CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

3 de março de 2013

CORONEL BENFICA: NOSSA DESPEDIDA



Os: coronéis Brandão (à esq.) e Benfica nos Bombeiros, 1985
Morreu hoje o coronel Nazareno Benfica, da Polícia Militar, aos 72 anos, completados no mês passado. Não tenho como registrar outros detalhes, pois fui surpreendido pelo acontecimento. Sequer tive chance de acompanhar o enterro. Todavia, registro neste post minha franca despedida, lembrando alguns momentos cordiais desfrutados com o colega da corporação.
Benfica despontou no bairro de Educandos como jogador de futebol. Era o Parodi, defendendo clube do bairro. Mais adiante, estudante da Escola Técnica do Amazonas (na avenida Sete, hoje Ifam), ali teve contato com o saudoso João Liberal, treinador amazonense.
Na mesma Escola fez amizade com os colegas Antonio Guedes Brandão e Edson Matias. Com estes ingressou na Policia Militar do Amazonas, quando esta renovava, em tempo de Governo Militar, seu quadro de oficiais. Assim, no início de 1966, os três, então alunos-oficiais, foram matriculados na Escola de Formação de Oficiais da PM de São Paulo.
Ao final de 1968 estavam de regresso, aptos para o serviço policial militar. Entre outras atividades, Benfica esteve na Companhia de Trânsito, passou pelo Corpo de Bombeiros, comandou o batalhão de Itacoatiara, enfim, mais importante, foi o chefe do Estado-Maior quando seu colega Antonio Brandão foi  o comandante-geral.
Mas, logo que o tenente Benfica regressou de São Paulo sofreu um desastre. Caiu em uma piscina, acidente grave, que deixou como sequela uma deficiência nas cordas vocais, daí  o esforço que ele fazia para falar. Era como se estivesse sempre confidenciando, falando próximo ao interlocutor.   
Na reserva, ou aposentado, entendeu de praticar a política, ingressando no PMDB, do professor Gilberto Mestrinho. Em certa eleição, competiu para a Câmara Municipal de Manaus. Esperançoso de sucesso, ele preparou os santinhos, organizou os cartazes com fotos, elaborou discursos (apesar da deficiência), mas faltava um jingle. Aquela música, quem sabe, top. Para esse fim, recorreu ao amigo Américo, sambista conceituado, frequentador do bar do Armando, pai da Banda da Bica.
Aliás, nosso amigo Benfica também era brilhante frequentador de rodas de samba e de outros ritmos, desde a juventude, inclusive em Sampa, quando estudante. Uma noite, pois, encontrou o Américo e recebeu deste a peça musical para a campanha. Vou reproduzir, para encerrar nossa conversa, apenas o refrão: Quem não vota no Benfica, vai entrar na Bica.
Retrucou o Benfa, com era também conhecido: “Américo, assim você me prejudica!”.  Lamento informar, mas o candidato a vereador não alcançou o quorum necessário. E desistiu da política.
Sempre alegre, apesar das vicissitudes, viveu para a família. Devido seu entusiasmo pela corporação de Cândido Mariano, fez de um de seus filhos seu seguidor. Descansar, armas!