CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

10 de abril de 2018

BRASILJUTA – NOTAS HISTÓRICAS



No início da década de 1950, Adalberto Valle promove a implantação do Hotel Amazonas e da Brasiljuta, em Manaus. Diante da necessidade de sacaria, empenhou-se no aproveitamento da plantação da juta no Amazonas.
Brasiljuta - Cartão Postal de A Favorita
Sua empresa cresceu enquanto não surgia um competidor. Este concorrente revelou-se em 1981, com o aparecimento dos sacos de polipropileno e rafia. Este material foi desbancando a juta gradativamente.
Trinta anos depois, houve uma séria mudança na empresa que, renovando-se, modificou a razão social para Brasjuta. Tal aconteceu diante do novo apelo pelo desenvolvimento sustentável. No entanto, em 2016, fechou a fábrica no PIM e arrumou-se na rodovia Manoel Urbano.  
As notas abaixo retirei da Revista Primeiro Centenário da Associação Comercial do Amazonas, circulada em 18 junho 1971. 

COMPANHIA BRASILEIRA DE FIAÇÃO E TECELAGEM DE JUTA

Dentro do programa de recuperação da Amazônia, nasceu a ideia da instalação de uma moderna fiação e tecelagem de juta, na própria fonte da matéria-prima, isto é, Manaus no Estado do Amazonas. Nesse sentido, o Dr. Adalberto Ferreira do Valle iniciou estudos necessários, tendo como principais colaboradores em São Paulo, os Srs. John Buxton e Júlio da Cruz Lima e, em Manaus, os Srs. Isaac Sabbá e Erminio Fernandes Barbosa. Posteriormente, aliou-se a essa iniciativa, a convite do Dr. Adalberto Valle, o Dr. Mario Expedito Neves Guerreiro.
Em 14 de abril de 1951, após convocação pela imprensa local, reuniram-se em Assembleia Geral de Constituição, na sede da Associação Comercial do Amazonas, à rua Guilherme Moreira, 281, às 16 horas, sob a liderança e entusiasmo de Adalberto Valle e dos principais incorporadores da empresa. Assumiu a presidência da reunião o Dr. Adalberto Valle, convidando para secretariar os trabalhos os Drs. Lucio Fonte de Rezende e Mário Expedito Neves Guerreiro.
Inegavelmente, a Companhia Brasileira de Fiação e Tecelagem de Juta – Brasiljuta foi o primeiro marco de industrialização no Amazonas.
Em janeiro de 1954 foram inauguradas as instalações industriais da empresa, com a presença do presidente da República, na ocasião o Sr. Getúlio Dornelles Vargas. Daquela data em diante, passou a Brasiljuta a produzir fios, telas e sacaria para todos os consumidores nacionais.
Em 12 de janeiro de 1957, o Dr. Adalberto Ferreira do Valle, pretendendo dedicar-se a outros empreendimentos, resolveu vender o controle acionário para o Grupo Empresarial União Manufatura de Tecidos, no Rio de Janeiro, com sede na avenida Rio Branco, 250 20º andar. Naquela data foi constituída a nova Diretoria, tendo como presidente, Numa de Oliveira; vice-presidente, Álvaro Souza Carvalho; diretor-superintendente, Sr. Joao Lucio de Souza Coelho; diretor-gerente, Sr. José Rebuzzi e diretor-comercial, Dr. Mário Expedito Neves Guerreiro (foto A Crítica, 0ut. 2015) 
Esses novos dirigentes da Brasiljuta, com grande experiência do ramo, passaram a reestudar o funcionamento da empresa em novos moldes técnicos, administrativos e comerciais, tendo como consequência, em janeiro de 1961, iniciada a ampliação da fábrica para o dobro de sua capacidade de produção.
A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, reconhecendo o alto trabalho da empresa e o dinamismo de sua Diretoria, resolveu eleger em 1969, como Industrial do Ano, o Dr. Mario Lucio de Souza Coelho, Diretor-Superintendente da Brasiljuta.
A nova Diretoria, composta hoje [1971]dos Srs. Álvaro Souza Carvalho, diretor-presidente; Dr. João Lucio de Souza Coelho, diretor-superintendente; Dr. Geraldo Martins Ourivio, diretor-financeiro; Sr. José Rebuzzi, diretor-gerente e Dr. Mario Expedito Neves Guerreiro, diretor-comercial, continua dedicada a industrialização da fibra de juta do Amazonas, confiante de que essa primeira atuação industrial criara uma mentalidade ao trabalhador amazonense, preparando-o para outros e grandes empreendimentos da área.
 A Brasiljuta, hoje, emprega mais de 1.000 operários, possuindo creche, ambulatório médico, funcionando 24 horas, gabinete dentário, centro de recreação dos operários e tudo o mais necessário para uma perfeita assistência aos seus empregados.
Ainda por iniciativa do Dr. Adalberto Ferreira do Valle e proporcionando inteira segurança à cultura da juta, já através da aquisição de suas safras, já por meio de abundante distribuição de sementes e até mesmo de financiamentos específicos, foi instalado em Manaus, nas proximidades do aeroporto internacional de Ponta Pelada, uma das mais modernas tecelagens de juta ainda hoje existentes no Brasil. Através de sucessivas ampliações, apresenta-se, atualmente, com as enormes dimensões reveladas pela fotografia panorâmica, que ilustra a presente nota.
O grande jutifício amazonense é de propriedade e está sendo operado pela Companhia Brasileira de Fiação e Tecelagem de Juta, presidida pelo Sr. Álvaro de Souza Carvalho, e gerenciada em Manaus por um dos seus esclarecidos diretores, o Dr. Mário Expedito Neves Guerreiro, atualmente presidindo a Diretoria desta Associação Comercial.