CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

12 de outubro de 2014

CATEDRAL DE MANAUS


Porto de Manaus, visto da torre com sino da Matriz

A Catedral de Manaus, em 1958, foi contemplada com mais uma restauração. Marcante mesmo foi a decoração feita pelo Casal Makk no interior desta igreja. Ainda não havia esse aberto empenho governamental pelos templos, como se vê. Por isso, foi forçoso que a comunidade católica se empenhasse.

O editorial de A Crítica, de 6 de junho daquele ano, escrito pelo saudoso padre Nonato Pinheiro, empenhava-se em convocar a todos, inclusive os boêmios, para o reparo digno do templo da padroeira do Amazonas.
O resultado foi concreto, tanto que a obra realizada no teto do altar mor se tornou, para o Casal Makk, um prêmio: a maior do mundo em extensão. Porém, costumo alertar aos fuçadores sobre a mencionada pintura na Catedral.  O painel não mais existe, pois a última recuperação deste templo, em 2002, o mandou para o limbo.

PlNTURA DA CATEDRAL 


Promovida pela Paróquia de N. S. de Nazaré, com a cooperação das demais entidades católicas desta Capital, iniciou-se e vai engrossando com as mais risonhas perspectivas de êxito a campanha em prol da pintura da nossa Catedral, tradicionalmente conhecida como a "Igreja Matriz". 
 
O movimento teve sua origem nas justas preocupações do nosso mundo católico, tendo à frente, naturalmente o cônego Walter Nogueira, responsável direto atual pela paróquia da Matriz, em torno do centenário do principal templo religioso desta cidade, a ser comemorado, com regozijos característicos, no ano vindouro.
Recorte do jornal A Crítica
Primeiro, houve a preocupação de fazer a Matriz passar por uma reforma de fachada, inclusive no seu jardim, pela qual, aliás, nos batemos desta coluna, sugerindo que essa última parte fosse feita, com a cooperação efetiva e indispensável da Prefeitura.
E o nosso mais tradicional e pitoresco templo de orações católicas, verdadeira sentinela e símbolo da religiosidade do nosso povo, logo passou a sofrer os reparos transfiguradores da sua vetusta fisionomia ostentando, já agora, clarões de beleza, à vista de todos, como que a anunciar a aproximação da sua data maior.

Para acontecimento de tanta magnitude, porém, o pensamento teria de encontrar, forçosamente, ideias correlatas.
E assim deve ter sido concebida a reforma pictórica para o teto da imponente igreja, entregue, já agora, aos cuidados de artista de fama internacional que presentemente se encontra em Manaus.

Transformada em plano, como era de esperar, a ideia tomou vulto para definir-se nos seus termos reais, em que de todo lado ressalta a sua harmonia com os legítimos anseios do povo desta cidade, no sentido de dotar a sua Catedral, através da reforma já iniciada, da configuração artística que ela merece, e, de outro lado, as despesas necessárias a tal empreendimento.

Para não nos alongarmos nestas considerações, queremos deixar patente que somente a pintura do teto será feito por algumas centenas de milhares de cruzeiros. E o que é interessante é que os recursos terão de provir, na sua quase totalidade, da contribuição particular de todos os (ilegível) da Catedral aqui e em todo o Amazonas.

Por isso tratando-se de assunto ao qual a imprensa, como instrumento de esclarecimento do povo e de defesa das suas mais caras tradições, não podia ser indiferente, é que a A.A.I. [Associação Amazonense de Imprensa], por decisão unânime de sua diretoria, tendo à frente o presidente Aristofano Antony, resolveu assumir o patrocínio da campanha, desenvolvendo, concomitantemente com o dinâmico cônego Walter, um trabalho de angariação de fundos perante os católicos desta terra e todos aqueles que, afastados dos verdadeiros espíritos religiosos, compreendem perfeitamente que "nem só de pão vive o homem", mas, vive, igualmente, das tradições espirituais da sua cidade, com suas belezas arquitetônicas, seus templos de arte etc.

Correm, assim, nesta Capital, os títulos de participação financeira na pintura maravilhosa que irá ter nossa Catedral os seus amigos, que, acreditamos, são todos os amigos de Manaus. Com um pouco de boa vontade, os comerciantes e industriais que, apesar de não estarem ganhando como desejavam, possuem, ainda, o conforto que a grande massa obreira somente conhece de notícia, poderão ajudar nossa querida Catedral. Poderão, também, ajudá-la, com os excedentes das mesas de jogo, das boates, dos clubes elegantes, dos picniques e regabofes, todos os que participam desses entretenimentos. 

Poderão ajudá-la, finalmente, todos os que, apesar da inflação, não estão passando fome e, por isso, com um pouco de boa vontade, devem aproveitar a oportunidade de contribuírem para o progresso da cidade, para aumentar o seu patrimônio artístico, que é uma riqueza comum, pertencente a todos, ricos, remediados e pobres ou miseráveis.

DATE OBULUM – é o pedido, para os que podem, partido da campanha em favor da Catedral. Será que alguém, podendo satisfazê-lo, se negará.? Não acreditamos.
A campanha continua comandada pelo cônego Walter e os homens da imprensa amazonense, como frisamos ao início, com as melhores perspectivas de êxito retumbante.