CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

26 de setembro de 2014

FILATELIA MAÇÔNICA




O texto que segue foi escrito pelo filatelista Antonio Loureiro, para integrar seu segundo livro sobre o colecionismo de selos. Já se encontra em fase de impressão o primeiro livro, tratando dos Selos Brasileiros sobre a Amazônia.

O GRANDE ORIENTE LUSITANO

Em 1801, reuniu-se, no palácio de Gomes Freire de Andrade, uma assembleia de mais de 200 maçons, presidida pelo venerável da Loja Concórdia José Joaquim Monteiro de Carvalho e Oliveira, para constituir uma Grande Loja. Em janeiro de 1802, a comissão responsável constituída por Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, pelo padre José Joaquim Monteiro de Carvalho e Oliveira e o prior José Ferrão de Mendonça e Souza estiveram com o ministro Rodrigo de Souza Coutinho, maçom, de quem obtiveram a promessa de que a Maçonaria não seria perseguida. 

Hipólito partiu para Londres, em abril de 1802, para negociar com a UGLE (Grande Loja, o reconhecimento de uma Grande Loja Portuguesa e já em maio os registros britânicos informavam a existência de quatro lojas estruturadas em um Grande Oriente Lusitano. Após este acordo foi assinado, a 25 de abril de 1804, o Tratado com o Grande Oriente da França. Antes foi eleito primeiro Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa o desembargador Sebastião de Sampaio.
Selo comemorativo

Foi nessa época que começaram a ser fundadas as primeiras Lojas, no Brasil, das quais iremos nos ocupar em artigo próximo.

Apesar da Maçonaria Portuguesa estar em franco crescimento, contando em suas colunas membros da alta nobreza, como os duques de Lafões e do Cadaval, os marqueses de Alegrete, Alvito, Anjeja, Lavradio, Loulé, Minas, Nisa, Ponte do Lima e Sabugosa, dos condes de Almada, Castro Marim, Mafra, Redinha, Resende, Rio Maior, Sabugal e São Miguel, viscondes de Asseca, Bahia e Balsemão e o barão de Manique, e do clero, a ponto de se dizer que a sede do Grande Oriente estava no Mosteiro de São Vicente de Fora, dos cônegos regrantes de Santo Agostinho, da fidalguia menor, das letras e das ciências, uma nova perseguição iniciou-se, em maio de 1806. Com o andar das investigações, logo parou, quando verificaram que a Maçonaria tinha gente de peso. No Brasil, o conde dos Arcos fez violenta perseguição, naquele ano, a ponto de cessarem as atividades maçônicas.

Neste ano, a Maçonaria Lusitana possuía oito Lojas em Lisboa (União, Regeneração, Virtude, Fortaleza, Amizade, Concórdia, Amor da Razão e Beneficência), três no Brasil (Virtude e Razão, na Bahia, e a Constância e a Filantropia, no Rio), uma em Tomar (Fidelidade), uma no Porto, uma em Coimbra, uma em Setúbal e uma em Funchal na Madeira, com mais de 500 obreiros. 
Essas Lojas estavam voltadas para as duas tendências maçônicas de então: a francesa e a inglesa. Essas diretrizes se chocaram em 1803, quando da rixa entre a Real Guarda de Polícia de Lisboa, comandada pelo maçom francês conde de Novion e o 4º Regimento de Infantaria, comandado pelo general Gomes Freire de Andrade, auxiliado pela Legião de Alorna, de tendências britânicas. 
D. João ficou ao lado dos franceses e transferiu o Regimento para Cascais, prendendo Gomes Freire. Isto iria repercutir alguns anos depois. Ainda em 1806, foi aprovada a primeira Constituição Maçônica Portuguesa.

Notas:
1.          Gomes Freire acabou enforcado após a Revolução de 1817, com repercussões em Pernambuco, onde houve violenta perseguição aos maçons, com matanças e fuzilamentos. Ele participou nas campanhas de Napoleão, com a célebre Legião Portuguesa.
2.          A Maçonaria Brasileira separou-se do Grande Oriente Lusitano, com a criação do Grande Oriente do Brasil.