas.

2 – FRANCISCO SALES DE ARAUJO - Nasceu no Piauí em 02-03-1931. Incluído em01|02|1955. 2º sargento em 26-03-1956. 1º sargento em 24|01|1959.

3 - PEDRO DA COSTA SOEIRO - Nasceu no Pará em 14|02|1925. Incluído como 3º sargento em 10-04-1959. 1º sargento em 11-08-19,561.

4 - ANTONIO FRANCISCO GONÇALVES DE SOUZA - Nasceu neste Estado em 05-02-1927. Incluído como 3º sargento em 10-04-1959; 2º sargento em 11|08|1961 e 1º sargento em 31|12|1962.

5 - ANTONIO MARCELINO DE LIMA - Nasceu em Pernambuco, em 20|09|1922. Incluído em 01-07-1960, como 3º sargento; 1° sargento em 31-12-1962.

6 - WASNES DANTAS SOARES - Nasceu no Território Federal do Guaporé, em 04-05-1926. Incluído em 15-06|1951. Excluído a 22-6-1955. Reincluído a 26|03-1956, como 3º sargento; 2° sargento em 24-1-1959 e 1º sargento em 01-07-1963.

7 - MANOEL FREIRE DOS SANTOS - Nasceu no Pará, em 05-01-1927. Incluído em 08|09|1951. Cabo em 07-04-1953; 2º sargento em 24-01-1959. 1º sargento em 25|11|1966.

8 - OSCAR ALBUQUERQUE DOS REIS - Nasceu no Pará, em 07-11-1931. Incluído em 01|08|1962. 3º sargento em 31-12-1962. 1º sargento em 25|11|1966.

SEGUNDOS SARGENTOS

1 - ANTONIO GOMES DE OLIVEIRA -Nasceu neste Estado, em 05|05|1928. Incluído em 05|07|1951. 3º sargento em 02|01|1952 e 2º sargento em 24|01|1959.

2 – JOSÉ DE ALENCAR MONTEIRO - Nasceu neste Estado, em 22|03|1929. Incluído em 17|04|1952. Cabo em 31|12|1953; 3º sargento, em 31|08|1954 e 2º sargento em 31|12|1962.  

3 - TRAJANO VAZ FREIRE - Nasceu no Território Federal do Guaporé, em 20|02|1932. Incluído em 04|10|1955. Cabo em 13|12|1957; 3º sargento em 11|08|1961 e 2º sargento em 02|03|1963.

4 - MOISES FERREIRA BORGES - Nasceu na Paraíba, em 04|10|1931. Incluído em 07|03|1955. Cabo em 24|01|1959; 3º sargento em 31|12|1962 e 2º sargento em 01|07|1963.

5 - ALBERTO OLIVEIRA ALMEIDA - Nasceu no Acre, em 09|02|1931. Incluído em 01|12|1959. Cabo em 25|08|1960; 3º sargento em 11|08|1961 e 2º sargento em 01|07|1963.

6 - JOSÉ RIBAMAR DE LIMA MELO - Nasceu neste Estado, em 25|10|1928. Incluído em 02|05|1960. 3º sargento em 24|05|60 e 2º sargento em 18|01|1964.

7 - BENJAMIN MACHADO DE OLIVEIRA - Nasceu neste Estado, em 03|08|1932. Incluído em 06|07|1960. Cabo em 25|08|1960; 3° sargento em 31|10|1962 e 2° Sargento em 18|01|1964.

8 - JOÃO CANDIDO DE FIGUEREDO FILHO - Nasceu neste Estado, em 12|06|1927. Incluído em 16|07|1953. Cabo em 24|01|1959; 3 º sargento em 31|12|1962 e 2° sargento em 25|11|1966.

9 – FRANCISCO PORFIRIO DE SOUZA - Nasceu neste Estado em 20|11|1933. Incluído em 07|04|1960. 3° sargento em 31|12|1962 e 2° sargento em 28|03|1967.


Banda desfila em Itacoatiara (AM),
em data desconhecida

TERCEIROS SARGENTOS

1 - JOSÉ DE ANDRADE CHAGAS - Nasceu no Acre, em 15|02|1931. incluído nesta PM em 01|12|1959. 3° sargento em 31|12|1962.

2 - NELSON WANGHON - Nasceu no Pará em 28|12|1923. Incluído em 22|01|1960. 3° sargento em 31|12|1962.

3 - CARLINDO LOPES DOS SANTOS - Nasceu neste Estado, em 17|11|1930. Incluído em 16|05|1960. 3° sargento em 31|12|1962.

4 - ALBINO ANTÓNIO DE FREITAS - Nasceu neste Estado, em 22|07|1927. Incluído em 07|10|1960. 3° sargento em 31|12|62.

5 - FRANCISCO TAVEIRA - Nasceu neste Estado, em 22|07|1926. Incluído em 22|04|1957. Cabo em 25|08|1960. 3° sargento em 02|03|1963.

6 - PAULO RIBEIRO DOS SANTOS - Nasceu neste Estado, em 07|06|1935. Incluído em 09|05|1960. 3° sargento em 15|04|1963.

7 – JOÃO SACRAMENTO DOS SANTOS - Nasceu neste Estado, em 24|12|1924. incluído em 03|03|1958. Cabo em 24|01|1959. 3º sargento em 01|07|1963.

8 - RAFAEL DA SILVA TEIXEIRA - Nasceu neste Estado em 24|10|1930. Incluído em 15|04|1963, 3° sargento em 18|01|1964. 

9 - SECUNDINO CORREA DA ROCHA - Nasceu neste Estado em 18|02|1928. Incluído em 15|04|1961. Cabo em 31|02|1962. 3° sargento em 28|02|1964.

10 - OSIRES DE OLIVEIRA COELHO - Nasceu no Pará, em 02|01|1937. Incluído nesta PM em 01|04|1963. Cabo em 01|07|1963. 3° Sargento em 25|11|1966.

11 - EVANDRO DA ROCHA FREITAS - Nasceu neste Estado, em 15|10|1924. Incluído em 17|02|1964. 3° sargento em 28|03|1967.