CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS
sexta-feira, março 08, 2024
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
sexta-feira, abril 28, 2023
ANIVERSÁRIO MATERNO
Dona Francisca, que a família tratava por Chicuta, festejaria hoje 106 anos, porém, ela faleceu aos 35 anos de idade. Renato, o filho caçula, não esquece a data, e para relembrar a efeméride escreveu o texto aqui compartilhado no Blog do Roberto, o filho mais velho.
domingo, maio 08, 2022
DIA DAS MÃES
Este Dia Especial neste ano pertence à dona Francisca Pereira Lima, que o filho Renato, imortalizou em “Chicuta”, o livro recém editado. Era nossa mãe, morta aos 35 anos, vítima de doença cancerígena. Foi desse modo que ele encerrou a memória, descrevendo os últimos instantes de vida dela:
“Ela levantou a mão direita,
praticamente só a mão, enquanto o braço, esquálido, permanecia depositado sobre
a cama. Olhou de novo, e fixou o olhar nos três filhos, como se quisesse
plasmá-los como os únicos mensageiros, os que receberiam sua mensagem de amor e
fé, numa espécie de comunicação metafisica de seus pensamentos, de seus
derradeiros sentimentos, naquele momento emblemático e fatal.”
E prosseguiu: “Olhou para sua caderneta
de orações, de cânticos e novenas – escrita à tinta, como muito esmero e
dedicação, numa perfeita caligrafia – mas não conseguiu alcançá-la. Talvez não quisesse
alcançá-la, apenas chamar atenção aos que estavam ali.
Finalizando: “A doença lhe abreviou o
tempo na terra; porém, com sua fé em Deus mostrou a todos que seria possível continuar
amando, do seu lugar eterno. Parou de bater o seu coração aos dezoito dias do mês
de julho de mil novecentos e cinquenta e dois.”
Estamos próximos dos 70 anos de saudades e
veneração!
Para saber mais: https://catadordepapeis.blogspot.com/search?updated-max=2022-05-03T22:14:00-04:00&max-results=4
sábado, julho 17, 2021
DONA FRANCISCA LIMA (1918-1952)
Hoje, relembro a morte de Dona Francisca Lima, minha mãe, que viveu pouco, pois morreu aos 34 anos, vitimada pela tuberculose, sem ter conhecido o antibiótico penicilina. Muito já escrevi e relatei sobre dela, porém, a data de sua morte me despertou novas recordações.
Acredito que sua vida foi
sempre conturbada. Nascida no lago do Anveres, um dos tantos nas proximidades
de Manaus, pertencente ao distrito do Careiro, era um fim-de-mundo. Por se
tratar da filha mais nova, coube-lhe o encargo de cuidar da saúde da sua
genitora, que faleceu em Manaus. Até então, aos 24 anos, Francisca se mantinha solteira.
Com o falecimento da mãe,
saiu em busca de emprego, que conseguiu na Padaria Rosas, na avenida Sete, a
mais festejada da cidade. De todos os irmãos, somente ela havia escapado de um boto
do Anveres ou adjacências. Nesta padaria, todavia, encontrou seu par. E nova
conturbação, pois o seu boto era peruano.
Como a família rejeitasse
o príncipe, ela teve que esperar a situação amainar, quando então viajou com
ele para Iquitos (Peru), onde contraiu núpcias e encaminhou o primeiro filho, autor
deste post. Ela contava 25 anos.
Ao retornar, se estabeleceram
no bairro Educandos, quando nasceu o segundo filho. Em 1950, seu Manoel “peruano”
decide enfrentar o Rio de Janeiro, aproveitando o convite de seu irmão. Não creio
que minha mãe tenha aprovado a aventura. Contudo, viajamos em navio do Lóide
Brasileiro e, no Rio da Copa do Mundo, estivemos por menos de um ano. De certo,
ela teve mais uma vez desconforto na vida, a estadia carioca foi-lhe uma tormenta.
De volta ao Educandos,
recomeçando, ele estava em outras atividades comerciais, e dona Francisca
esperava o terceiro filho. Nascido este, em 1951, nossa mãe teve manifestada a
doença que a levou ao túmulo, no ano seguinte, juntando-se desse modo à sua mãe
no cemitério São João.
terça-feira, maio 18, 2021
MANUEL MENDONÇA MALAFAYA (1916-2014)
São passados sete anos que nosso pai - Manuel Mendonça - partiu, sem volta. Veio do Peru, da fronteira brasileira, para viver em Manaus. quando "partiu" estava em São Paulo, razão pela qual atravessou o país para ser sepultado no cemitério de São Francisco, no alto do Morro. Renato, meu irmão, assina o texto aqui postado, com que reverenciamos o saudoso pai.
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| Manuel e Francisca, em belo momento da vida (1950) |
· Eis o pequeno grande homem!
Eis aí,
Senhor, o pequeno grande homem.
Eis aí,
Senhor, o menino dos tempos idos, el niño cholo de Caballococha, no Peru.
Junto com sua mãe e outro irmão mais novo, deixaram sua página de dor, para
ingressarem na história. Na história da borracha e do Amazonas, escrevendo com
o suor derramado. Desde a aurora da vida, buscando angariar a dignidade do ser
humano, enfrentando as dificuldades da língua e dos costumes.
Eis aí,
Senhor, o garoto carente, mas firme nos seus propósitos, sem medos, sem tempo
para contemplar a vida, senão enfrentar as inquietudes e desafios, construindo
sonhos conforme os vossos desígnios, aproveitando as oportunidades na sociedade.
Eis aí,
Senhor, o jovem Manoel, vivaz, sem angústia, cheio de esperança. Aceitando o
que a vida lhe reservou, mas experimentando novas fronteiras, com a finalidade
de sedimentar um projeto para o futuro. Sonhos realizáveis ou devaneios, sem detrimento
do prazer, sem deixá-los de viver.
Eis aí,
Senhor, o homem na sua plenitude, com o dever cumprido, arquiteto de duas
famílias bem alicerçadas. Conduzindo sua cruz nos momentos difíceis, sem rancor,
sem abdicar da responsabilidade, da luta pela dignidade, apoiando-se tão
somente na sabedoria que a vida lhe ensinou.
Eis aí,
Senhor, o homem! Um homem quase centenário, lutando contra as doenças da
velhice como um guerreiro que não foge da guerra, e não esmoreceu jamais. Como
um prodigioso missionário, doou-se de corpo e alma, usou as orações e os dogmas
de Deus para terminar sua jornada em paz, para chegar ao fim da estrada sem
lamentar nada.
Eis aí,
Senhor, o homem!
Eis
aí, Senhor, José Manoel Mendonça Malafaya, desde 18 de maio de 2014.
domingo, maio 09, 2021
DIA DAS "MÃOS"
A postagem pertence ao Renato Mendonça, meu irmão e colaborador bissexto. Melhor não explicar o deslise gráfico, ele o fará no texto. A foto é de nossa Mãe, Francisca Lima.
Dia das mãos
09/05/2021
O que parecia ser um erro de grafia, quando digitei o título, ecoou pra mim como um alerta; ou melhor, mais um símbolo que podemos acrescentar à essas maravilhosas criaturas, que em um simples monossílabo, encerra tantos adjetivos de qualidade. Não quero convencer ninguém, mas posso garantir que foi Deus quem trocou o ‘e’ pelo ‘o’.
O simples
monossílabo — Mãe! — é o grandiloquente nome que muito bem representa a candura
e a lealdade de Nossa Senhora, a santa escolhida para ser a mãe de
Jesus, e por excelência, a mãe de todos nós.
É o amor
em sua essência. O presente de Deus para nós... o sopro da vida, que nos colocou
no útero da mãe, fecundando um óvulo que estava preparado para o nosso
nascimento. Desde quando a mãe nasceu, esse óvulo já estava gestado para servir
futuramente à uma nova vida. Incrível, essa emblemática linhagem do ser humano!
São as ligações em simbiose, que congregam também valores espirituais a unir a
mãe aos seus filhos, além do cordão umbilical que os entrelaça fisicamente,
compartilhando os mesmos nutrientes e o mesmo ar.
Neste Dia das Mães,
mesmo se não puder abraçá-la — seja por causa da pandemia; seja porque a
distância os separa; ou porque ela já frequenta outro Plano Espiritual —, demonstre
todo seu carinho por ela, e reze por ela! O melhor presente será uma oração de
fé! E ela, com certeza, também irá orar pelos filhos. Ela que já fez tanta
coisa: gerou, deu sua luz, amamentou, criou e educou, até tornar-se um cidadão.
Tantos sacrifícios que somente a alma materna é capaz, de exercer a verdadeira
dedicação e doação do amor! Seu amor é como um sacramento, cuja igreja é a
própria mãe!
Reze por
sua mãe. Nesse tempo atual, a oração é a maior força espiritual, o alicerce no
qual podemos edificar uma coexistência humana, aqui entre nós. Volto a
sublinhar: mesmo se Deus a chamou por ter finalizado sua missão na Terra, reze
por ela! Honre a sua grandeza, independente do quarto mandamento!
E as mãos?
Por que Deus digitou ‘mãos’?
Esse é o
maior símbolo de todas as mães! É o símbolo do aconchego; é o símbolo do
recebimento do ser humano no colo materno. O apoio do dorso do bebê contra o
peito da mãe. O abraço. As mãos que abraçam. As mãos que acolhem. As mãos que botam
o peito pra fora para amamentar; as mãos seguram no colo o pequeno ser que ali
se acomoda, e sonha. As mãos que protegem, desde o nascimento até quando eles
nem precisam mais de tanta proteção. Mãos que às vezes agridem, mas com ternura
e desvelo. As mãos que abençoam. Mãos que conduzem pelos caminhos da vida. Mãos
que afagam, que envolvem os filhos como quem quer instalar a aura no seu
entorno, um fluido a rodear seu corpo.
Se
quiséssemos pintar a mãe num quadro abstrato, poderíamos apenas representar
duas mãos segurando uma criança. É o melhor símbolo para essas aguerridas
lutadoras do cotidiano, que lutam por amor. O ato mais sublime está configurado na mais
importante missão nessa Terra: conceber a vida! Felizes os que ainda hoje podem
ser plasmados por essas bençãos maternas.
Parabéns
a todas as Mães!
segunda-feira, março 08, 2021
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Neste dia, minha homenagem às mulheres vai assinalada com a persona aqui reproduzida. Trata-se de duas fotos de minha mãe – Francisca Pereira Lima – falecida há 69 anos. Graças à tecnologia, ela tomou vida, pelo trabalho de um neto competente no mister de aplicativos. Confesso que fiquei bastante emocionado ao conhecer as peças, e foi como se ela, no monitor, me transmitisse uma carinhosa mensagem. Mais que uma, refizemos várias conversas interrompidas há muito tempo. Enfim, consegui isso com a leitura labial, e quanto ao sorriso cativante da minha mãe e do Antonio e do Renato, foi bem singelo observar.
| Uma flor para as flores de nossas vidas |
Com essas
salutares lembranças pessoais saúdo as mulheres brasileiras que, nesse período de
intensas adversidades, veem sofrendo com a perda de entes valiosos: sejam os familiares
em todos os graus, sejam os amigos, vizinhos, conhecidos, colegas.
Assim,
pois, Saúde em demasia a todas as Mulheres neste Dia.

Dona Francisca, Xicuta para os familiares, em dois momentos
domingo, maio 17, 2020
OS FILHOS DE FRANCISCA
| Francisca |
Neste domingo, junto-me ao Henrique e ao Renato para comemorarmos o Dia da nossa Mãe, dona Francisca Pereira Lima (1918-52).
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| Renato |
Espero que estas mal traçadas linhas possam lhe encontrar com saúde... com saúde espiritual. Enquanto eu e meus irmãos, estamos bem, levando a vida como Deus quer.Meu pai, infelizmente para nós e felizmente para você, deixou a nossa companhia por aqui e foi pra aí. Tanto tempo sem se falar, acabei por deixá-la com poucas notícias. Depois que você foi embora, naquele fatídico dia 18 de julho, eu fiquei chorando. Foi um choro de fome, sobretudo. Tudo ficou indefinido na minha vida, eu não sabia como ia fazer para mamar... Mas, sou testemunha, meu pai providenciou tudo e não me abandonou nem a mim, nem meus irmãos. Aliás, sobre isso queria lhe falar: meu pai cumpriu o que vocês combinaram, ele não nos abandonou em nenhum momento.Queria até lhe contar um caso engraçado, mãe. Quando eu tinha cinco anos, ele me levou alguns dias para “fazer a praça”, na boleia do caminhão. Ah, ele trabalhava como representante pracista de vendas de biscoitos e bolachas. E teve um dia, que eu estava com fome, e, sem que ele visse, comi todas as amostras de biscoitos. Quando ele foi mostrar ao comerciante o novo modelo de biscoito que a panificadora produzia, não tinha nenhum. Ele até perdeu a venda, mas não ficou chateado, não.
Outra coisa: ele gostava de me levar para tomar sopa. Ele almoçava sopa, eu também. Só que eu pedia dois pratos, e ficava empanzinado. Foi um tempo muito bom. Às vezes, ele me deixava na casa da tia Raimunda, sua irmã mais velha. Ela cuidava de mim, mas alguma vez eu a deixava irritada, e aí, ela não tinha paciência. Outras vezes, ficava com minha avó, vovó Vitória, lembra dela? Você lembra, sim. Vocês conviveram em Manaus e no Rio. E, por falar nisso, mãe. Por que o casal, estando em Iquitos (Peru), voltou para o Brasil? Se tivesse permanecido, o Roberto teria nascido lá, e seria um peruano. E o destino seria outro... Quando você responder, me tira essa dúvida, tá?
Formatura, Iquitos Peru
Ah, outra coisa: o Antônio não gosta de ser chamado de Antônio, prefere o Henrique. E, por falar nisso, quem escolheu o Antonio, foi meu pai? Vou esperar você me dizer, mas tenho quase certeza que foi ele... ele gostava de olhar na folhinha, não era? E no meu caso, mãe, quem escolheu o Renato? Acho que foi você! Essa charada eu matei: foi você. Só pode! Meu pai viu na folhinha o dia de São Pedro e São Paulo. Você não ficou com medo de ele escolher “Pedro Paulo”? Tem muita gente por aqui com esse nome duplo... Bem, mãe, ainda tenho muitas curiosidades, muitas dúvidas para esclarecer. Ainda sobre o Roberto, quem escolheu o Manoel? Foi meu pai? Acho que ele queria se homenagear, mas também desconfio que foi a folhinha.
Mãe, você tem muitas perguntas pra responder. Vou te deixar em paz, para pensar. Vou aproveitar para lhe atualizar de notícias. Seus irmãos já estão todos aí com você, assim como a avó Vitória. E por falar nela, você a encontrou por aí? Outra coisa, mãe, aqui estamos vivendo uma pandemia. Você passou por isso, quando tinha um ano, até três talvez. Dizem que demorou muito, mas você nem se lembra... Sua mãe, Adelaide, deve ter lhe contado sobre isso. Se você lembrar, diz como nós podemos nos proteger. Nos ensina esse caminho.
Todavia, o que queremos mesmo é sua proteção espiritual, mãe. Fala aí com o Senhor, ele pode acabar com isso, o vírus está matando muita gente boa, velhos e moços.Beijos, mãe. Parabéns para você, nesta data, querida!
domingo, maio 10, 2020
DIA DAS MÃES E UM POEMA
Hoje é comemorado o Dia das Mães e seria o do aniversário (98 anos) do saudoso padre Nonato Pinheiro.
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| Francisca e Roberto (fev.1950) |
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| Nonato Pinheiro (1976) |
Dedicou-se com brilhantismo ao cultivo das letras. Seu extremado zelo com o idioma pátrio o fez reconhecido filólogo e linguístico; o jornalista com colaboração em todos os jornais da Capital; e uma reconhecida aptidão pela polêmica. Pertenceu ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), onde exerceu com competência a função de Orador, e cuidou da biblioteca da instituição.
Padre Nonato Pinheiro foi empossado na Academia Amazonense de Letras em 1950, para ocupar a Cadeira 20, como patrono o filólogo João Ribeiro. Na sessão de posse, foi saudado pelo cientista Djalma Batista.
Publicou muito pouco, apenas três livros, sendo o mais conhecido sobre o terceiro bispo do Amazonas, Dom João da Matta (1956), que a Editora Valer reeditou em 2008. Tenho me esforçado para recolher dos jornais as inúmeras contribuições deste intelectual, como disse, em todos os jornais de Manaus, em um período que estimo de quatro décadas.
| Recorte de O Jornal, 10 maio 1962 |
É de púrpura e ouro este dia de maio,
Dia de nossas mães, tão santas e extremosas!
O dia se ilumina ao fulgurante raio
De nosso amor filial a se expandir em rosas...
Vibrando de emoções, em cânticos me espraio,
Ouvindo essas canções, mensagens deliciosas,
Que transmitem às mães um suspiro, um desmaio
De amor e comoção, em frases luminosas...
E vós, órfãos que sois, buscai a sepultura
De vossa mãe querida neste dia lindo
Para imprimir na lousa o beijo da ternura...
E ao cálido contacto desse beijo infindo,
Sentireis palpitar numa saudade pura
O grande coração de vossa mãe, sorrindo!...
domingo, maio 12, 2019
DIA DAS MÃES
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| Francisca Lima |
Não podia ser outra a postagem: Dia das Mães.
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A primeira
festa comemorativa deste dia, que me vem à lembrança, aconteceu com um presente
de certo inesperado. Dona Dora estava gestante, esperando o filho para
"aqueles dias". Apesar do desconforto, agia na cozinha preparando o
almoço. Os filhos, obviamente, aguardando o melhor horário.

Doroteia Santos
Eis que as
dores apertam, a hora do "presente" havia chegado para a Dona (assim
a tratávamos). Meu pai apressa os cuidados, toma a esposa e seguem para a
maternidade Balbina Mestrinho. Era o ano de 1960, e o Dia das Mães foi
comemorado a 8 de maio.
Com a
ausência da mãe, restou aos filhos cuidar do almoço e se manter em harmonia,
aguardando a novidade. Ao final da tarde, chega o eufórico pai anunciando o
nascimento de mais um filho: Miguel Jorge. Em nossos dias, avô de primeira
viagem, residente em Telêmaco Borba (PR).
Conheci bem
mais a minha mãedrasta, excelente pessoa que soube cuidar do
velho e dos filhos, no total, oito homens. Em sua homenagem, Dona
Dora, abraço a tantas mães da família Mendonça y Mendoza.
Votos de Feliz Dia das Mães, às filhas Valeria e Gabriela Souza
sábado, abril 27, 2019
EFEMÉRIDES DOMÉSTICAS (2)
Francisca nasceu em 28 de abril de 1917, como todos os irmãos, à margem do lago do Anveres. É a quarta no grupo de nove filhos de Vicente e Adelaide, a filha mais nova. Nesta condição, foi a “cuidadora” da mãe viúva, de maneira mais proeminente quando a genitora se transferiu para Manaus em busca da saúde. A despeito dos cuidados médicos e familiares, dona Adelaide faleceu em 1941. Francisca, conhecida no âmbito familiar por Chicuta, possuía 24 anos, e ainda estava solteira.
Havia escapado dos “botos” do Anveres e adjacências, portanto, foi a única a não contrair matrimônio com moradores da localidade. Encontrou o esposo em Manaus, um jovem atraente e de sua idade, comerciário hábil, entretanto, possuidor de um contratempo: era o peruano Manuel Mendoza (1916-2014), que aportuguesou o sobrenome para Mendonça (para saber mais sobre este, veja o livro Entre duas viagens).A família de Francisca não aceitou o noivado, circunstância que recomendou ao noivo a se retirar de Manaus, afastamento que foi realizado em duas ocasiões: uma, para um seringal, almejando Manuel acumular recursos financeiros; a outra, para Iquitos, no Peru. Nesta partida, cometendo uma ousadia (1944), pois conduziu a noiva a tiracolo. Na igreja de San Juan Bautista, patrono da cidade de Iquitos, Francisca e Manuel matrimoniaram-se em novembro do mesmo ano. Dois anos passados, o casal já estava de regresso, trazendo o embrião do primeiro filho: Manoel Roberto; e foi se estabelecer na rua Inácio Guimarães, em Educandos, próximo à residência da irmã Raymunda. Em 1948, nasceu o segundo filho: Henrique Antonio, e os Mendonça seguiam em ascensão, gerindo a bem-sucedida Mercearia São José. Entretanto, Manuel decidiu tentar a sorte no Rio de Janeiro de 1950 (bem conhecido dos brasileiros). Em menos de um ano, diante da sorte “madrasta”, retornou o casal ao Educandos, já “encomendado” o terceiro filho: Pedro Renato.
Francisca Lima, aos 27 anos, em Iquitos
A partir do nascimento deste (1951), a vida de Francisca mudou inteiramente, pois ela teve que se desdobar em busca da saúde, enfrentando um terrível mal para a época: a tuberculose. Resistiu somente um ano, até que, em 17 de julho de 1952, “entregou a alma ao Senhor”. Aos 35 anos, a primeira filha adulta dos Lima sucumbiu, tendo sido, como se voltasse ao aconchego materno, sepultada no mausoléu da genitora Adelaide Lima, no cemitério São João.
Nota: efetuei uma correção na data de nascimento para 28 de abril.


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