CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

8 de março de 2013

DIA DA MULHER

Capa do livro Ocaso, 1938
De caráter internacional, o dia foi celebrado ontem. Como obvio, preferi cultuar a mulher de casa, a do dia a dia. Por isso, para ela – Beatris – a minha homenagem.
Nossa festa contou com o poema A Cabocla (abaixo transcrito) quase oitentão, pois foi publicado em 1938, pelo poeta Júlio Olympio (sem identificação), inserido em seu livro Ocaso, cuja capa foi elaborada pelo artista plástico Branco Silva e o prefácio é de Péricles Moraes, então presidente da Academia Amazonense de Letras.
Mais três razões para esta escolha: o livro foi alcançado na biblioteca Mário Ypiranga; o poema é dedicado a um membro da Academia de Letras; e porque o cheiro “à priprioca” é amazônico.

O poema lembra muito uma temática desenvolvida pelo poeta Almir Diniz, frequentador-emérito do Chá do Armando. Presente à Casa do Noleto, ontem, sei que o autor de Na concha da panacarica desfolhou alguns de suas pérolas. Com a reconhecida desenvoltura, Almir bem contribuiu para o tributo às Damas deste semanal encontro. Beijos.

A Cabocla

À Alcides Bahia

 

O demo da cabocla era um feitiço,
Ditoso aquele que a possuísse um dia;
Porém, no amor, se lhe falavam nisso,
Voltava as costas e a sorrir fugia. 

De redondos quadris, tronco roliço,
Um cheiro à priprioca rescendia,
E o seio farto e ereto em pleno viço,
À volúpia da raça prometia. 

Dos lábios grossos os cheirosos pomos
Deixavam ver entre dois rubros gomos
Minúsculo teclado de marfim... 

Nos olhos prometia o paraíso,
Mas ai! nos dava o inferno num sorriso,
Nunca mais encontrei mulher assim!