CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

13 de outubro de 2014

JOAQUIM TANAJURA


Joaquim Augusto Tanajura, prefeito de Manaus, 1930

Prefeito de Manaus, Joaquim nasceu em 1878, na Bahia, 12º filho do médico José Tanajura e de Antonia Francisca de Jesus Alves de Castro Coelho. Graduado pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 8 de dezembro de 1900, Joaquim passou a ser conhecido por Tanajurinha.
Acompanhou por anos ao marechal Rondon, encarregado das linhas de transmissão telegráficas, serviço que obrigou àquele e ao seu auxiliar a desbravar parte do Centro-Oeste e Norte do país. Essa proximidade, certamente, facilitou a que Joaquim Augusto Tanajura fosse nomeado prefeito de Manaus, em 1929. Sua gestão durou até a posse de Getúlio Vargas, no Governo Federal, em outubro do ano seguinte.
Tanajurinha foi casado com Flora Ferreira de Carvalho, com quem teve duas filhas: Marina e Maria de Carvalho Tanajura. 

Ilustro com duas publicações referente ao mencionado alcaide: uma, com foto, da revista Rionegrino, editada pelo Atlético Rio Negro Clube, que saúda o prefeito pelo seu natalício, em 1930. Outra, do Diário Oficial local, abaixo, que transcreve a publicação de jornal carioca sobre a morte de Joaquim Tanajura, em 1941.


O falecimento do Dr. Joaquim Tanajura, companheiro de Rondon na Comissão de Linhas Telegráficas — Palavras do ilustre sertanista sobre o médico falecido.(*)


Acaba de falecer em São Paulo, para onde seguira em busca de recursos para a sua saúde abalada, o Dr. Joaquim Augusto Tanajura, médico da Comissão de Limites da Segunda Divisão de Fronteiras. Quando sentiu a súbita indisposição que lhe deu a certeza, grande clínico que era, de que o mal se agravaria progressivamente, o Dr. Tanajura encontrava-se em Ponta Grossa [PR]. Trabalhador infatigável, dedicado como poucos aos serviços da sua pátria e ao sacerdócio da sua profissão, o Dr. Tanajura desde 1909, que vem ocupando cargos de rigoroso sacrifício, atravessando os territórios inóspitos do país como um verdadeiro sertanista.
Médico, naquela data, da Comissão de Linhas Telegráficas e Estratégicas de Mato Grosso e Amazonas, sob a chefia do general Candido Rondon, o Dr. Joaquim Augusto Tanajura fez toda a travessia de São Luiz de Cáceres a Santo Antônio do Madeira, percorrendo dois mil quilômetros através de selvas e pântanos. Tal eram a sua projeção e seu prestigio naqueles afastados recantos do Brasil, que o Dr. Tanajura foi, mais tarde, eleito prefeito de Santo Antônio do Madeira, por Mato Grosso, mais tarde, prefeito de Porto Velho, pelo Amazonas. E, como se não bastassem esses apelos dos seus patrícios onde quer que reclamassem a sua assistência zelosa e dedicada, ainda teve, mais tarde, sob a sua direção, a comuna de Manaus.
Em 1934, o Dr. Tanajura foi nomeado secretário-geral da Comissão Mista de Letícia, ainda sob a chefia do general Rondon. E atualmente exercia, como dissemos, as funções de médico da Comissão de Limites da 2ª Divisão de Fronteiras.
Dadas as suas íntimas ligações com o eminente sertanista general Candido Rondon, a quem sempre acompanhou tanto pela admiração ao chefe como pela dedicação ao amigo. A NOITE [jornal carioca] procurou ouvir aquele ilustre militar, que, não ocultando a sua comoção em face do desenlace fatal, disse ao repórter:

Tratava-se, de fato, de um grande brasileiro. Médico caritativo, benfeitor da humanidade, dedicado, como poucos, aos serviços da sua pátria, o Dr. Tanajura gozava de imenso prestígio tanto em Mato Grosso como no Amazonas. Tinha, por ele, verdadeira amizade e uma irresgatável dívida de gratidão. Foi ele quem salvou a minha vida, na travessia de São Luiz de Cáceres a Santo Antônio do Madeira, quando fui acometido de um ataque de impaludismo. Não fosse o seu zelo e a sua proficiência, provavelmente o chefe da expedição teria perecido naquela ocasião.
E, comovido: tudo quanto A NOITE disser sobre esse grande homem será pouco. E eu, desde já, fico agradecido aos senhores.


(*) Diário Oficial do Amazonas, junho de 1941