CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

5 de setembro de 2014

PATRIOTISMO




Moisés Almeida
Conheci o entrevistado abaixo quando da seleção para o curso de pós-graduação em História, na Universidade Federal de Pernambuco, em 1998. Moisés Almeida concluiu o curso, eu não. Apesar disso, permaneceu a amizade e meu respeito pelo trabalho que ele desenvolve em Petrolina (PE), onde há dois anos assumiu em escolha democrática a direção do Campus local da Universidade Estadual de Pernambuco. E, dentro de minhas limitações, concordo com sua apreciação sobre a Ordem e Progresso que andam em descompasso no País.

Entrevista

Segundo o dicionário, patriotismo é o sentimento de amor, orgulho e devoção à pátria e aos seus símbolos. Aqui no Brasil estamos comemorando desde o dia 1º a Semana da Pátria, mas alguns estudiosos afirmam que o patriotismo está em extinção no país. O lema “ordem e progresso” da Bandeira nacional, na prática, tem tido valor inverso.
Para o Mestre em História e diretor da UPE, campus Petrolina, Moisés Almeida, os fatos que aconteceram no âmbito da política, a exemplo das denúncias de corrupção no país, contribuíram para colocar em cheque o sentimento de patriotismo do povo brasileiro.
“Nós, particularmente no Brasil, sofremos isso nos últimos anos, infelizmente, por conta das denúncias que aconteceram no âmbito da administração pública, especialmente nos casos de corrupção. Quando você tem uma crise como essa e a constatação de que aqueles que dirigem o país, os que são responsáveis por fazerem as leis e até mesmo julgar, e aí eu me refiro aos três poderes: judiciário, legislativo e executivo, e você percebe que está faltando a ética e o cumprimento do dever, isso arrefece na hora de você acreditar no país. Porém, eu penso que é preciso continuar acreditando; esse é o país que eu vivo e preciso defendê-lo sempre, em qualquer ocasião”, afirmou Moisés Almeida.
A motivação patriótica é quem faz com que o povo tenha critério de escolha, “perder essa motivação é perigoso”, destacou Moisés. Segundo ele, tem um dito popular que é uma frase muito ruim quando se diz que ‘toda farinha é do mesmo saco’ e isso é complicado quando se refere ao exercício da política. “Nem toda farinha é do mesmo saco, tem muita gente boa, capaz, honesta com competência para fazer o melhor pelo Brasil”, acrescentou.
Para Moisés sob o olhar da cidadania pode-se ser patriótico quando se participa de fato, se envolve com as questões do país. Nesse sentido, existem muitos elementos que possibilitam essa participação efetiva nos espaços de decisão, a exemplo dos conselhos. “Que a gente possa nessa semana da pátria, refletir sobre a participação nossa na construção de um Brasil melhor”, concluiu.

Por Angela Santana
Central de Jornalismo da Voz do São Francisco