CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, maio 14, 2023

DIA DAS MÃES (2)

A MAR, A MÃE 

Renato Mendonça

 (irmão e incentivador desta página)

Quando se busca adjetivar as mães, encontram-se tantas qualidades que parece impossível caber apenas numa palavrinha, num monossílabo. E todas são adequadas, todas lhe cabem perfeitamente.


Quis compará-las ao mar.  Num primeiro momento, soou-me inadequado. O mar é um termo masculino na língua portuguesa, mas convenhamos, em espanhol e em outras línguas latinas — como por exemplo, em francês e no catalão —, especialmente quando usado em situações poéticas, la mar es femenino!

Assim, pude tranquilamente fazer minha analogia sem criar um conflito de gênero e achar uma forma adequada para sintetizar o papel das mães na nossa geração. Desde a fecundação, quando sabemos que um óvulo nela contido já estava moldado pelo Criador para gerar uma nova vida, até a idade adulta quando abandonamos o lar materno e alçamos um voo para formar nova família. Mesmo assim, não abdicamos de ter em nosso íntimo a proteção materna, feito um incenso que nunca se acaba.

A mãe tem seu papel relevante em todas as etapas de nossa vida. No nascimento, em parto normal, é ela quem fornece a seiva do amor, concebida pela primeira colonização bacteriana que recebemos dos microrganismos vaginais, para herdarmos um primitivo sistema imunológico. E com o gesto de amamentação é liberada espontaneamente a ocitocina, um hormônio necessário para diminuir a angústia provocada pelo parto e potencializar a relação social materna.

Nem é preciso esmiuçar o papel fundamental durante as fases seguintes. Os primeiros passos de uma criança simbolizados pela mão da mãe segurando a do filho nos mostra o futuro; a fase escolar da alfabetização nos apresenta, junto com ela, a melhor escolha; a seguir vem a adolescência e seus dilemas sociais, e lá está ela a nos proteger da enxurrada de alçapões da vida. E quando chega a fase adulta, nos orienta, caminha conosco e nos ensina a voar.

É a Mãe Natureza que congrega tudo isso. Criou todos os espécimes da Terra com o dom da maternidade e da sobrevivência; e os racionais, também com habilidade para catalisar dores e emoções. Por tudo isso, são as fiéis depositárias dos nossos segredos ou de nossas confissões íntimas.

Felizes os que têm a graça de conviver com sua mãe por muitos anos harmonicamente; felizes os que podem no dia de hoje abraçá-la e beijá-la fervorosamente. Felizes os que podem agradecer-lhes, pessoalmente, a luz da vida. Se puderem, façam isso, não se furtem de retribuir todo carinho e afeto recebido ao longo dos anos.

Sem dúvida o ser humano mais importante em nossa vida...

 

Feliz Dia das Mães! 


DIA DAS MÃES (1)

 Minhas flores (ainda que virtuais) para as Mães que tive o prazer de desfrutar. Cabendo a minha Mãe, dona Francisca Pereira Lima a primazia, pois foi a única a não receber uma festa, que ainda não existia quando ela faleceu.

Sem olvidar a DONA Doroteia, mãedrasta



sexta-feira, abril 28, 2023

ANIVERSÁRIO MATERNO

 Dona Francisca, que a família tratava por Chicuta, festejaria hoje 106 anos, porém, ela faleceu aos 35 anos de idade. Renato, o filho caçula, não esquece a data, e para relembrar a efeméride escreveu o texto aqui compartilhado no Blog do Roberto, o filho mais velho. 

"As pedras-ume, o sabão virgem e as plantas medicinais já haviam sido preparadas; os panos alvejados com cândida estavam sempre prontos para uma emergência. A bacia esmaltada, já usada com sucesso, ali mesmo, tantas vezes e outros utensílios, que faziam parte das ferramentas de trabalho, estavam esterilizados. Mesmo sem conferir no calendário, aguardava-se a mudança de lua; sabiam-se de cor que fase se vivia; aquele paraíso ecológico facilitava a leitura, e era sempre um dos fatores da natureza levado em consideração. A lua tinha seu papel, o papel de abrir as entranhas para gerar uma nova vida, iluminando-a com a luz do mundo.
A parteira tinha razão, no dia 28 de abril de 1917, um sábado, no último dia do Quarto-Crescente daquele mês, véspera da Lua Cheia, chegou Francisca sob o signo da Lua. A maioria das apostas acertou o sexo, era só isso que faltava. A escolha do nome havia sido decidida previamente, uma homenagem a São Francisco Canindé, padroeiro dos nordestinos."
Renato Mendonça

Flores de saudade


segunda-feira, julho 18, 2022

MORTE DA MATRIARCA (1952)

 São 70 anos sem ela, aconteceu nessa data o falecimento de nossa Mãe (minha e dos manos Antonio e Renato). Durante anos acreditei e honrei o dia 17, até que o Renato com seu espírito vibrante me convenceu de que fora a 18. Apenas um detalhe, passado tantas décadas, sem importância. Dona Francisca, para o registro civil, a dona Chicuta para os familiares, segue presente. Juro! 

Renato, como realiza anualmente, produziu uma página de recordações, nesta ele abraça o nosso Pai, Manuel Mendonça. E conta algumas desventuras causadas pela partida de Dona Chicuta.



A REVELAÇÃO

28.04.2021

 Renato Mendonça

Após um ano que nasceu, a mãe morreu-lhe, e o deixou órfão com mais dois irmãozinhos. O pai não quis se casar. Ainda jovem, aos 36, deviam ter-lhe aparecido bons partidos, mas não quis compromisso. Ou não soube se casar. Essa é uma dúvida que ficou sem ser revelada. O certo é que não lhe faltaram relacionamentos, como jovem que era; é provável que muitos. E num desses, gerou dois filhos: um menino, Raimundo — muito parecido com o pai —, e uma menina, Sonia, num espaço de dois anos. A jovem Lindalva, muito jovem ainda, não se aceitava como esposa, apenas mãe.

Não há nenhuma crítica a esse tipo de comportamento, são desígnios da vida. O homem é intrinsicamente humano, um ser imperfeito, que mesmo compenetrado da sua doutrina religiosa, é movido também por seu instinto masculino a lhe cobrar a satisfação fisiológica, vicissitudes da vida. O certo é que ele cuidou de todos, à sua maneira, e dedicou-lhes atenção como um verdadeiro pai, quando lhe cabe uma missão acompanhada de uma responsabilidade dupla.

Ele só conseguiu aprender a se casar sete anos depois — veja bem, assim como o bíblico Jacó, que teve que esperar esse mesmo tempo para casar-se com Raquel. Talvez seja um presságio religioso fundamentado na mística do número sete, relatado inúmeras vezes no Antigo e Novo Testamento.

    Quando deu por si, o garoto, que ficou órfão com um ano, pedia a Deus que o fizesse sonhar com sua mãe para ouvir a sua voz. Queria uma revelação dos últimos momentos dela aqui na terra, como se ele tivesse adquirido a aptidão mediúnica, ou alguém que tivesse a capacidade de ver uma bola de cristal nos sonhos.

    Porém o momento sempre lhe foi negado pelo Criador, por uma razão óbvia: há situações em que é melhor ficar na imaginação, pois a sofreguidão é cruel. Contudo ele queria demais, queria obter os pensamentos dela na situação de dor, porque o pai sempre se recusou a lhe contar. E por que será? Será que ele teve esse momento diante dos olhos? Provavelmente a doença, altamente contagiosa, a afastava de todos; talvez por isso o pai não pôde testemunhar o momento fatal. E seu trabalho, longe de casa, também o impedia de ficar ao seu lado. Será?!

        Por tudo isso, havia esse conflito de hipóteses na mente do garoto carente dessas revelações. Mas intuiu, com ajuda divina, que a mãe, na sua solidão, afastada da família, vivendo sua dor do corpo e na alma, deitada na sua cama — ou na rede, como costumavam descansar os amazonenses — renovou o seu pedido aos céus: para que Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua santa benevolência olhasse pelos três filhos pequenos, com idade variando entre um e seis anos; que o jovem Manoel soubesse achar, dentro da sua responsabilidade e retidão, forças para cuidar dos três pequenos sem ter que doar algum. E mais, suplicou a Deus que todos fossem irmãos verdadeiros; que se ajudassem entre si, e tivessem uma convivência harmoniosa em seus corações. Que nenhum rancor ou ruído externo pudesse atrapalhar o amor fraternal. Que seus caminhos, embora diferentes, tivessem sempre a Luz Maior a alumiar todos os seus passos. E ainda se lembrou de pedir saúde, muita saúde e muitos anos de vida ao pai.

        Ela foi ouvida, o pai viveu até quase 99 anos, a tempo de tomar coragem e contar a desventura que se abateu sobre a mãe. O garoto ficou incrédulo quando ouviu o pai lhe contar, emocionado e com a voz embargada, que não era exatamente a tuberculose que a consumiu, mas a tão atroz doença infecciosa e ainda hoje temida...

        Agora, que o garoto Renato se encaminha para os setenta anos, sente na alma que a mãe Francisca o quer afagar como antes da doença, para lhe ajudar a extrair do seu íntimo uma intuição pouco comum: a revelação estava no próprio signo em que ele nasceu: signo de Câncer, primeiro decanato.

    Mesmo vivendo à sombra de suas inquietações, não se importou quando a vida teimosamente lhe impunha tantos desafios; para ele eram apenas degraus de uma longa escadaria para se chegar ao topo, ao equilíbrio espiritual, à paz de Deus. Na sua mais salutar inquietação, a partir de então, quis resgatar o conteúdo da história de sua mãe, a simplicidade humana, incluindo seus ancestrais.

 Seja por uma necessidade metafísica, seja pelo simples desejo de experimentar de novo as suas mãos santas, o garoto escreverá um livro para venerá-la; aproveitar-se-á dessa oportunidade de manifestação de mais um ato de amor, para ajudar a nos convencer que a vida absolve as derrotas.

Renato e o pai Manuel, em Barra Mansa/RJ

 

sábado, junho 18, 2022

DESDE ONTEM, SÃO 76 PRIMAVERAS

 O feriado de Corpus Christi contribuiu grandemente para o festejo natalício deste blogueiro, quando foi iniciado o festejo. Ontem, sexta-feira, foi o dia da festa, que prossegue hoje e se encerra amanhã. Esta festa me traz à memória o fundador da Rádio Difusora, ocasião em que ele misturava os astros para informar que algum ouvinte ganhara mais um fruto "no pomar de sua existência".  

Se pudesse escolher, optaria por um biribá (doce, macio e de fácil digestão), porém, o que mais cresce é o abacaxi. Apesar de suculentos e doces, como dão trabalho os abacaxis... De qualquer modo, gratíssimo aos chegaram junto com um abraço ou um telefonema ou aquele pedaço de bolo. 

Registros do artista modelo 7.6

Compartilho a página com que me saudou Renato, meu irmão, inserida no livro em que ele reverencia nossa mãe Chicuta (Niterói: Ed. Autor, 2022), e lembra meu aparecimento no seio da família Manuel e Francisca Mendonça.

E assim, seguindo o rito da natureza, com as dores do parto se iniciando em manifestação, todos acreditavam que a criança nasceria na sexta-feira, 14, no primeiro dia da lua cheia, tal qual a mãe. Mas, o primeiro vaso do oleiro não estava totalmente pronto, faltava o retoque final do Criador, o requinte, por isso o primogênito só conseguiu receber o sopro da vida no dia 17 de junho, em plena segunda-feira da semana de Corpus Christi.

Nasceu sob as bênçãos dos santos juninos, entre o dia de Santo Antônio e o dia de São João, um saudável garoto com carinha de peruano; olhos amendoados, tez morena clara e cabelos negros, trazia também na sua bagagem, os genes do bravo povo nordestino.

Manoel correu à folhinha pendurada na parede para ler as efemérides daquele dia. Exclusivamente, interessava-lhe os santos homenageados, destacou-a e guardou no bolso. Mostrou à Francisca os nomes das personalidades: entre outros, estava São Manuel. Pronto! Seu compromisso de escolha estava consumado, um dos nomes fora selecionado.

Francisca, que já tinha em mente sua preferência, apenas adicionou. Repetiu várias vezes para sentir a melhor ordem, a melhor eufonia. Nasceu então, o Manoel Roberto.

sábado, abril 23, 2022

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO

A homenagem a esta data saiu de produção doméstica. CHICUTA: breve história de vida, imenso legado de amor. (Niterói: Ed. do Autor, 2022) foi produzida por meu irmão Renato Mendonça. Chicuta era o apelido familiar de nossa mãe Francisca Pereira Lima. 
Capa do livro

A filha de cearenses fugidos da seca e instalados no lago do Anveres, no município do Careiro, constituiu com o peruano Manuel Mendonça, fugido do lago Caballo Cocha, a família da qual muito nos vangloriamos.

Renato caprichou na pesquisa e assim marcou com sua produção este Dia Internacional. Parabéns, meu irmão!

Dois trechos do Posfácio, escrito pelo
primo de 2º grau