CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

20 de junho de 2013

CRIAÇÃO DO NPOR, EM MANAUS


O Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), de Manaus, foi criado consoante o Aviso ministerial nº 2.342, de 11 de setembro de 1942. Com o apoio do Governo Estadual, foi instalado no prédio que abrigava o Grupo Escolar Marechal Hermes, situado à rua José Clemente, quase esquina da avenida Eduardo Ribeiro. Demolido na década de 1970, o GE cedeu lugar ao edifício da Rádio Rio Mar.
Com efetivo inicial de 100 alunos, o NPOR teve como primeiro diretor o coronel Gontran Jorge Pinheiro Cruz e, como instrutor-chefe, o capitão Luiz de França Oliveira.
A formatura da primeira turma de aspirantes a oficial de 2ª classe de Infantaria aconteceu em 25 de agosto de 1944. Nesta turma, foram diplomados apenas 45 alunos, dos quais o 1º lugar coube ao Al Roderick de Castelo Branco. O Baile de Gala, tradicional dos festejos, foi realizado na sede do Ideal Clube.
Com essa turma, porém, o Núcleo encerrou suas portas. Apenas em 1962, retomou à atividade ocupando o aquartelamento do então 27º BC, hoje 1º BIS, situado no bairro de São Jorge. Ainda assim, levou três anos para iniciar a segunda turma, que foi diplomada em março de 1966.

Para melhor explicar a fundação desse Núcleo, recorri ao Jornal do Commercio (10 outubro 1942), cuja reportagem transcrevo.

 

Forja de soldados da estirpe de Caxias, escola de civismo, brio e disciplina

O que é a obra do Núcleo de Preparação de Oficiais da
Reserva, de Manaus

 
A reportagem desta folha, no objetivo de trazer ao público informações detalhadas sobre o trabalho, de alta expressão cívica e patriótica, que se realiza no Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), de Manaus, esteve, na manhã do último sábado, em visita ao quartel da nova unidade de ensino militar, à rua José Clemente, no prédio onde funcionou o Grupo Escolar Marechal Hermes (hoje, no local, o edifício Rádio Rio Mar), cedido pelo governo estadual.

Havia enorme interesse geral girando em torno das atividades do NPOR, e foi para satisfazer esse interesse, no cumprimento de nosso dever de imprensa, que obtivemos a oportunidade de visitar o quartel-escola onde 100 moços amazonenses, bacharéis em direito, acadêmicos e portadores de diploma de conclusão de curso ginasial, preparam-se, por meio de intenso e severo treinamento, para o serviço da pátria, como oficiais da reserva do glorioso Exército.

Quando o ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra, criou o NPOR de Manaus, anexo ao 27º Batalhão de Caçadores, veio ao encontro de antiga aspiração da juventude do Amazonas, muitas vezes agitada e debatida nas assembleias de seus órgãos de classe, cujo clima espiritual é – justo se faz acentuar – de compreensão, de inteligência, de perfeito entendimento dos deveres dos moços para com o Brasil principalmente neste momento de perigo e de alerta, quando todos os valores morais da nação estão mobilizados para a guerra santa em que nos empenhamos contra a barbárie e a violência totalitária.

Por isso mesmo, desde logo foi aberta a matrícula à nova unidade imediatamente os candidatos ultrapassam o número de inscrições, que o general Dutra estabelecera em 100 vagas, e não poderia haver melhor material humano para forjar verdadeiros soldados brasileiros, homens úteis à pátria, à sociedade e à família, briosos e disciplinados, do que a mocidade que acorria a engrossar as fileiras do NPOR.

Mais do que uma caserna, o NPOR é uma escola – uma escola de civismo, de bravura, de dedicação, de ordem, de energia, de espírito de sacrifício, de todas as virtudes de militar e cidadão que são a constante do soldado brasileiro, as virtudes paradignárias (sic) de Caxias.

Atenciosamente recebida pelo tenente Paulo Ramos, um dos auxiliares do NPOR de Manaus, o redator-secretário de O Jornal e do Diário da Tarde, quando de sua visita ao quartel-escola da rua José Clemente, teve ocasião de percorrer todas as suas dependências, das salas de aulas à reserva de armamento, da secretaria ao corpo da guarda, tudo viu, de tudo indagou, e não poderia ser melhor a impressão que trouxe.

Na sede do NPOR está sendo realizada uma tarefa da mais elevada significação patriótica, digna de ser conhecida por todos, para que todos possam admirá-la, e é admirável, também, o entendimento, o sentido superior de cooperação que há entre instrutores e alunos, entre comandantes e comandados, objetivando um fim igual: preparação eficiente para o serviço do Brasil.

É instrutor-chefe do NPOR de Manaus o capitão Luiz de França Oliveira, oficial dos mais competentes do Exército, e são instrutores-auxiliares os tenentes Paulo Ramos e José da Costa Cavalcante, sendo diretor da unidade o ilustre coronel Gontran Jorge Pinheiro Cruz, que orienta o seu funcionamento.

Recebendo o jornalista no seu gabinete de trabalho, o capitão França insistiu em afirmar que o aproveitamento dos alunos é plenamente satisfatório, numa porcentagem que praticamente pode ser algarismada em 100%, e frisou que o desenvolvimento e a instalação do NPOR de Manaus em bases estáveis, definitivas, devem-se ao auxílio econômico que lhe deu o governo estadual, abrindo, com aprovação do Departamento Administrativo, um crédito especial para a aquisição do material indispensável, reforma imperiosa no edifício do antigo Grupo Escolar Marechal Hermes e outras necessidades.

Esse auxílio depõe a favor da Interventoria, que assim testemunha o seu interesse pela segurança e pela defesa do Brasil, ao mesmo tempo, dá valioso amparo à causa da mocidade. 

O jornalista, como já se disse, tudo viu, tudo examinou, sempre acompanhando pelo tenente Ramos, que lhe fornecia todas as informações solicitadas. Examinou os perfeitos fichários da entidade, por eles apercebendo, de um lance, a vida em síntese da coletividade e de cada um de seus soldados. Examinou programas quinzenais de ensino e instrução, desde as aulas de teoria às formações de manobras militares aos treinamentos de cultura física. Examinou as notas de aulas, documento valiosíssimo que cada aluno, quando oficial, guardará da matéria lecionada durante o curso. Percorreu a sala de transmissões, onde alunos operavam em aparelhos de rádio e em instruções de sinais com bandeiras. Percorreu a reserva de armamentos, onde cada fuzil, cada peça de material brilha de limpeza irrepreensível. Aos cuidados dos próprios alunos.

Tudo viu, tudo sentiu, e de tudo guardou a melhor das impressões, o Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva de Manaus está realizando uma obra para colaborar na acentuação do perfil moral das gerações amazonenses, obra que faz jus ao aplauso e ao apoio do público em geral.  (fim)