CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sexta-feira, março 08, 2024

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 A montagem desta foto foi realizada por meu genitor, Manuel Mendoza, e foi encontrada entre seus legados após sua morte. Nela se vê seus três amores: a mãe Victoria Malafaya (ao centro), a primeira esposa, Francisca Lima (a direita); e a segunda esposa, Doroteia Santos (a esquerda). Com esta postagem quero lembrar o "velho peruano", morto há dez anos. E relembrar as Mulheres de minha vida. Aleluia.



sexta-feira, abril 28, 2023

ANIVERSÁRIO MATERNO

 Dona Francisca, que a família tratava por Chicuta, festejaria hoje 106 anos, porém, ela faleceu aos 35 anos de idade. Renato, o filho caçula, não esquece a data, e para relembrar a efeméride escreveu o texto aqui compartilhado no Blog do Roberto, o filho mais velho. 

"As pedras-ume, o sabão virgem e as plantas medicinais já haviam sido preparadas; os panos alvejados com cândida estavam sempre prontos para uma emergência. A bacia esmaltada, já usada com sucesso, ali mesmo, tantas vezes e outros utensílios, que faziam parte das ferramentas de trabalho, estavam esterilizados. Mesmo sem conferir no calendário, aguardava-se a mudança de lua; sabiam-se de cor que fase se vivia; aquele paraíso ecológico facilitava a leitura, e era sempre um dos fatores da natureza levado em consideração. A lua tinha seu papel, o papel de abrir as entranhas para gerar uma nova vida, iluminando-a com a luz do mundo.
A parteira tinha razão, no dia 28 de abril de 1917, um sábado, no último dia do Quarto-Crescente daquele mês, véspera da Lua Cheia, chegou Francisca sob o signo da Lua. A maioria das apostas acertou o sexo, era só isso que faltava. A escolha do nome havia sido decidida previamente, uma homenagem a São Francisco Canindé, padroeiro dos nordestinos."
Renato Mendonça

Flores de saudade


domingo, maio 08, 2022

DIA DAS MÃES

 Este Dia Especial neste ano pertence à dona Francisca Pereira Lima, que o filho Renato, imortalizou em “Chicuta”, o livro recém editado. Era nossa mãe, morta aos 35 anos, vítima de doença cancerígena. Foi desse modo que ele encerrou a memória, descrevendo os últimos instantes de vida dela:

Chicuta com o então respeitável
diploma de Corte & Costura 

“Ela levantou a mão direita, praticamente só a mão, enquanto o braço, esquálido, permanecia depositado sobre a cama. Olhou de novo, e fixou o olhar nos três filhos, como se quisesse plasmá-los como os únicos mensageiros, os que receberiam sua mensagem de amor e fé, numa espécie de comunicação metafisica de seus pensamentos, de seus derradeiros sentimentos, naquele momento emblemático e fatal.”

E prosseguiu: “Olhou para sua caderneta de orações, de cânticos e novenas – escrita à tinta, como muito esmero e dedicação, numa perfeita caligrafia – mas não conseguiu alcançá-la. Talvez não quisesse alcançá-la, apenas chamar atenção aos que estavam ali.

Finalizando: “A doença lhe abreviou o tempo na terra; porém, com sua fé em Deus mostrou a todos que seria possível continuar amando, do seu lugar eterno. Parou de bater o seu coração aos dezoito dias do mês de julho de mil novecentos e cinquenta e dois.”  

Estamos próximos dos 70 anos de saudades e veneração!

Flores para a saudosa Dama



Para saber mais: https://catadordepapeis.blogspot.com/search?updated-max=2022-05-03T22:14:00-04:00&max-results=4

sábado, julho 17, 2021

DONA FRANCISCA LIMA (1918-1952)

Hoje, relembro a morte de Dona Francisca Lima, minha mãe, que viveu pouco, pois morreu aos 34 anos, vitimada pela tuberculose, sem ter conhecido o antibiótico penicilina. Muito já escrevi e relatei sobre dela, porém, a data de sua morte me despertou novas recordações.

Francisca Lima, em Iquitos|Peru, 1945 

Acredito que sua vida foi sempre conturbada. Nascida no lago do Anveres, um dos tantos nas proximidades de Manaus, pertencente ao distrito do Careiro, era um fim-de-mundo. Por se tratar da filha mais nova, coube-lhe o encargo de cuidar da saúde da sua genitora, que faleceu em Manaus. Até então, aos 24 anos, Francisca se mantinha solteira.

Com o falecimento da mãe, saiu em busca de emprego, que conseguiu na Padaria Rosas, na avenida Sete, a mais festejada da cidade. De todos os irmãos, somente ela havia escapado de um boto do Anveres ou adjacências. Nesta padaria, todavia, encontrou seu par. E nova conturbação, pois o seu boto era peruano.

Como a família rejeitasse o príncipe, ela teve que esperar a situação amainar, quando então viajou com ele para Iquitos (Peru), onde contraiu núpcias e encaminhou o primeiro filho, autor deste post. Ela contava 25 anos.

Ao retornar, se estabeleceram no bairro Educandos, quando nasceu o segundo filho. Em 1950, seu Manoel “peruano” decide enfrentar o Rio de Janeiro, aproveitando o convite de seu irmão. Não creio que minha mãe tenha aprovado a aventura. Contudo, viajamos em navio do Lóide Brasileiro e, no Rio da Copa do Mundo, estivemos por menos de um ano. De certo, ela teve mais uma vez desconforto na vida, a estadia carioca foi-lhe uma tormenta.

De volta ao Educandos, recomeçando, ele estava em outras atividades comerciais, e dona Francisca esperava o terceiro filho. Nascido este, em 1951, nossa mãe teve manifestada a doença que a levou ao túmulo, no ano seguinte, juntando-se desse modo à sua mãe no cemitério São João.

Família Mendonça ao viajar ao Rio de 
Janeiro, 1950


terça-feira, maio 18, 2021

MANUEL MENDONÇA MALAFAYA (1916-2014)

 São passados sete anos que nosso pai - Manuel Mendonça - partiu, sem volta. Veio do Peru, da fronteira brasileira, para viver em Manaus. quando "partiu" estava em São Paulo, razão pela qual atravessou o país para ser sepultado no cemitério de São Francisco, no alto do Morro. Renato, meu irmão, assina o texto aqui postado, com que reverenciamos o saudoso pai. 

Manuel e Francisca, em belo momento da vida (1950) 

·     Eis o pequeno grande homem!

Eis aí, Senhor, o pequeno grande homem.

Eis aí, Senhor, o menino dos tempos idos, el niño cholo de Caballococha, no Peru. Junto com sua mãe e outro irmão mais novo, deixaram sua página de dor, para ingressarem na história. Na história da borracha e do Amazonas, escrevendo com o suor derramado. Desde a aurora da vida, buscando angariar a dignidade do ser humano, enfrentando as dificuldades da língua e dos costumes.   

Eis aí, Senhor, o garoto carente, mas firme nos seus propósitos, sem medos, sem tempo para contemplar a vida, senão enfrentar as inquietudes e desafios, construindo sonhos conforme os vossos desígnios, aproveitando as oportunidades na sociedade.

Eis aí, Senhor, o jovem Manoel, vivaz, sem angústia, cheio de esperança. Aceitando o que a vida lhe reservou, mas experimentando novas fronteiras, com a finalidade de sedimentar um projeto para o futuro. Sonhos realizáveis ou devaneios, sem detrimento do prazer, sem deixá-los de viver.

Eis aí, Senhor, o homem na sua plenitude, com o dever cumprido, arquiteto de duas famílias bem alicerçadas. Conduzindo sua cruz nos momentos difíceis, sem rancor, sem abdicar da responsabilidade, da luta pela dignidade, apoiando-se tão somente na sabedoria que a vida lhe ensinou.

Eis aí, Senhor, o homem! Um homem quase centenário, lutando contra as doenças da velhice como um guerreiro que não foge da guerra, e não esmoreceu jamais. Como um prodigioso missionário, doou-se de corpo e alma, usou as orações e os dogmas de Deus para terminar sua jornada em paz, para chegar ao fim da estrada sem lamentar nada.

Eis aí, Senhor, o homem!

Eis aí, Senhor, José Manoel Mendonça Malafaya, desde 18 de maio de 2014.

domingo, maio 09, 2021

DIA DAS "MÃOS"

  A postagem pertence ao Renato Mendonça, meu irmão e colaborador bissexto. Melhor não explicar o deslise gráfico, ele o fará no texto. A foto é de nossa Mãe, Francisca Lima.

Dia das mãos

09/05/2021

O que parecia ser um erro de grafia, quando digitei o título, ecoou pra mim como um alerta; ou melhor, mais um símbolo que podemos acrescentar à essas maravilhosas criaturas, que em um simples monossílabo, encerra tantos adjetivos de qualidade. Não quero convencer ninguém, mas posso garantir que foi Deus quem trocou o ‘e’ pelo ‘o’.

O simples monossílabo — Mãe! — é o grandiloquente nome que muito bem representa a candura e a lealdade de Nossa Senhora, a santa escolhida para ser a mãe de Jesus, e por excelência, a mãe de todos nós.

É o amor em sua essência. O presente de Deus para nós... o sopro da vida, que nos colocou no útero da mãe, fecundando um óvulo que estava preparado para o nosso nascimento. Desde quando a mãe nasceu, esse óvulo já estava gestado para servir futuramente à uma nova vida. Incrível, essa emblemática linhagem do ser humano! São as ligações em simbiose, que congregam também valores espirituais a unir a mãe aos seus filhos, além do cordão umbilical que os entrelaça fisicamente, compartilhando os mesmos nutrientes e o mesmo ar.

Neste Dia das Mães, mesmo se não puder abraçá-la — seja por causa da pandemia; seja porque a distância os separa; ou porque ela já frequenta outro Plano Espiritual —, demonstre todo seu carinho por ela, e reze por ela! O melhor presente será uma oração de fé! E ela, com certeza, também irá orar pelos filhos. Ela que já fez tanta coisa: gerou, deu sua luz, amamentou, criou e educou, até tornar-se um cidadão. Tantos sacrifícios que somente a alma materna é capaz, de exercer a verdadeira dedicação e doação do amor! Seu amor é como um sacramento, cuja igreja é a própria mãe!

Reze por sua mãe. Nesse tempo atual, a oração é a maior força espiritual, o alicerce no qual podemos edificar uma coexistência humana, aqui entre nós. Volto a sublinhar: mesmo se Deus a chamou por ter finalizado sua missão na Terra, reze por ela! Honre a sua grandeza, independente do quarto mandamento!

E as mãos? Por que Deus digitou ‘mãos’?

Esse é o maior símbolo de todas as mães! É o símbolo do aconchego; é o símbolo do recebimento do ser humano no colo materno. O apoio do dorso do bebê contra o peito da mãe. O abraço. As mãos que abraçam. As mãos que acolhem. As mãos que botam o peito pra fora para amamentar; as mãos seguram no colo o pequeno ser que ali se acomoda, e sonha. As mãos que protegem, desde o nascimento até quando eles nem precisam mais de tanta proteção. Mãos que às vezes agridem, mas com ternura e desvelo. As mãos que abençoam. Mãos que conduzem pelos caminhos da vida. Mãos que afagam, que envolvem os filhos como quem quer instalar a aura no seu entorno, um fluido a rodear seu corpo.

Se quiséssemos pintar a mãe num quadro abstrato, poderíamos apenas representar duas mãos segurando uma criança. É o melhor símbolo para essas aguerridas lutadoras do cotidiano, que lutam por amor.  O ato mais sublime está configurado na mais importante missão nessa Terra: conceber a vida! Felizes os que ainda hoje podem ser plasmados por essas bençãos maternas.

Parabéns a todas as Mães!

segunda-feira, março 08, 2021

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Neste dia, minha homenagem às mulheres vai assinalada com a persona aqui reproduzida. Trata-se de duas fotos de minha mãe – Francisca Pereira Lima – falecida há 69 anos. Graças à tecnologia, ela tomou vida, pelo trabalho de um neto competente no mister de aplicativos. Confesso que fiquei bastante emocionado ao conhecer as peças, e foi como se ela, no monitor, me transmitisse uma carinhosa mensagem. Mais que uma, refizemos várias conversas interrompidas há muito tempo. Enfim, consegui isso com a leitura labial, e quanto ao sorriso cativante da minha mãe e do Antonio e do Renato, foi bem singelo observar.

Uma flor para as flores de nossas vidas

Com essas salutares lembranças pessoais saúdo as mulheres brasileiras que, nesse período de intensas adversidades, veem sofrendo com a perda de entes valiosos: sejam os familiares em todos os graus, sejam os amigos, vizinhos, conhecidos, colegas.

Assim, pois, Saúde em demasia a todas as Mulheres neste Dia.

Dona Francisca, Xicuta para os familiares, em dois momentos


domingo, maio 17, 2020

OS FILHOS DE FRANCISCA


Francisca

Neste domingo, junto-me ao Henrique e ao Renato para comemorarmos o Dia da nossa Mãe, dona Francisca Pereira Lima (1918-52). 

 Domingo passado foi o Dia das Mães, quando postei minha comovida impressão, ainda que ilustrando a postagem com um literato e um poema.

Coube ao mais novo esta iniciativa, lembrança que ele traduziu em uma Carta à saudosa mãe. Apenas um detalhe para melhor compreensão da missiva: ele nasceu um ano antes da morte de nossa mãe, entretanto, nesse período ela pelejou pela saúde própria com as forças que a medicina possibilitava. Desse modo, Renato não teve o aconchego de dona Francisca. 

  
CARTA À DONA FRANCISCA


Renato
Fui visitado por um anjo num sonho, um anjo mesmo: de asas, roupa branca e auréola suspensa na cabeça. Pediu-me para escrever uma carta, para alguém em especial, numa data especial. Emprestou-me mãos de menino para escrever e ficou esperando para portá-la; busquei no baú da memória do menino, enquanto ele esperava. Feliz, mas desconcertado, pensei na destinatária:

Querida Francisca,
Espero que estas mal traçadas linhas possam lhe encontrar com saúde... com saúde espiritual. Enquanto eu e meus irmãos, estamos bem, levando a vida como Deus quer.Meu pai, infelizmente para nós e felizmente para você, deixou a nossa companhia por aqui e foi pra aí. Tanto tempo sem se falar, acabei por deixá-la com poucas notícias. Depois que você foi embora, naquele fatídico dia 18 de julho, eu fiquei chorando. Foi um choro de fome, sobretudo. Tudo ficou indefinido na minha vida, eu não sabia como ia fazer para mamar... Mas, sou testemunha, meu pai providenciou tudo e não me abandonou nem a mim, nem meus irmãos. Aliás, sobre isso queria lhe falar: meu pai cumpriu o que vocês combinaram, ele não nos abandonou em nenhum momento.Queria até lhe contar um caso engraçado, mãe. Quando eu tinha cinco anos, ele me levou alguns dias para “fazer a praça”, na boleia do caminhão. Ah, ele trabalhava como representante pracista de vendas de biscoitos e bolachas. E teve um dia, que eu estava com fome, e, sem que ele visse, comi todas as amostras de biscoitos. Quando ele foi mostrar ao comerciante o novo modelo de biscoito que a panificadora produzia, não tinha nenhum. Ele até perdeu a venda, mas não ficou chateado, não.
Outra coisa: ele gostava de me levar para tomar sopa. Ele almoçava sopa, eu também. Só que eu pedia dois pratos, e ficava empanzinado. Foi um tempo muito bom. Às vezes, ele me deixava na casa da tia Raimunda, sua irmã mais velha. Ela cuidava de mim, mas alguma vez eu a deixava irritada, e aí, ela não tinha paciência. Outras vezes, ficava com minha avó, vovó Vitória, lembra dela? Você lembra, sim. Vocês conviveram em Manaus e no Rio. E, por falar nisso, mãe. Por que o casal, estando em Iquitos (Peru), voltou para o Brasil? Se tivesse permanecido, o Roberto teria nascido lá, e seria um peruano. E o destino seria outro... Quando você responder, me tira essa dúvida, tá?
Formatura, Iquitos Peru

Ah, outra coisa: o Antônio não gosta de ser chamado de Antônio, prefere o Henrique. E, por falar nisso, quem escolheu o Antonio, foi meu pai? Vou esperar você me dizer, mas tenho quase certeza que foi ele... ele gostava de olhar na folhinha, não era? E no meu caso, mãe, quem escolheu o Renato? Acho que foi você! Essa charada eu matei: foi você. Só pode! Meu pai viu na folhinha o dia de São Pedro e São Paulo. Você não ficou com medo de ele escolher “Pedro Paulo”? Tem muita gente por aqui com esse nome duplo... Bem, mãe, ainda tenho muitas curiosidades, muitas dúvidas para esclarecer. Ainda sobre o Roberto, quem escolheu o Manoel? Foi meu pai? Acho que ele queria se homenagear, mas também desconfio que foi a folhinha.
Mãe, você tem muitas perguntas pra responder. Vou te deixar em paz, para pensar. Vou aproveitar para lhe atualizar de notícias. Seus irmãos já estão todos aí com você, assim como a avó Vitória. E por falar nela, você a encontrou por aí? Outra coisa, mãe, aqui estamos vivendo uma pandemia. Você passou por isso, quando tinha um ano, até três talvez. Dizem que demorou muito, mas você nem se lembra... Sua mãe, Adelaide, deve ter lhe contado sobre isso. Se você lembrar, diz como nós podemos nos proteger. Nos ensina esse caminho.
Todavia, o que queremos mesmo é sua proteção espiritual, mãe. Fala aí com o Senhor, ele pode acabar com isso, o vírus está matando muita gente boa, velhos e moços.Beijos, mãe. Parabéns para você, nesta data, querida!
Renato


domingo, maio 10, 2020

DIA DAS MÃES E UM POEMA

Hoje é comemorado o Dia das Mães e seria o do aniversário (98 anos) do saudoso padre Nonato Pinheiro. 

Francisca e Roberto (fev.1950)
Não haverá festas: o reverendo não está entre nós desde 1994. E o domingo de nossas Mães está comprometido pelo confinamento sanitário.
Vou lembrar a data com um poema deste sacerdote, publicado em O Jornal, em 10 de maio de 1962, que era, coincidência como hoje, festa das Mães e dele.

Aproveito ainda para lembrar dona Francisca Lima Mendonça (1917-51), minha genitora (foto), que deixou a família muito jovem, acometida de doença infecciosa, que em nossos dias é facilmente curável.  

Em 1922 – Nasceu em Manaus (AM), o padre Raimundo Nonato Pinheiro, filho do poeta homônimo e da professora Diana Pinheiro, devidamente homenageada na escola estadual existente na avenida Presidente Kennedy, no bairro de Educandos. Fez os estudos secundários no Colégio Dom Bosco, em Manaus, mas a formação eclesiástica forjou nos seminários de Belém (PA) e São Luís (MA), onde foi ordenado sacerdote em outubro de 1946.

Nonato Pinheiro (1976)
Exerceu o sacerdócio em Manaus e em Parintins, antes da instalação da Prelazia local, a cargo dos padres do PIME. No entanto, por divergências com a Igreja amazonense, esteve afastado das ordens sacerdotais.


Dedicou-se com brilhantismo ao cultivo das letras. Seu extremado zelo com o idioma pátrio o fez reconhecido filólogo e linguístico; o jornalista com colaboração em todos os jornais da Capital; e uma reconhecida aptidão pela polêmica. Pertenceu ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), onde exerceu com competência a função de Orador, e cuidou da biblioteca da instituição.

Padre Nonato Pinheiro foi empossado na Academia Amazonense de Letras em 1950, para ocupar a Cadeira 20, como patrono o filólogo João Ribeiro. Na sessão de posse, foi saudado pelo cientista Djalma Batista.
Publicou muito pouco, apenas três livros, sendo o mais conhecido sobre o terceiro bispo do Amazonas, Dom João da Matta (1956), que a Editora Valer reeditou em 2008. Tenho me esforçado para recolher dos jornais as inúmeras contribuições deste intelectual, como disse, em todos os jornais de Manaus, em um período que estimo de quatro décadas.
  
Recorte de O Jornal, 10 maio 1962
É de púrpura e ouro este dia de maio,
Dia de nossas mães, tão santas e extremosas!
O dia se ilumina ao fulgurante raio 
De nosso amor filial a se expandir em rosas... 
Vibrando de emoções, em cânticos me espraio,
Ouvindo essas canções, mensagens deliciosas,
Que transmitem às mães um suspiro, um desmaio
De amor e comoção, em frases luminosas... 

E vós, órfãos que sois, buscai a sepultura
De vossa mãe querida neste dia lindo
Para imprimir na lousa o beijo da ternura... 

E ao cálido contacto desse beijo infindo,
Sentireis palpitar numa saudade pura
O grande coração de vossa mãe, sorrindo!... 


domingo, maio 12, 2019

DIA DAS MÃES

Francisca Lima

Não podia ser outra a postagem: Dia das Mães.

Estive ontem pensando o que escrever sobre a data. Tinha que falar de mãe. Vamos lá. possui duas: a biológica, dona Francisca, e do segundo matrimonio, ou seja - a mãedrasta (desculpe o invencionismo) dona Doroteia, morta em 1992.

A primeira festa comemorativa deste dia, que me vem à lembrança, aconteceu com um presente de certo inesperado. Dona Dora estava gestante, esperando o filho para "aqueles dias". Apesar do desconforto, agia na cozinha preparando o almoço. Os filhos, obviamente, aguardando o melhor horário. 
Doroteia Santos

Eis que as dores apertam, a hora do "presente" havia chegado para a Dona (assim a tratávamos). Meu pai apressa os cuidados, toma a esposa e seguem para a maternidade Balbina Mestrinho. Era o ano de 1960, e o Dia das Mães foi comemorado a 8 de maio.  

Com a ausência da mãe, restou aos filhos cuidar do almoço e se manter em harmonia, aguardando a novidade. Ao final da tarde, chega o eufórico pai anunciando o nascimento de mais um filho: Miguel Jorge. Em nossos dias, avô de primeira viagem, residente em Telêmaco Borba (PR).

Conheci bem mais a minha mãedrasta, excelente pessoa que soube cuidar do velho e dos filhos, no total, oito homens. Em sua homenagem, Dona Dora, abraço a tantas mães da família Mendonça y Mendoza.

Votos de Feliz Dia das Mães, às filhas Valeria e Gabriela Souza


sábado, abril 27, 2019

EFEMÉRIDES DOMÉSTICAS (2)

Amanhã (28), a saudosa dona Francisca Pereira Lima Mendonça faria 102 anos de idade. Contudo, minha genitora faleceu aos 35 anos, vítima de tuberculose. No registro desta efeméride, transcrevo o texto preparado para uma Revista Especial que produzo sobre os Lima do Anveres.
Francisca nasceu em 28 de abril de 1917, como todos os irmãos, à margem do lago do Anveres. É a quarta no grupo de nove filhos de Vicente e Adelaide, a filha mais nova. Nesta condição, foi a “cuidadora” da mãe viúva, de maneira mais proeminente quando a genitora se transferiu para Manaus em busca da saúde. A despeito dos cuidados médicos e familiares, dona Adelaide faleceu em 1941. Francisca, conhecida no âmbito familiar por Chicuta, possuía 24 anos, e ainda estava solteira.
Francisca Lima, aos 27 anos, em Iquitos
 Havia escapado dos “botos” do Anveres e adjacências, portanto, foi a única a não contrair matrimônio com moradores da localidade. Encontrou o esposo em Manaus, um jovem atraente e de sua idade, comerciário hábil, entretanto, possuidor de um contratempo: era o peruano Manuel Mendoza (1916-2014), que aportuguesou o sobrenome para Mendonça (para saber mais sobre este, veja o livro Entre duas viagens).A família de Francisca não aceitou o noivado, circunstância que recomendou ao noivo a se retirar de Manaus, afastamento que foi realizado em duas ocasiões: uma, para um seringal, almejando Manuel acumular recursos financeiros; a outra, para Iquitos, no Peru. Nesta partida, cometendo uma ousadia (1944), pois conduziu a noiva a tiracolo. Na igreja de San Juan Bautista, patrono da cidade de Iquitos, Francisca e Manuel matrimoniaram-se em novembro do mesmo ano. Dois anos passados, o casal já estava de regresso, trazendo o embrião do primeiro filho: Manoel Roberto; e foi se estabelecer na rua Inácio Guimarães, em Educandos, próximo à residência da irmã Raymunda. Em 1948, nasceu o segundo filho: Henrique Antonio, e os Mendonça seguiam em ascensão, gerindo a bem-sucedida Mercearia São José.  Entretanto, Manuel decidiu tentar a sorte no Rio de Janeiro de 1950 (bem conhecido dos brasileiros). Em menos de um ano, diante da sorte “madrasta”, retornou o casal ao Educandos, já “encomendado” o terceiro filho: Pedro Renato. 
A partir do nascimento deste (1951), a vida de Francisca mudou inteiramente, pois ela teve que se desdobar em busca da saúde, enfrentando um terrível mal para a época: a tuberculose. Resistiu somente um ano, até que, em 17 de julho de 1952, “entregou a alma ao Senhor”. Aos 35 anos, a primeira filha adulta dos Lima sucumbiu, tendo sido, como se voltasse ao aconchego materno, sepultada no mausoléu da genitora Adelaide Lima, no cemitério São João. 

Nota: efetuei uma correção na data de nascimento para 28 de abril.