CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

26 de outubro de 2014

MANAUS: 345 ANOS | 1






Capa do livro
A Prefeitura de Manaus promoveu um joeirado (para recordar velhas matérias jornalísticas) programa para comemorar o aniversário da capital do Amazonas. Teve de tudo um pouco. Talvez a mais visível foi a festa no Sambódromo.

Preferi, todavia, a manifestação cultural organizada no Centro Cultural Paço da Liberdade, localizado na antiga sede da Prefeitura, na praça Pedro II. O outro “ponto de referência” não convém aqui repetir.

A programação constituiu-se do lançamento de livros e a apresentação do filme País do Amazonas. O documentário, sabido pela cidade e pelos estudiosos, foi realizada por Silvino Santos, pioneiro desta Arte na região. 

Devidamente remasterizado e sonorizado, merece ser revisto, pelo que oferece de variadas perspectivas ao estudo no campo das ciências.
Com esta exibição, o programa da quarta-feira (22) se encerrou para mim. Apenas não esperei pelo coquetel que presumia farto, em tempo de eleições.
Quanto ao lançamento, recolhi dois dos livros apresentados: Poesia na floresta: a obra de Severiano Porto no Amazonas, de Roger Abrahim, e Italianos em Manaus, de Luiz Geraldo Demasi.

O primeiro, em excelente trabalho gráfico da Reggo Edições, que fora anunciado na capital por ocasião do octogésimo aniversário do homenageado, me deixou interessadíssimo. Vivo com uma curiosidade: o quartel da Polícia Militar, que hoje abriga o comando central, construído em Petrópolis, teria saído da prancheta de Severiano Porto. Decorei essa receita desde sua construção, a partir de 1967 e, mais precisamente, com sua ocupação pelo 1º Batalhão, em 1971.

Ouvi dizer – não sei onde – que o projeto fora premiado em nível nacional e, mais, que a atual EE Castelo Branco, construída no bairro de São Jorge, era uma réplica do quartel de Petrópolis.

Dessa maneira fui ávido ao livro do Roger, arquiteto “militante apaixonado por Manaus e manauara da gema, faz um exaustivo inventário das obras de Severiano Porto, analisando e registrando fotograficamente cada uma delas”, assegura Márcio Souza na Apresentação.

Fiquei, todavia, desapontado quando não visualizei qualquer foto ou qualquer comentário sobre o mencionado quartel. Aprendi, com certa surpresa, que Severiano Porto chegou a Manaus em 1963, para construir o desaparecido estádio Vivaldão.

Sustentava eu, fundado em tradição oral, que Porto havia desembarcado aqui trazido pelo governador Arthur Reis (1966-67) e seguira trabalhando durante o regime dos generais. Nesse sentido, o livro excluiu qualquer notícia política. Não se lê o nome de governador ou prefeito da época, da época do Governo Militar. Vou prosseguir catando os papéis para tirar a prova.

No entanto, Severiano Porto é o arquiteto, o artista, que revoluciona Manaus. O livro do Roger possui com brilhantismo o predicado de fundamentar essa minha modesta afirmação. A obra deixada por Severiano Porto leva o apresentador Márcio Souza a registrar uma severa reprimenda aos patrocinadores de certas “monumentalidades”.


“Há certas construções, como os centros culturais construídos pelo governo estadual, que o arquiteto que o projetou suponho que se graduado colando, sequer comprou o Neufert, um manual que tem tudo de básico, e jamais entrou num teatro em toda a sua medíocre existência”. E Souza conclui: O resultado são aberrações em cimento e ferro, que mais parecem postos de gasolina com elefantíase”.
Vou lembrar o livro do Demasi sobre os italianos na próxima postagem.