CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

4 de abril de 2016

ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS (7)

Duas notas sobre a posse do acadêmico padre José Pereira Neto, então diretor do Colégio Dom Bosco, na Academia Amazonense de Letras, vão aqui postadas. A solenidade aconteceu há 60 anos, sob a presidência de Péricles Moraes.
Registro da solenidade, com o presidente (à dir.) e o
padre Pereira Neto
O imortal era bem conhecido em Manaus, devido sua função em estabelecimento de ensino frequentado pelos filhos de famílias bem afortunadas.
Não durou muito a presença deste sacerdote na Casa de Adriano Jorge, pois apenas dois anos depois, foi transferido para outra região ocupada pelos salesianos.
A colunista social, que assinava Thaís, foi a responsável pelas anotações.



THAÍS

O Jornal, 26 fevereiro 1956

Conforme foi antecipado por esta coluna, teremos amanhã às 20 horas, no suntuoso recinto da Academia Amazonense de Letras, um acontecimento de grande expressão intelectual. Trata-se da posse do novo acadêmico Padre José Pereira Neto, proeminente filho de Aracaju - Sergipe e figura paradigmária em nossos meios sociais e Intelectuais, onde alicerçou o seu prestigio com o trabalho construtivo e profícuo que vem realizando como Diretor do Colégio Dom Bosco, em que sua fulgurante inteligência e seu agudíssimo senso de justiça, se revelam em toda a plenitude, na perfeita administração desse afamado estabelecimento de ensino, onde pontificam a fina flor dos moços amazonenses. 
Assim, somos concordes em que a Academia Amazonense de Letras, na pessoa de seu preclaro Presidente, prof. Péricles Moraes, figura das mais brilhantes da intelectualidade brasileira e centro de harmonia em torno do qual gravitam os espíritos cultos de nossa terra, praticou um ato digno de louvor ao tio designar para ocupar uma de suas cadeiras, à essa alma de escol, sacerdote emérito que é o Padre Pereira Neto, inteligência lucida e orador sacro dos mais notáveis, realmente digno de figurar entre os imortais de nosso Silogeu por seus incontestáveis méritos. 
O novel acadêmico, depois de ser saudado pelo desembargador André Araújo, que proferirá uma notável oração, reveladora de sua extraordinária cultura clássica e enciclopédica, positivará com seu brilhante discurso, a refulgência de sua inteligência e de sua erudição. 
Após o ato, a União dos ex-alunos Salesianos, recepcionará a todos os acadêmicos e demais convidados, nos aristocráticos salões do Ideal Clube, em regozijo a posse de seu insigne Diretor. Ao que tudo indica, será uma reunião brilhantíssima, a qual comparecerão as mais expressivas figuras da sociedade manauara, e que ficará nos anais de nossa terra, como um fanal de luz a espargir beleza e saber.
 O Jornal, 3 março 1956
 O dia 27 do mês transato, foi altamente festivo para a Academia Amazonense de Letras, por motivo da posse do novo imortal, Padre José Pereira Neto, que na ocasião pronunciou uma brilhante conferência em torno das figuras de Bento Tenreiro Aranha, Otavio Sarmento e Leopoldo Péres, conferencia esta, que pela dialética aurilavrada do orador, veio consubstanciar o imperativo de sua presença entre os imortais daquele sodalício.
Saudando o novo imortal, ouvimos a fulgurante palavra do des. André Araújo que em magnifica peroração, onde positivou vasta cultura de homem de letras, dando vasa a seus incontestáveis méritos de homem de estudos e pesquisas, disse da satisfação da Academia em receber no seu meio, a essa figura paradigmária de sacerdote e intelectual — Padre José Pereira Neto.
Abrindo a sessão, tivemos a satisfação de ouvir o verbo de inusitadas e aurifulgentes filigranas do presidente da Casa, prof. Péricles Moraes, cuja oração siderante, transformou aquelas horas vividas na espiritualidade imorredoura das coisas do pensamento, em fugazes momentos em que a nossa imaginação balouçava nos devaneios lítero-filosóficos dos maiorais da grande oratória acadêmica. 
Nesse recinto augusto da intelectualidade de nossa terra, notamos pela ordem de suas cadeiras, os ilustres acadêmicos prof. Péricles Moraes, Aristófano Antony, João Mendonça de Souza, Mitridates Correa, Padre José Pereira Neto, Dom Alberto Gaudêncio Ramos, Padre Raimundo Nonato Pinheiro, Leôncio Salignac e Souza, Djalma Batista, Félix Valois Coelho, André Araújo, Moacir G. Rosas, Washington Melo, Genesino Braga e Mavignier de Castro.
 Após a cerimônia do Silogeu a Associação dos Ex-alunos Salesianos, regozijada pelo grato acontecimento, ofereceu no Ideal Clube, uma elegante recepção, que transcorreu brilhantíssima em todos os seus detalhes. Já pelas palavras sonoras e elegantes dos oradores: dr. Edson Stanislau Afonso, pelos ex-alunos, e des. Leôncio Salignac e Souza, pela Academia – onde a flor da retórica desabrochou irisados e diamantinos esbanjamentos de lapidar vernáculo, já pela presença ilustre dos acadêmicos, presididos pela figura ímpar do prof. Péricles Moraes, que com sua digníssima esposa, muito concorreu para aumentar o brilho dessa belíssima festa de galanteria. 
E ainda, pelo apuro das “toaletes" das damas presentes e pelos primores de afabilidades e riquezas de atenções com que os ex-alunos, nas pessoas do dr. Mário Jorge Couto Lopes e dr. Alberto Daou e Padre Agostinho Caballero, dispensaram a todos que estiveram presentes nessa festa de esmero encantador e raro, que transcorrendo em ambiente de peregrina distinção, fixou indelevelmente na memória dos que tiveram a ventura de assisti-la.