CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, maio 13, 2026

DIA DAS MÃES (2)

Dona Dora

 

ODE ÀS MÃES

10.05.2026

Renato Mendonça


Ó mães, eternas guardiãs da vida, 

vosso amor não conhece fronteira, 

nem o tempo ousa pôr medida 

na chama viva que arde inteira. 

 

Ó mães, missão sublime vos guia, 

do ventre ao infinito, sois luz, 

Maria vos simboliza em harmonia, 

mãe de esperança, mãe de Jesus.  

Ó mães, que em silêncio ofertais 

paz aos filhos em meio à tormenta, 

vosso abraço é o templo, é o cais, 

vosso gesto é força que os sustenta.  

Ó mães que acolhem sem gerar, 

corações órfãos de afeto e calor, 

vosso abraço é o lar, é o lugar, 

vosso gesto é a pureza da flor.  

Ó mães que enfrentam dissabores, 

sustentam lares em desamor, 

e ainda assim plantam flores, 

com a coragem de quem vence a dor.  

Ó mães que fazem do cotidiano do lar 

um altar de ternura e dedicação, 

educam filhos com toque divino singular, 

como quem traduz a vida em oração. 

 

Ó mães que se tornam dedicadas avós, 

bisavós, raízes de novas gerações, 

como barcos que viajam ao ritmo de nós [1] 

para o oceano eterno de emoções.  

Ó mães que partiram do plano terreno, 

mas ainda, como estrelas, brilham no céu, 

vosso amor é, e sempre foi, o farol sereno, 

vossa história de vida é o legado fiel.  

Ó mães, minhas heroínas eternas, 

que semeiam um amor visceral, 

marcas indeléveis, sempre modernas, 

reverenciadas ontem e hoje, um ritual.  

Ó mães, gratidão sempre, parabém! 

vosso amor é o hino que nos sustém.

 


[1] plural de nó, unidade de medida que mede a velocidade aquática, igual a uma milha náutica por hora.

domingo, maio 10, 2026

DIA DAS MÃES

 O poema em homenagem ao Dia das Mães é do inesquecível padre Raimundo Nonato Pinheiro, escritor de destaque e dedicado cultivador da língua materna. Nascido nesse mesmo dia, em 1922, completaria agora 104 anos.
Lembro saudoso as Mães da família Mendonça/Mendoza, Francisca Pereira Lima (1917-52) e Doroteia Santos (1936-92), e abraço as Mães que, em nossos dias, impulsionam a nova geração.

Circulado em O Jornal, 29 julho 1962


domingo, maio 18, 2025

DIA DAS MÃES (2ª PARTE)

 Por óbvio, o domingo Dia das Mães foi o domingo passado. Nele publiquei versos sobre a data. Mas por questão de saúde, tanto do corpo como do material de informática, deixei a crônica de Renato Mendonça para depois, e assim a semana passou. Eis a motivação para esta segunda parte dos festejos. Renato recorda com soberbo espírito filial a Mãe-avó Victoria e as Mães Francisca e Doroteia. Que elas - ainda aqui - na nossa lembrança, nos abençoe.  




AINDA ESTÃO AQUI

11.05.2025 

Quando eu a vejo, imolada em um pequeno e belo quadro, fixado na parede azul-claro do meu quarto, e olho em seus olhos, sinto que ela esteve conversando com o Senhor; intuo que ela está aqui entre nós e quer me transmitir seus ensinamentos aprendidos na curta passagem pela vida terrena, com os de agora, na vida espiritual. Não sei como isso pode acontecer, mas tenho certeza de que acontece...

Recebo sua mensagem metafísica mesmo ausente, sem estar ali na sua presença. Às vezes, acredito que o Criador quer me motivar e a usa para isso: abastece-me com a força da sua fé, cumula-me com o discernimento para invocar a sacralidade das coisas, como se fosse um modo de escutá-Lo; faz-me compreender a emblemática da nossa natureza humana, a fim de percorrer o difícil caminho da felicidade. E me envolve numa dinâmica de encontros com Ele.

É místico! É mágico e esplêndido sentir esses fluidos positivos invadindo nossa alma, apesar de parecer estranho para a maioria das pessoas. Porque esse comportamento transcende o entendimento habitual, as pessoas só acreditam em coisas palpáveis e não percebem que o que movimenta o nosso corpo é o espírito. E esse espírito — teologicamente imortal! — não tem idade, não se presta ao descanso físico; quer nos animar sempre, mesmo que as adversidades estejam presentes.

Não desejo individualizar esta homenagem, a despeito de a introdução se referir apenas à minha mãe, Dona Francisca Pereira Lima. Quem me deu à luz, assim como a mãe de Jesus, representa todas as mães com quem pude conviver e me abastecer de seus carinhos e ensinamentos. Reconheço que Deus, na sua incontestável sapiência e sacralidade, quis, na sua forma humanizada, também ter uma mãe aqui na terra — Maria.

E assim, convivi com algumas mães, com os seus diversos carismas, mas com seus encantamentos únicos, sublimes. Mulheres que abraçavam a paixão para enfrentar os desafios do cotidiano; que evocavam a força da fé para obter as armas necessárias ao “bom combate”. Eu sou fã de todas as mães verdadeiras, aquelas que sofrem ou se encantam com seus filhos, aquelas que têm a empatia materna tatuada no coração; há aquelas que, além de cuidar e educar os filhos, ainda têm a vocação de filha dedicada. Nutro por essas espetaculares criaturas humanas um sentimento de admiração, de carinho e, simbolicamente, quero consagrá-las no altar da glória de Deus. 

Neste dia, escolhido em um domingo do calendário exclusivamente para homenagear essas altivas criaturas humanas, desejo me congratular com todas elas, com essa legião de anjos terrestres e celestes.

Além de minha mãe, não posso deixar de recordar minha avó peruana, Dona Victoria Malafaya. Uma mulher iletrada, mas sábia na condução de uma família destroçada; que soube suprir, como uma matriarca, a perda de minha mãe, falecida precocemente. Ensinou-me o caminho do discernimento juvenil e, também, o seu idioma castelhano, que ainda hoje carrego comigo na mente e no coração. Livrou-me muitas vezes dos castigos que meu pai queria me infligir, devido às minhas peraltices. Com sua sabedoria inca, apenas o fazia refletir que eu era um menino ainda, órfão, e necessitava de amor, carinho e compreensão. E ela soube, em raros momentos de sua vida, me doar esses sentimentos.

Dona Doroteia Santos foi uma madrasta revestida com uma auréola de mãe verdadeira. Sofremos juntos as dificuldades de uma família humilde numa cidade sem perspectiva econômica dos anos 1960. Ela ensinou-me como lidar com as adversidades e me mostrou um estoicismo incomum para uma mulher com sua limitação cultural. Com ela, aprendi que o trabalho dignifica qualquer pessoa, em qualquer idade; aprendi como cuidar dos meus irmãos menores, da nova geração, que brotava ano a ano; ao lado dela descobri que para ser feliz não necessariamente precisamos de bens materiais, precisamos ter fé no futuro e se rejubilar com o momento presente. Com aquilo que Deus nos oferece em cada etapa da nossa vida. É fato, elas ainda estão aqui dentro de mim, na minha mente e no meu coração.

A todas as mães, em todas as dimensões, reitero minha congratulação e meu apreço. Fiquem todas com Deus!

domingo, maio 11, 2025

DIA DAS MÃES 2025

 

Em nome da filha Valéria, avó bem assumida,  os abraços e brindes que o espaço não me permitiu distribuir às Mães do meu reino. 

Valéria Souza por ocasião dos festejos em Brasília DF.



POESIA PARA O DIA DAS MÃES

 Este domingo (11) de maio é assinalado para comemorar o Dia das Mães. Aproveito a oportunidade para retornar à atividade da qual me afastei, por moléstia própria e do computador. Para tanto, tomei emprestado ao saudoso poeta Álvaro Maia um seu poema para completar a festa. Segue com um descuido grave do pesquisador: a falta de identificação do ano da publicação, sabido que foi realizada no Jornal do Commercio, em 24 de outubro.



 

 





Recorte do matutino

Deixando o Olimpo em esto e arremessos,

presos os cachos por sedosos nastros,

os deuses pelo céu gravaram, rastros,

encheram o alto de estendais espessos...

 

Em noites puras, o colar dos astros

brilha, quais joias de elevados preços,

-- brincos, rosetas, pedras, adereços,

cordões de luz, pulseiras e de alabastros...

 

Traçaram na passagem pelo mundo,

labirintos suspensos aos olhares,

o seu itinerário vagabundo...

 

Fugiram, dispersaram-se... E, chorosas,

morreram diluídas nos luares,

na voz das fontes e no odor das rosas... 

II 

Os olhos aos céus límpidos levanto,

na adoração das místicas estrelas.

O sonho, embevecido para vê-las,

agita a ideia em desvairado canto.

 

O pensamento circunvaga pelas

taças douradas do país do Encanto,

e quando volta, mergulhado em pranto,

vem com desejo de querer bebê-las...

 

Louras estrelas pelo azul perdidas,

mostrai à terra as faces diamantinas!

Fulgi, rastros de deusas foragidas,

 

Em lírios de ouro, em lúcidos junquilhos,

e recebei as lágrimas divinas,

as lágrimas de mães que lembram filhos...


domingo, maio 12, 2024

MAIS UMA HOMENAGEM

 

DIA DA MÃE

12.05.2024


Renato Mendonça

 Quando eu a vejo, paralisada dentro do belo quadro, fixado na parede azul claro do meu quarto, e olho em seus olhos, sinto que ela esteve conversando com o Senhor; intuo que ela quer me transmitir seus ensinamentos aprendidos na curta passagem pela vida terrena e os de agora, na vida espiritual. Não sei como isso pode acontecer, mas tenho certeza de que acontece...


Dona Dora

Recebo sua mensagem metafísica mesmo não estando mais ali na sua presença. E, às vezes, acredito que Deus quer me motivar, e a usa para isso: abastece-me com a força da sua fé; cumula-me com o discernimento para invocar a sacralidade das coisas, como se fosse um modo de escutá-Lo; faz-me compreender a emblemática da nossa natureza humana, a fim de percorrer o difícil caminho da felicidade.

Francisca P. Lima

É místico! É mágico e esplêndido sentir esses fluídos positivos invadindo a alma, apesar de parecer estranho para a maioria das pessoas. Porque esse comportamento transcende o entendimento habitual, as pessoas só acreditam em coisas palpáveis, e não percebem que o que movimenta o nosso corpo é o espírito. E esse espírito — imortal! — não tem idade, não se presta ao descanso; quer nos animar sempre, mesmo que as adversidades estejam ali presentes.

Não desejo individualizar esta homenagem, a despeito da introdução se referir apenas à minha mãe. Quem me deu à Luz, assim como a mãe de Jesus, representa todas as mães que pude conviver e me abastecer de seus carinhos, mimos e ensinamentos. E foram algumas, com os seus estereótipos diversos, mas com seus encantamentos únicos, sublimes. Eu sou fã de todas as mães verdadeiras, aquelas que sofrem ou se encantam com seus filhos, as que têm a empatia materna tatuada no coração; há aquelas que, além de cuidar e educar os filhos, ainda têm a sua função de filha dedicada, zelam por seus pais idosos ou doentes. Nutro por essas espetaculares criaturas humanas um sentimento de admiração, de carinho e, simbolicamente, quero consagrá-las no altar da glória de Deus. 

Neste dia, escolhido em um domingo do calendário, exclusivamente para homenagear essas altivas criaturas humanas, desejo me congratular com todas elas, com essa legião de anjos terrestres e celestes.

Além de minha mãe, não posso deixar de lembrar de minha avó, Dona Victoria Malafaya. Uma mulher iletrada, mas sábia na condução de uma família destroçada, que soube suprir como uma matriarca, a perda de minha mãe, falecida precocemente. Ensinou-me o caminho do discernimento juvenil e, também, o seu idioma castelhano, que ainda hoje carrego comigo na mente e no coração. Livrou-me muitas vezes dos castigos que meu pai queria me impor, por minhas peraltices. Com sua sabedoria inca, apenas fazia-o refletir que eu era um menino ainda, órfão, e necessitava de amor, carinho e compreensão. E ela soube, em raros momentos de sua vida, me doar esses sentimentos.

Dona Doroteia Santos, foi uma madrasta revestida com uma auréola de mãe verdadeira. Sofremos juntos as dificuldades de uma família humilde numa cidade sem perspectiva econômica dos anos 1960. Ela ensinou-se como lidar com as adversidades e me mostrou um estoicismo incomum para uma mulher com sua limitação cultural. Junto com ela, aprendi que o trabalho dignifica qualquer pessoa, em qualquer idade; aprendi como cuidar os meus irmãos menores, da nova geração; ao lado dela descobri que para ser feliz não necessariamente precisamos de bens materiais, precisamos ter fé no futuro e se rejubilar com o presente. Com aquilo que Deus nos oferece em cada etapa da nossa vida.

A todas essas mães, e outras que falarei em breve, minha gratidão e meu apreço.

Minha congratulação, Mães, em todas as dimensões! 

DIA DAS MÃES - 2024

Minha saudação às MÃES pelo seu DIA consagrado, às mães que me ajudaram neste caminhar; relembro as esposas e abraço as filhas que completam o bem viver.

Curitiba, 12 de maio


Composição do autor da postagem 

domingo, maio 14, 2023

DIA DAS MÃES (2)

A MAR, A MÃE 

Renato Mendonça

 (irmão e incentivador desta página)

Quando se busca adjetivar as mães, encontram-se tantas qualidades que parece impossível caber apenas numa palavrinha, num monossílabo. E todas são adequadas, todas lhe cabem perfeitamente.


Quis compará-las ao mar.  Num primeiro momento, soou-me inadequado. O mar é um termo masculino na língua portuguesa, mas convenhamos, em espanhol e em outras línguas latinas — como por exemplo, em francês e no catalão —, especialmente quando usado em situações poéticas, la mar es femenino!

Assim, pude tranquilamente fazer minha analogia sem criar um conflito de gênero e achar uma forma adequada para sintetizar o papel das mães na nossa geração. Desde a fecundação, quando sabemos que um óvulo nela contido já estava moldado pelo Criador para gerar uma nova vida, até a idade adulta quando abandonamos o lar materno e alçamos um voo para formar nova família. Mesmo assim, não abdicamos de ter em nosso íntimo a proteção materna, feito um incenso que nunca se acaba.

A mãe tem seu papel relevante em todas as etapas de nossa vida. No nascimento, em parto normal, é ela quem fornece a seiva do amor, concebida pela primeira colonização bacteriana que recebemos dos microrganismos vaginais, para herdarmos um primitivo sistema imunológico. E com o gesto de amamentação é liberada espontaneamente a ocitocina, um hormônio necessário para diminuir a angústia provocada pelo parto e potencializar a relação social materna.

Nem é preciso esmiuçar o papel fundamental durante as fases seguintes. Os primeiros passos de uma criança simbolizados pela mão da mãe segurando a do filho nos mostra o futuro; a fase escolar da alfabetização nos apresenta, junto com ela, a melhor escolha; a seguir vem a adolescência e seus dilemas sociais, e lá está ela a nos proteger da enxurrada de alçapões da vida. E quando chega a fase adulta, nos orienta, caminha conosco e nos ensina a voar.

É a Mãe Natureza que congrega tudo isso. Criou todos os espécimes da Terra com o dom da maternidade e da sobrevivência; e os racionais, também com habilidade para catalisar dores e emoções. Por tudo isso, são as fiéis depositárias dos nossos segredos ou de nossas confissões íntimas.

Felizes os que têm a graça de conviver com sua mãe por muitos anos harmonicamente; felizes os que podem no dia de hoje abraçá-la e beijá-la fervorosamente. Felizes os que podem agradecer-lhes, pessoalmente, a luz da vida. Se puderem, façam isso, não se furtem de retribuir todo carinho e afeto recebido ao longo dos anos.

Sem dúvida o ser humano mais importante em nossa vida...

 

Feliz Dia das Mães! 


DIA DAS MÃES (1)

 Minhas flores (ainda que virtuais) para as Mães que tive o prazer de desfrutar. Cabendo a minha Mãe, dona Francisca Pereira Lima a primazia, pois foi a única a não receber uma festa, que ainda não existia quando ela faleceu.

Sem olvidar a DONA Doroteia, mãedrasta



domingo, maio 08, 2022

DIA DAS MÃES

 Este Dia Especial neste ano pertence à dona Francisca Pereira Lima, que o filho Renato, imortalizou em “Chicuta”, o livro recém editado. Era nossa mãe, morta aos 35 anos, vítima de doença cancerígena. Foi desse modo que ele encerrou a memória, descrevendo os últimos instantes de vida dela:

Chicuta com o então respeitável
diploma de Corte & Costura 

“Ela levantou a mão direita, praticamente só a mão, enquanto o braço, esquálido, permanecia depositado sobre a cama. Olhou de novo, e fixou o olhar nos três filhos, como se quisesse plasmá-los como os únicos mensageiros, os que receberiam sua mensagem de amor e fé, numa espécie de comunicação metafisica de seus pensamentos, de seus derradeiros sentimentos, naquele momento emblemático e fatal.”

E prosseguiu: “Olhou para sua caderneta de orações, de cânticos e novenas – escrita à tinta, como muito esmero e dedicação, numa perfeita caligrafia – mas não conseguiu alcançá-la. Talvez não quisesse alcançá-la, apenas chamar atenção aos que estavam ali.

Finalizando: “A doença lhe abreviou o tempo na terra; porém, com sua fé em Deus mostrou a todos que seria possível continuar amando, do seu lugar eterno. Parou de bater o seu coração aos dezoito dias do mês de julho de mil novecentos e cinquenta e dois.”  

Estamos próximos dos 70 anos de saudades e veneração!

Flores para a saudosa Dama



Para saber mais: https://catadordepapeis.blogspot.com/search?updated-max=2022-05-03T22:14:00-04:00&max-results=4

domingo, maio 09, 2021

DIA DAS "MÃOS"

  A postagem pertence ao Renato Mendonça, meu irmão e colaborador bissexto. Melhor não explicar o deslise gráfico, ele o fará no texto. A foto é de nossa Mãe, Francisca Lima.

Dia das mãos

09/05/2021

O que parecia ser um erro de grafia, quando digitei o título, ecoou pra mim como um alerta; ou melhor, mais um símbolo que podemos acrescentar à essas maravilhosas criaturas, que em um simples monossílabo, encerra tantos adjetivos de qualidade. Não quero convencer ninguém, mas posso garantir que foi Deus quem trocou o ‘e’ pelo ‘o’.

O simples monossílabo — Mãe! — é o grandiloquente nome que muito bem representa a candura e a lealdade de Nossa Senhora, a santa escolhida para ser a mãe de Jesus, e por excelência, a mãe de todos nós.

É o amor em sua essência. O presente de Deus para nós... o sopro da vida, que nos colocou no útero da mãe, fecundando um óvulo que estava preparado para o nosso nascimento. Desde quando a mãe nasceu, esse óvulo já estava gestado para servir futuramente à uma nova vida. Incrível, essa emblemática linhagem do ser humano! São as ligações em simbiose, que congregam também valores espirituais a unir a mãe aos seus filhos, além do cordão umbilical que os entrelaça fisicamente, compartilhando os mesmos nutrientes e o mesmo ar.

Neste Dia das Mães, mesmo se não puder abraçá-la — seja por causa da pandemia; seja porque a distância os separa; ou porque ela já frequenta outro Plano Espiritual —, demonstre todo seu carinho por ela, e reze por ela! O melhor presente será uma oração de fé! E ela, com certeza, também irá orar pelos filhos. Ela que já fez tanta coisa: gerou, deu sua luz, amamentou, criou e educou, até tornar-se um cidadão. Tantos sacrifícios que somente a alma materna é capaz, de exercer a verdadeira dedicação e doação do amor! Seu amor é como um sacramento, cuja igreja é a própria mãe!

Reze por sua mãe. Nesse tempo atual, a oração é a maior força espiritual, o alicerce no qual podemos edificar uma coexistência humana, aqui entre nós. Volto a sublinhar: mesmo se Deus a chamou por ter finalizado sua missão na Terra, reze por ela! Honre a sua grandeza, independente do quarto mandamento!

E as mãos? Por que Deus digitou ‘mãos’?

Esse é o maior símbolo de todas as mães! É o símbolo do aconchego; é o símbolo do recebimento do ser humano no colo materno. O apoio do dorso do bebê contra o peito da mãe. O abraço. As mãos que abraçam. As mãos que acolhem. As mãos que botam o peito pra fora para amamentar; as mãos seguram no colo o pequeno ser que ali se acomoda, e sonha. As mãos que protegem, desde o nascimento até quando eles nem precisam mais de tanta proteção. Mãos que às vezes agridem, mas com ternura e desvelo. As mãos que abençoam. Mãos que conduzem pelos caminhos da vida. Mãos que afagam, que envolvem os filhos como quem quer instalar a aura no seu entorno, um fluido a rodear seu corpo.

Se quiséssemos pintar a mãe num quadro abstrato, poderíamos apenas representar duas mãos segurando uma criança. É o melhor símbolo para essas aguerridas lutadoras do cotidiano, que lutam por amor.  O ato mais sublime está configurado na mais importante missão nessa Terra: conceber a vida! Felizes os que ainda hoje podem ser plasmados por essas bençãos maternas.

Parabéns a todas as Mães!

domingo, maio 17, 2020

OS FILHOS DE FRANCISCA


Francisca

Neste domingo, junto-me ao Henrique e ao Renato para comemorarmos o Dia da nossa Mãe, dona Francisca Pereira Lima (1918-52). 

 Domingo passado foi o Dia das Mães, quando postei minha comovida impressão, ainda que ilustrando a postagem com um literato e um poema.

Coube ao mais novo esta iniciativa, lembrança que ele traduziu em uma Carta à saudosa mãe. Apenas um detalhe para melhor compreensão da missiva: ele nasceu um ano antes da morte de nossa mãe, entretanto, nesse período ela pelejou pela saúde própria com as forças que a medicina possibilitava. Desse modo, Renato não teve o aconchego de dona Francisca. 

  
CARTA À DONA FRANCISCA


Renato
Fui visitado por um anjo num sonho, um anjo mesmo: de asas, roupa branca e auréola suspensa na cabeça. Pediu-me para escrever uma carta, para alguém em especial, numa data especial. Emprestou-me mãos de menino para escrever e ficou esperando para portá-la; busquei no baú da memória do menino, enquanto ele esperava. Feliz, mas desconcertado, pensei na destinatária:

Querida Francisca,
Espero que estas mal traçadas linhas possam lhe encontrar com saúde... com saúde espiritual. Enquanto eu e meus irmãos, estamos bem, levando a vida como Deus quer.Meu pai, infelizmente para nós e felizmente para você, deixou a nossa companhia por aqui e foi pra aí. Tanto tempo sem se falar, acabei por deixá-la com poucas notícias. Depois que você foi embora, naquele fatídico dia 18 de julho, eu fiquei chorando. Foi um choro de fome, sobretudo. Tudo ficou indefinido na minha vida, eu não sabia como ia fazer para mamar... Mas, sou testemunha, meu pai providenciou tudo e não me abandonou nem a mim, nem meus irmãos. Aliás, sobre isso queria lhe falar: meu pai cumpriu o que vocês combinaram, ele não nos abandonou em nenhum momento.Queria até lhe contar um caso engraçado, mãe. Quando eu tinha cinco anos, ele me levou alguns dias para “fazer a praça”, na boleia do caminhão. Ah, ele trabalhava como representante pracista de vendas de biscoitos e bolachas. E teve um dia, que eu estava com fome, e, sem que ele visse, comi todas as amostras de biscoitos. Quando ele foi mostrar ao comerciante o novo modelo de biscoito que a panificadora produzia, não tinha nenhum. Ele até perdeu a venda, mas não ficou chateado, não.
Outra coisa: ele gostava de me levar para tomar sopa. Ele almoçava sopa, eu também. Só que eu pedia dois pratos, e ficava empanzinado. Foi um tempo muito bom. Às vezes, ele me deixava na casa da tia Raimunda, sua irmã mais velha. Ela cuidava de mim, mas alguma vez eu a deixava irritada, e aí, ela não tinha paciência. Outras vezes, ficava com minha avó, vovó Vitória, lembra dela? Você lembra, sim. Vocês conviveram em Manaus e no Rio. E, por falar nisso, mãe. Por que o casal, estando em Iquitos (Peru), voltou para o Brasil? Se tivesse permanecido, o Roberto teria nascido lá, e seria um peruano. E o destino seria outro... Quando você responder, me tira essa dúvida, tá?
Formatura, Iquitos Peru

Ah, outra coisa: o Antônio não gosta de ser chamado de Antônio, prefere o Henrique. E, por falar nisso, quem escolheu o Antonio, foi meu pai? Vou esperar você me dizer, mas tenho quase certeza que foi ele... ele gostava de olhar na folhinha, não era? E no meu caso, mãe, quem escolheu o Renato? Acho que foi você! Essa charada eu matei: foi você. Só pode! Meu pai viu na folhinha o dia de São Pedro e São Paulo. Você não ficou com medo de ele escolher “Pedro Paulo”? Tem muita gente por aqui com esse nome duplo... Bem, mãe, ainda tenho muitas curiosidades, muitas dúvidas para esclarecer. Ainda sobre o Roberto, quem escolheu o Manoel? Foi meu pai? Acho que ele queria se homenagear, mas também desconfio que foi a folhinha.
Mãe, você tem muitas perguntas pra responder. Vou te deixar em paz, para pensar. Vou aproveitar para lhe atualizar de notícias. Seus irmãos já estão todos aí com você, assim como a avó Vitória. E por falar nela, você a encontrou por aí? Outra coisa, mãe, aqui estamos vivendo uma pandemia. Você passou por isso, quando tinha um ano, até três talvez. Dizem que demorou muito, mas você nem se lembra... Sua mãe, Adelaide, deve ter lhe contado sobre isso. Se você lembrar, diz como nós podemos nos proteger. Nos ensina esse caminho.
Todavia, o que queremos mesmo é sua proteção espiritual, mãe. Fala aí com o Senhor, ele pode acabar com isso, o vírus está matando muita gente boa, velhos e moços.Beijos, mãe. Parabéns para você, nesta data, querida!
Renato


domingo, maio 10, 2020

DIA DAS MÃES E UM POEMA

Hoje é comemorado o Dia das Mães e seria o do aniversário (98 anos) do saudoso padre Nonato Pinheiro. 

Francisca e Roberto (fev.1950)
Não haverá festas: o reverendo não está entre nós desde 1994. E o domingo de nossas Mães está comprometido pelo confinamento sanitário.
Vou lembrar a data com um poema deste sacerdote, publicado em O Jornal, em 10 de maio de 1962, que era, coincidência como hoje, festa das Mães e dele.

Aproveito ainda para lembrar dona Francisca Lima Mendonça (1917-51), minha genitora (foto), que deixou a família muito jovem, acometida de doença infecciosa, que em nossos dias é facilmente curável.  

Em 1922 – Nasceu em Manaus (AM), o padre Raimundo Nonato Pinheiro, filho do poeta homônimo e da professora Diana Pinheiro, devidamente homenageada na escola estadual existente na avenida Presidente Kennedy, no bairro de Educandos. Fez os estudos secundários no Colégio Dom Bosco, em Manaus, mas a formação eclesiástica forjou nos seminários de Belém (PA) e São Luís (MA), onde foi ordenado sacerdote em outubro de 1946.

Nonato Pinheiro (1976)
Exerceu o sacerdócio em Manaus e em Parintins, antes da instalação da Prelazia local, a cargo dos padres do PIME. No entanto, por divergências com a Igreja amazonense, esteve afastado das ordens sacerdotais.


Dedicou-se com brilhantismo ao cultivo das letras. Seu extremado zelo com o idioma pátrio o fez reconhecido filólogo e linguístico; o jornalista com colaboração em todos os jornais da Capital; e uma reconhecida aptidão pela polêmica. Pertenceu ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), onde exerceu com competência a função de Orador, e cuidou da biblioteca da instituição.

Padre Nonato Pinheiro foi empossado na Academia Amazonense de Letras em 1950, para ocupar a Cadeira 20, como patrono o filólogo João Ribeiro. Na sessão de posse, foi saudado pelo cientista Djalma Batista.
Publicou muito pouco, apenas três livros, sendo o mais conhecido sobre o terceiro bispo do Amazonas, Dom João da Matta (1956), que a Editora Valer reeditou em 2008. Tenho me esforçado para recolher dos jornais as inúmeras contribuições deste intelectual, como disse, em todos os jornais de Manaus, em um período que estimo de quatro décadas.
  
Recorte de O Jornal, 10 maio 1962
É de púrpura e ouro este dia de maio,
Dia de nossas mães, tão santas e extremosas!
O dia se ilumina ao fulgurante raio 
De nosso amor filial a se expandir em rosas... 
Vibrando de emoções, em cânticos me espraio,
Ouvindo essas canções, mensagens deliciosas,
Que transmitem às mães um suspiro, um desmaio
De amor e comoção, em frases luminosas... 

E vós, órfãos que sois, buscai a sepultura
De vossa mãe querida neste dia lindo
Para imprimir na lousa o beijo da ternura... 

E ao cálido contacto desse beijo infindo,
Sentireis palpitar numa saudade pura
O grande coração de vossa mãe, sorrindo!... 


domingo, maio 12, 2019

DIA DAS MÃES

Francisca Lima

Não podia ser outra a postagem: Dia das Mães.

Estive ontem pensando o que escrever sobre a data. Tinha que falar de mãe. Vamos lá. possui duas: a biológica, dona Francisca, e do segundo matrimonio, ou seja - a mãedrasta (desculpe o invencionismo) dona Doroteia, morta em 1992.

A primeira festa comemorativa deste dia, que me vem à lembrança, aconteceu com um presente de certo inesperado. Dona Dora estava gestante, esperando o filho para "aqueles dias". Apesar do desconforto, agia na cozinha preparando o almoço. Os filhos, obviamente, aguardando o melhor horário. 
Doroteia Santos

Eis que as dores apertam, a hora do "presente" havia chegado para a Dona (assim a tratávamos). Meu pai apressa os cuidados, toma a esposa e seguem para a maternidade Balbina Mestrinho. Era o ano de 1960, e o Dia das Mães foi comemorado a 8 de maio.  

Com a ausência da mãe, restou aos filhos cuidar do almoço e se manter em harmonia, aguardando a novidade. Ao final da tarde, chega o eufórico pai anunciando o nascimento de mais um filho: Miguel Jorge. Em nossos dias, avô de primeira viagem, residente em Telêmaco Borba (PR).

Conheci bem mais a minha mãedrasta, excelente pessoa que soube cuidar do velho e dos filhos, no total, oito homens. Em sua homenagem, Dona Dora, abraço a tantas mães da família Mendonça y Mendoza.

Votos de Feliz Dia das Mães, às filhas Valeria e Gabriela Souza