CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

8 de setembro de 2014

ALEXANDRE AMORIM (1)




 
Porto de Manaus, c1882. Ilustração de Le pays des amazones
Resultado da circulação deste Blog, recebi a mensagem abaixo, instando minha colaboração sobre a figura de Alexandre Amorim. Para atender ao solicitado, sempre que encontrar algo novo sobre a figura deste empreendedor, vou publicar nesse espaço. Espero assim colaborar com a descendente dele, que pretende publicar bem mais sobre este reconhecido construtor de nosso progresso na Província.

Primeiro a mensagem:

Para o coronel Mendonça:

Eu li seu blog sobre a Amazônia várias vezes e, por ter encontrado muita informação útil, por isso espero que você possa me ajudar. Eu sou descendente direto de Alexandre Paulo de Brito Amorim e seu filho Napoleão de Amorim. Estou tentando pesquisar sua família e também os irmãos de Napoleão, mas não encontrei muita informação sobre eles. Eu espero que você possa me orientar para alguma informação acadêmica ou publicações que estão acessíveis na Internet. Eu vivo na Europa.
Eu encontrei informações na internet sobre as atividades de Alexandre Amorim nos primeiros dias de Manaus (atividades do governo como "cônsul"), mas um dos mistérios para mim é como, com a idade de apenas 22 anos, ele foi nomeado cônsul para representar Portugal? Ele era originalmente de Valdevez, Portugal, onde ainda existem muitos membros da família Amorim. 

Além disso, eu não sei muito sobre meu bisavô Napoleão de Amorim. Eu tenho o seu atestado de óbito e algumas cartas de sua família, nada mais. Seu irmão era o general Aurélio de Amorim; e seu sobrinho era Américo Antony. 

Estou esperando para encontrar informações completas sobre a vida dessas pessoas a entender suas vidas, bem como os seus nascimentos, casamentos e óbitos. 

Eu também sou um descendente direto do coronel João Capistrano da Silva Mota e, felizmente, eu tenho informações sobre ele. É sobre a família Amorim que desejo continuar a minha pesquisa. 

Muito obrigado antecipadamente, coronel Mendonça, para qualquer ajuda que você pode me dar. Por favor, perdoe o meu pobre português (estou usando "Google translate") 

atenciosamente,

KM


Começo copiando o verbete de autoria de Agnello Bittencourt, em seu livro Dicionário Amazonense de Biografias (Rio: Conquista, 1973).


ALEXANDRE AMORIM
Alexandre de Paula de Brito Amorim, português de nascimento, consagrou cerca de 30 anos de sua vida em prol do desenvolvimento comercial do Amazonas. Nasceu a 15 de outubro de 1831, em Arcodevez, sendo filho de Francisco de Amorim.

Aos 18 anos de idade deixou sua pátria, com destino ao Pará, onde chegou a 14 de julho de 1849, transportando-se em novembro de 1851 para Manaus, onde instalou escritório da firma comercial Silva & Cia., cuja matriz se achava em Belém. Em 1853, separa os seus negócios e se estabelece em Manaus, organizando a firma Amorim & Irmão.

Em Manaus, Alexandre Amorim foi Cônsul de Portugal durante 20 anos, de 1853 a 1873. D. Pedro agraciou-o com a venera de Cavaleiro da Ordem de Cristo; em 1871, foi elevado a Comendador da mesma Ordem.

O Amazonas deve ao laborioso português importante contribuição para o desenvolvimento da navegação a vapor em nossos rios e as suas primeiras relações externas de comércio. Com base na Lei provincial n° 158, de 7 de outubro de 1866, na presidência do Dr. Gustavo Adolfo Ramos Ferreira, organizou a empresa Companhia Fluvial do Alto Amazonas, cujos navios "Madeira", "Ururaí" e "Jamuari" foram arautos do extraordinário progresso que, anos depois, avassalou o Estado.

Em 1869 iniciou suas operações, através de linhas para o rio Purus e rio Madeira, a princípio, e para os rios Juruá, Solimões e Negro, depois. Seu biógrafo, o comendador Manoel Pereira Gonçalves, refere-se a dificuldades e contrariedades que Alexandre Amorim teve de vencer.

Em 1874, a Fluvial foi absorvida pela Amazon Steam Navigation Co. Ltd., que (barão de) Mauá fundara em 1872 em Londres, como sucessora da Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas (criada em 1852). A fusão da Fluvial com a empresa de Mauá foi aprovada pelo Decreto nº 5.575, de 21-03-1874.

Em 1872, Amorim contratava com o Governo, em virtude da Lei nº 242, de 27 de maio, a navegação entre Manaus e Liverpool. O vapor "Mallard" inaugurou em 1874 o serviço das comunicações diretas regulares, emancipando, em grande parte, o comércio amazonense da tutela do comércio paraense.

Para esse empreendimento Alexandre Amorim incorporou em Londres uma empresa, a Liverpool and Amazon Royal Steam Ship Co. Ltd. A linha era feita, além do "Mallard", pelo "Lilian", ambos fretados.

A Assembleia Legislativa provincial, em sessão de 4 de maio de 1874, mandou uma comissão de seus membros agradecer a Alexandre Brito Amorim o serviço prestado ao Amazonas. Há, em Manaus, uma rua com o seu nome (ligando o bairro de Aparecida ao Centro).

Faleceu a 20 de junho de 1881, aos 50 anos.