CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, maio 28, 2023

MANAUS: CENAS DA DÉCADA DE 1950

 

Lateral do Teatro Amazonas e Av. Eduardo Ribeiro

Praça da igreja (em construção) do bairro de Educandos
com primitivos ônibus na estação

As duas fotos (esq.) mostram a rua Major Gabriel, margeando o igarapé de Manaus.
(à direita), dois prédios demolidos: Secretaria de Saúde e palácio Miranda Correa.

segunda-feira, abril 17, 2023

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (24)

Mais um capítulo sobre a história da Guarda Policial, hoje Polícia Militar do Amazonas, no período provincial, compartilhado do meu almejado livro Guarda Policial (1837-1889).

Posse do Major Gabriel

Exonerado, o presidente Passos Miranda aproveita a Exposição de praxe na passagem deste encargo em 27 de maio de 1876, ao 2º vice-presidente, major (Guarda Nacional) Gabriel Antônio Ribeiro Guimarães, e registra a organização da Guarda Policial. Sem qualquer novidade. Unicamente ratifica que a elaborou em decorrência da lei 339, de 26 de abril anterior; deu-lhe regulamento e nomeou os primeiros comandantes. Major Gabriel logo passa o governo provincial ao 1º vice, Nuno Cardoso.

A rua Major Gabriel, cujos quarteirões iniciais margeiam o igarapé de Manaus, ligando o Centro, a partir da avenida Sete de Setembro, ao cemitério São João Batista, ainda mantém a homenagem a este olvidado governante.

Extinção de Incêndios, hoje Corpo de Bombeiros

Em 11 de julho de 1876, ocorreu a regulamentação do serviço de combate a incêndios, baixada pela Portaria 268–1ª Seção com as Instruções para extinção de incêndios. Esta primitiva legislação teve a sanção do 1º vice-presidente provincial, Nuno Cardoso.

Ainda que embrionário, o serviço contava (art. 1º) com um instrumento típico das igrejas católicas – o sino! Recurso que foi substituído pela sirene de fábricas e indústrias, e utilizado na cidade até a metade do século passado. Aos nossos olhos, quanta prosperidade desde então. O instrumental sonoro da igreja dos Remédios e da Matriz acasala-se com a rudimentar técnica e o incipiente equipamento para originar o próspero Corpo de Bombeiros Militar de nosso século. O primeiro dirigente, na condição de diretor das Obras Públicas (art. 3º), foi Joaquim Leovigildo de Souza Coelho, então major de engenheiros, conforme Bombeiros do Amazonas (2013).

Reproduzo os mencionados artigos:

Art. 1º - Logo que haja incêndio, as igrejas darão sinal do bairro em que ele se manifeste do seguinte modo:

Uma badalada para o bairro de S. Vicente;

Duas ditas para o do Espírito Santo;

Três ditas para o da Campina;

Quatro ditas para o dos Remédios; Cinco ditas para o de Nazaré.

E tocarão logo depois vinte badaladas compassadas e seguidas. (...)

Art. 3º - Todo o serviço de extinção do incêndio ficará exclusivamente a cargo do diretor das Obras Públicas ou de quem suas vezes fizer.

 

É adequado esclarecer que, embora não ocorresse a criação de uma corporação, especialmente militar, ou sequer uma instituição com finalidade própria de combater o fogo, ocorreu, sim, a normatização, o disciplinamento de atividades inerentes. Algumas já observadas, ainda que mal executadas. Como exemplo, a regularização da atividade dos aguadeiros (vendedores de água), então o elemento mais conveniente no combate ao fogo, cuja atividade o Código de Posturas municipal já disciplinava desde 1874.

quarta-feira, abril 17, 2019

ATRAÇÃO TURÍSTICA DE ONTEM

Retalho do citado matutino

Dois parágrafos para situar o ponto de referência deste “imóvel”. Vi-o muitas vezes, ao transitar pela primeira ponte da avenida Sete de Setembro, entre a rua Major Gabriel e Igarapé de Manaus. Servia de atração aos turistas que, de máquina fotográfica em punho, sempre tomavam uma lembrança da mirabolante edificação. Não sei quando ruiu. Mas houve, posteriormente, outra cópia dessa esquisitice.
O texto compartilhado foi escrito com bastante verve, comum em jornalistas, pelo pessoal de A Gazeta  (edição de 4 de novembro de 1963). 

CARTÃO POSTAL PARA TURISMO ABSTRATO 
Não é pagode chinês. Tampouco uma palafita e muito menos, embora pareça, um pombal em estilo modernista. Entre o asfalto da [rua] Major Gabriel e o leito seco do igarapé da Primeira Ponte, a residência se ergue contrariando todas as regras arquitetônicas.
Tem leme, proa, passadiço, aviso aos navegantes. Mas não é navio. Também possui telhado. Na falta de simetria, pode ser encontrada muita beleza. Em seus seis andares, um pouco de majestade sobre os humildes flutuantes da margem oposta. Oscar Niemeyer e Lúcio Costa perderam o cartaz. Se Juscelino [Kubistchek] soubesse. Brasília seria bem diferente...