CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

23 de outubro de 2014

CLUBE DA MADRUGADA: 60 ANOS | 2




Logotipo do Clube da Madrugada
A instalação deste clube teve seu período de preparo, de indagações, e um pouco de aventura. E, porque não afirmar, um pouco de boa sorte.

Uma iniciativa da turma foi preponderante. Os jovens intelectuais aventuraram-se em duas excursões ao Sul do país, em busca do absolutamente novo para os insulados manauenses. O marasmo que tomara conta da cidade, na metade do século passado, assemelhada a uma cidade-fantasma depois do usufruto dos privilégios produzidos pela exploração da borracha, no início do século, aniquilava a todos em todos os sentidos.

Apoiados de certo modo pelos Governos do Estado e Federal, valendo-se de uma “carona” em avião da FAB, partiram de Manaus e, como assegura a placa comemorativa, aconteceu...
 
Capa do livro
A descrição desse período encontra-se fartamente narrada em 30 Anos do Clube da Madrugada, publicação de Jorge Tufic (1984). Trinta anos depois, em novo livro, O sonho de Tibério (2011), este respeitado cronista e poeta resume a peripécia inicial dos fundadores do Madrugada, a qual transcrevo abaixo.


AS CARAVANAS I e II


Certo dia do ano de 1951 (a data correta pode estar com o Neto), largou-se de Manaus com destino ao Rio de Janeiro um grupo de jovens que, ao atingir o Sudeste, ficou sendo conhecido por Caravana dos Monges. Levara-o um Catalina da Força Aérea Brasileira (FAB).
Ao sair da capital amazonense ele era composto apenas por Farias de Carvalho, Alencar e Silva (ou Neto) e eu. A
partir do Rio, com Antístenes Pinto, formou -se o quarteto de poetas em direção ao extremo Sul do País, de São Paulo em diante com o patrocínio da Seguradora Nacional Prudência e Capitalização.
Adalberto Vale na direção da empresa e Ramayana de Chevalier como assessor e amigo deste na área de relacionamento cultural e diplomático.
No livro Clube da Madrugada: 30 anos ocupei-me no esboço dessa grande aventura, colocando-a, como não poderia deixar de ser, nos antecedentes do próprio clube. Procurei fazê-lo com a devida cautela, para evitar a insinuação de quaisquer influências externas sobre o ideário em curso daqueles outros jovens pioneiros, cuja liderança se dividia entre poetas e estudantes universitários.
O fato é que as caravanas de 1951 e 1953 (pois houve essa última, com a participação de Guimarães de Paula, iniciando-se pela costa do Atlântico), ficaram deslembradas ou esquecidas nos cinquentenários anteriores ao Clube da Madrugada, ou seja, em 2001 e 2003.
Seria uma boa oportunidade para relembrar as façanhas do grupo, sua audácia e os destaques por ele alcançados em São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.
Para ficar apenas em dois exemplos: a Rádio Gazeta entrevistou-nos sobre os objetivos de nossas viagens no disputadíssimo programa Enciclopédia do Ar (equivalente, hoje, ao programa do Jô Soares na TV), estivemos em visita à casa de Menoti deI Pichia, enquanto, ao nosso lado, o estudante de Direito e futuro ministro do Trabalho, Almino Affonso, fazia-nos companhia, declamava seus poemas de sabor paulistano, sonhávamos juntos.
Terá sido a falta de uma data, devidamente lançada e comemorada, o que deixara em branco as andanças e o trabalho das duas caravanas? Mas isso é sanável.