CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

27 de março de 2013

ANÚNCIOS CLASSIFICADOS

Emílio de Menezes, poeta
Nas primeiras décadas do século passado, era habitual a veiculação de anúncio comercial ilustrado com versos, bem ou mal estruturados.
A respeito desse recurso, transcrevo a descrição produzida pelo saudoso memorialista Pedro Nava, em seu livro Chão de Ferro. A lembrança dele data de quando era interno do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, em 1918.
E a pérola citada envolve o poeta Emílio de Menezes (1866-1918), mestre dos sonetos satíricos, humorista, fazia de seus versos instrumento de publicidade para os produtos de consumo de sua época”, que o adolescente Nava via passar na rua onde moravam. Mais tarde, quando conheceu a poesia de Menezes, preferia a burlesca, melhor que a séria, confessa.

Principalmente pela quadrinha que corria no internato. A do boticário que inventara sabão maravilhoso para a pele e o chamara Cuticura. Fora ao Emílio pedir uns versos, de anúncio. Pagava bem. Pois foi contemplado 

Quando o Emílio de Menezes
Acorda de pica dura,
Fala, batendo na dita:
Só sabão de Cuticura...

Para completar o tratamento, alguns anúncios circulados na capital do Amazonas, entre 1932 e 1935.
 
Revista Cabocla, 1935
 
Guia Turístico de Manaus, 1932

Contracapa da revista Cabocla, 1935

Revista Cabocla, 1935