CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

6 de junho de 2013

BANDA DE MÚSICA DA PMAM: 120 ANOS (4)

Em 1936, restabelecida a Força Policial, a primeira encrenca a superar foi aonde aquartelar seu pessoal, pois o quartel da praça da Polícia fora transmudado em Escola Normal. O jeito brasileiro, no caso, o manauense funcionou, distribuindo as unidades policiais militares em dois ou três endereços. Somente para ilustrar, o comando geral instalou-se na avenida Sete de Setembro, 1393 (o edifício que, por derradeiro, abrigou o Museu do Homem do Norte, ainda resiste ao abandono), onde funcionava o Corpo de Bombeiros, agora subordinado àquela corporação.

Detalhe dos assentamentos do tenente Albino Dantas
Não há, todavia, menção acerca das instalações da Banda, que estava sob a direção do mestre-ensaiador Benedito Tavares de Azevedo.[1] Acredito que, como esse serviço estava incorporado ao Pelotão Extranumerário, também se alojou na avenida Sete de Setembro. Certamente composta de não menos de duas dezenas de artistas, portanto compreensível tal arrumação.
No mesmo mote, um questionamento perturbador: quê teria sucedido ao material (instrumental e partituras) da Banda da Polícia Militar, enquanto esteve desativada, abandonada? Houve uma desarticulação completa. Parte do instrumental foi entregue a um clube milionário, da elite, portanto, capaz de prover-se facilmente. Abaixo três retratos do que se encontra registrado em documentação interna produzida em 1932.
Boletim, 6 de fevereiro
Nesta data, o tenente tesoureiro comunicou haver(sic) entregue à diretoria do Ideal Clube, mediante cautela, os seguintes instrumentos da extinta Banda de Música desta Companhia: um requinte em mi ; um clarinete em si ; um saxofone alto em mi ; duas trompas em mi ; um bombardino em do; um baixo em mi ; um bombo; uma maçaneta; um talabarte; um par de pratos; um tarol; um tripé; um par de baquetas e um talabarte. 

Boletim, 9 de março
O comandante, cumprindo ordem do prefeito municipal, recebida por ofício, determina que “seja entregue por empréstimo e mediante cautela à Fontenelle & Cia., a partitura da opereta SONHO DE VALSA, pertencente ao arquivo da extinta Banda de Música da corporação”. O acervo da extinta Polícia Militar do Amazonas foi assim desaparecendo. 

Boletim, 26 de abril
O comando determina “ao tesoureiro que entregasse ao Dr. Vivaldo Palma Lima, por empréstimo mediante cautela, o original da partitura do Hino da Amazônia, pertencente ao arquivo da extinta Banda de Música desta companhia“. Nunca mais se ouviu o hino.

A Polícia Militar foi, todavia, se adequando à esdruxula situação. Primeiro, conquistou parte do quartel primitivo, quando então os policiais dividiram o prédio com as normalistas. É de supor a complicação: no térreo, os marmanjos, e, no andar superior, as moças. De certo, a madre superiora sofreria para contornar tantas encrencas. É nessa conjuntura que em 1941 assume o comando Gentil João Barbato, major do Exército, que servia na guarnição de Manaus.

Em plena II Guerra, o Estado voltou a sofrer novos entraves, o mais afanoso deles foi o desabastecimento causado pelo bloqueio enfrentado pelos navios mercantes. Os gêneros alimentícios desembarcados no roadway da capital eram vendidos sob controle policial, à frente este comandante.

Este comandante promoveu um concurso para regente da Banda de Música da Força Policial. Albino Ferreira Dantas, que servia ao Exército, possivelmente no 27º BC, foi o único candidato. Conquistou assim a vaga e foi incluído na corporação, em 3 de fevereiro de 1942, no posto de 2º tenente. Todavia, apresentou-se a 10 de março, em razão do saída do Exército. Nascido em 3 abril 1903, em Quipapa (PE), Dantas era casado, 1m67, de cor branca.

Em janeiro 1944, a serviço do governo, seguiu para São Paulo, ali permanecendo até março, sem que haja indicação do serviço que foi cumprir. Em 9 abril 1945 obteve demissão do serviço, deixando a Banda. Deixou a marca de sua competência no hino do Atlético Rio Negro Clube, letra e música, “na época que ele compôs era tenente e maestro da Banda da Policia Militar do Amazonas”, registro constante do livro 7 décadas do barriga-preta, de Manuel Bastos Lyra.
O sucessor de Dantas na Banda da PMAM foi o 2º tenente músico José Arnaud.