CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

28 de março de 2013

ATLÉTICO RIO NEGRO CLUBE: CENTENÁRIO (1)

Benedito Souza, o atleta, em
primeiro plano, 1950
Em novembro deste ano, o Atlético Rio Negro Clube (ARNC) completa o primeiro centenário. A marcante efeméride de certo será condignamente festejada. Ainda que distante, tomei a liberdade de marcar essa data neste espaço, tendo inaugurado há dias, com o mesmo título, a inciativa. Espero cumprir o prometido com a dignidade que o “Clube Líder da Cidade” merece.
Para isso, valho-me da revista – Rionegrino -- que o ARNC fez circular por vários anos. Da edição nº 29, do início de 1950, transcrevo a notícia da participação do Amazonas na prova de São Silvestre, que ocorre na virada do ano. Lembrando que em nossos dias, sob o patrocínio da TV Globo, passou para a tarde e, no ano passado, para a manhã desse dia.

Recorte da revista Rionegrino, 1950

 

Constituiu, sem dúvida, um acontecimento impar na vida da cidade, a realização em Manaus, a 10 de dezembro (1949), da Prova Preliminar da XXVI “Corrida de São Silvestre”, promovida pela A Gazeta Esportiva, de São Paulo, destinada a indicar o representante do Amazonas à maior prova pedestre da América do Sul, que se realiza todos os anos, na capital bandeirante, à meia-noite do dia 31 de dezembro.

O Atlético Rio Negro Clube esteve presente à grande prova, não como simples participante, mas como sério concorrente, e alinhando uma equipe valorosa, preparada graças ao esforço de Manoel da Costa Reis, professor Waldir Oliveira e Carlos Almada.

E o “Alinhaderrimo” juntou ao rosário de feitos gloriosos que ornam seu pavilhão mais um triunfo, cabendo-lhe a grande honra de dar à terra de Ajuricaba o seu representante à XXVI Corrida de São Silvestre, que o idealismo do saudoso jornalista Casper Libero fez realizar, pela primeira vez em 1926, e que hoje pertence não apenas ao Brasil, mas ao mundo inteiro, dado que o empreendimento de A Gazeta Esportiva já rompeu as fronteiras de nossa Pátria, irrompendo nas Américas; deixou de ser também das Américas, para propagar-se na Europa, para firmar-se como uma das mais importantes do mundo.

Venceu o Rio Negro, através do atleta Benedito Constantino de Souza, “sprinter” dos mais consagrados na barelândia, cobriu a distancia de 5.000m, em 17min07, credenciando-se a participar em São Paulo, como representante do Amazonas na tradicional prova da meia-noite. 

 
A 20 de dezembro(1949), daqui partiu a delegação do Amazonas, integrada do jornalista Irisaldo Godot e do atleta rionegrino  Benedito Constantino de Souza, sendo portadora das apresentações do  Atlético Rio Negro Clube aos seus coirmãos Clube do Remo, de Belém do Pará, e São Paulo Futebol Clube, da Pauliceia. (...)
Ambos colocaram à disposição do atleta baré as suas instalações, salientando-se o clube bandeirante, que foi de uma fidalguia a toda prova, cercando Benedito Constantino de Souza e Irisaldo Godot de todas as atenções, procurando servi-los em tudo que estivesse ao seu alcance. 

Sob forte aguaceiro, foi disputada a majestosa prova da meia-noite, em São Paulo. Venceu categoricamente o atleta belga Lucien Theys, colocando-se o corredor amazonense, dentre 1.600 concorrentes, em 234º lugar, fazendo jus à valiosa medalha, vencendo o corredor do vizinho estado do Pará, cuja classificação foi a 285ª.

O texto oferece várias e reluzentes informações: o Rio Negro possuía vários apelidos: entre outros, o de Alinhaderrimo. O Benedito pertencia à equipe do “atleta sozinho”, pois seguia acompanhado apenas de um jornalista; será que a viagem ocorreu de avião? Deve ter sido de navio, com parada em Belém. Finalmente, para não enfadar, a provincial disputa entre Amazonas e Pará, aqui patenteada com a posição do amazonense sobre o paraense, que sequer teve o nome registrado. Quem fim levou o Benedito Constantino de Souza?