CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, julho 31, 2019

MAÇONS EM ITACOATIARA



Compartilhado do Jornal do Commercio, 18 de julho de 1969




O flagrante acima é da delegação da III Assembleia de Maçons do Brasil, percorrendo as principais ruas de Itacoatiara, durante a visita que realizaram àquela cidade. Na capital itacoatiarense receberam várias homenagens de autoridades e povo em geral.


Nota própria:
O encontro maçônico aconteceu em Manaus, ha 50 anos. Acredito que o deslocamento a Itacoatiara deve ter sido realizado por navio da Enasa, um dos navios da "frota branca". Por quê? Porque a rodovia que liga Manaus àquela cidade ainda estava em construção, apesar de permitir o deslocamento. Seria um castigo e desconforto para os engravatados maçons enfrentarem a poeira.

Conheci a rodovia Torquato Tapajós em setembro de 1967, quando da inauguração da Usina de Energia Elétrica. Desembarquei na Velha Serpa coberto de poeira. O retorno aconteceu em navio da Enasa. Por isso acreditar que o deslocamento da embaixada ocorreu por meio fluvial.

sexta-feira, dezembro 14, 2018

40º ANIVERSÁRIO DA LOJA



A Loja Caetano Felix do Nascimento comemorou anteontem (12/12) quarenta anos de fundação. A sessão comemorativa seguida de jantar, reunindo seus integrantes e familiares, acrescido de convidados, ocorreu no restaurante Coco Bambu, localizado no Shopping Ponta Negra.
Placa de reconhecimento

Estive presente por uma razão inusitada: ao ser nomeado representante da família do saudoso patrono da Loja. Em verdade, pertencemos, sim, a mesma família corporativa, ou seja, à Polícia Militar do Amazonas, no posto de coronel. Desse modo, estou de posse da placa de homenagem a Caetano Felix do Nascimento – in memoriam – pelos “relevantes trabalhos em prol do crescimento dessa Augusta Oficina”. Fiz um compromisso com os dirigentes desta, de que em breve vou repassar a merecida Placa aos descendentes do titular.

Caetano Felix nasceu na capital do Piauí, há exatos 100 anos, posto que seu natalício aconteceu em 20 de novembro, quando a riqueza da belle époque manauara atraía brasileiros e estrangeiros. Manaus era a capital da borracha.

Essa atração atingiu a Caetano muito cedo, pois, aos 18 anos ingressava como Soldado na Força Policial do Amazonas. Em 1936, quando esta entidade de segurança pública era reativada, depois de amargar cinco anos posta em disponibilidade, por força da ditadura de Vargas. Obviamente, retornava ao serviço público com mais energia e disposição ao trabalho.

Euclides e Roberto

Não há registro sobre o grau de instrução de Caetano, porém deveria ter sido convincente, pois no ano seguinte alcança o 1º lugar no curso de Cabo. Seis anos depois de sua inclusão atingiu o oficialato, mediante concurso. Era, então, 2° tenente. E foi crescendo na hierarquia, é claro que arrostando os tempos penosos do Amazonas, que definhava devido a perda do monopólio da borracha.

Na metade do século passado, com o Estado em derrocada, não obstante o apoio financeiro quando da Segunda Guerra, Caetano alcança o último posto na ativa, era tenente-coronel. Nas condições citadas, em 20 de agosto de 1954 (dias antes do suicídio de Getúlio Vargas), o governador Álvaro Maia o designou para exercer o comando da PM amazonense. O agora comandante possuía apenas 36 anos de idade. Em dezembro do mesmo ano, foi transferido para a reserva (aposentado), conforme regras ocasionais, mas continuou no comando até a posse do novo governador (Plínio Coelho), em 31 de janeiro de 1955.

Dez anos depois, eu ingressei na Polícia Militar do Estado. Esporadicamente encontrava o coronel reformado Caetano Felix, até que, em abril de 1970, ele assumiu a presidência do Clube dos Oficiais (hoje associação), grêmio criado pouco antes da posse dele no comando da Força. Integrei essa diretoria como 2º secretário. Nada mais sei.
Mesa diretiva

Tão somente sei que seu nome encima a ARLS 2028 Caetano Felix, governada pelo jovem Venerável George Rodolfo D. de Oliveira, auxiliado, entre outros, pelo Ruivaldo Moura, meu camarada na briosa corporação da Praça da Polícia, e por Euclides Alves (foto), que me proporcionou essa fulgurante reunião que, registro, renovou meu entusiasmo pela corporação maçônica.  

Desejo à Caetano Felix, ad multos annos!



sábado, abril 28, 2018

PARQUE AMAZONENSE

Vista do Parque Amazonense

A história de nossa saudosa praça de esportes, que abrigou o futebol amador, deve ser algum dia impressa. Contudo, uma marca relevante nessa narrativa deve ser o Parque Amazonense, que pertenceu à maçonaria. Daí ter sido alcunhado pela imprensa esportiva de Dispensário Maçônico. A última cicatriz desta praça de futebol é a cabeça do cavalo que ornava a entrada do estádio, situado na rua Belém, no Beco do Macedo.
Com a inauguração do Estádio Vivaldão, em 1970, o Parque foi definhando, tanto que desapareceu. Pequena resenha dessa trajetória vai abaixo, compartilhada do matutino A Crítica (31 dezembro 1974).

Depois de passar cerca de cinco anos administrando o Parque Amazonense, o América [Futebol Clube] perde o direito de usá-lo em face da crise financeira que o clube vem passando. Desde 1973 que o clube dos irmãos Teixeira, por falta de condições, está perdendo quase todo o seu patrimônio.
Os dirigentes da Loja Maçônica — proprietária do imóvel — alegam que o América desde janeiro deste ano não efetua o pagamento regular das mensalidades como estabelece o contrato de arrendamento. O América pagava cerca de dois mil cruzeiros por mês, e tinha opção de ficar em definitivo com o Parque Amazonense, caso cumprisse as suas obrigações financeiras.
Por outro lado, embora não se tenha confirmação dos dirigentes da Maçonaria, o Nacional [Futebol Clube], através do seu novo presidente, Manuel do Carmo Chaves, mostra-se bastante interessado em arrendar o Parque Amazonense para a sua equipe de futebol treinar, bem como construir um alojamento para concentração do time em véspera de jogos pelo campeonato.
Hoje é o último dia de prazo para o América entregar o Parque Amazonense à Maçonaria. Ainda esta semana, deverá receber uma visita dos dirigentes do Naça, com objetivo de acertar as bases para assinatura do contrato, já que o Nacional pretende iniciar os preparativos da sua equipe para a Taça Amazonas realizando os treinos no PA.

sexta-feira, setembro 26, 2014

FILATELIA MAÇÔNICA




O texto que segue foi escrito pelo filatelista Antonio Loureiro, para integrar seu segundo livro sobre o colecionismo de selos. Já se encontra em fase de impressão o primeiro livro, tratando dos Selos Brasileiros sobre a Amazônia.

O GRANDE ORIENTE LUSITANO

Em 1801, reuniu-se, no palácio de Gomes Freire de Andrade, uma assembleia de mais de 200 maçons, presidida pelo venerável da Loja Concórdia José Joaquim Monteiro de Carvalho e Oliveira, para constituir uma Grande Loja. Em janeiro de 1802, a comissão responsável constituída por Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, pelo padre José Joaquim Monteiro de Carvalho e Oliveira e o prior José Ferrão de Mendonça e Souza estiveram com o ministro Rodrigo de Souza Coutinho, maçom, de quem obtiveram a promessa de que a Maçonaria não seria perseguida. 

Hipólito partiu para Londres, em abril de 1802, para negociar com a UGLE (Grande Loja, o reconhecimento de uma Grande Loja Portuguesa e já em maio os registros britânicos informavam a existência de quatro lojas estruturadas em um Grande Oriente Lusitano. Após este acordo foi assinado, a 25 de abril de 1804, o Tratado com o Grande Oriente da França. Antes foi eleito primeiro Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa o desembargador Sebastião de Sampaio.
Selo comemorativo

Foi nessa época que começaram a ser fundadas as primeiras Lojas, no Brasil, das quais iremos nos ocupar em artigo próximo.

Apesar da Maçonaria Portuguesa estar em franco crescimento, contando em suas colunas membros da alta nobreza, como os duques de Lafões e do Cadaval, os marqueses de Alegrete, Alvito, Anjeja, Lavradio, Loulé, Minas, Nisa, Ponte do Lima e Sabugosa, dos condes de Almada, Castro Marim, Mafra, Redinha, Resende, Rio Maior, Sabugal e São Miguel, viscondes de Asseca, Bahia e Balsemão e o barão de Manique, e do clero, a ponto de se dizer que a sede do Grande Oriente estava no Mosteiro de São Vicente de Fora, dos cônegos regrantes de Santo Agostinho, da fidalguia menor, das letras e das ciências, uma nova perseguição iniciou-se, em maio de 1806. Com o andar das investigações, logo parou, quando verificaram que a Maçonaria tinha gente de peso. No Brasil, o conde dos Arcos fez violenta perseguição, naquele ano, a ponto de cessarem as atividades maçônicas.

Neste ano, a Maçonaria Lusitana possuía oito Lojas em Lisboa (União, Regeneração, Virtude, Fortaleza, Amizade, Concórdia, Amor da Razão e Beneficência), três no Brasil (Virtude e Razão, na Bahia, e a Constância e a Filantropia, no Rio), uma em Tomar (Fidelidade), uma no Porto, uma em Coimbra, uma em Setúbal e uma em Funchal na Madeira, com mais de 500 obreiros. 
Essas Lojas estavam voltadas para as duas tendências maçônicas de então: a francesa e a inglesa. Essas diretrizes se chocaram em 1803, quando da rixa entre a Real Guarda de Polícia de Lisboa, comandada pelo maçom francês conde de Novion e o 4º Regimento de Infantaria, comandado pelo general Gomes Freire de Andrade, auxiliado pela Legião de Alorna, de tendências britânicas. 
D. João ficou ao lado dos franceses e transferiu o Regimento para Cascais, prendendo Gomes Freire. Isto iria repercutir alguns anos depois. Ainda em 1806, foi aprovada a primeira Constituição Maçônica Portuguesa.

Notas:
1.          Gomes Freire acabou enforcado após a Revolução de 1817, com repercussões em Pernambuco, onde houve violenta perseguição aos maçons, com matanças e fuzilamentos. Ele participou nas campanhas de Napoleão, com a célebre Legião Portuguesa.
2.          A Maçonaria Brasileira separou-se do Grande Oriente Lusitano, com a criação do Grande Oriente do Brasil.