CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, julho 19, 2026

ODE À MÃE FRANCISCA

 

Para recordar a data do falecimento de Mãe Francisca, o filho Renato compôs esta página, a qual me associo.

Em 18.07.2026 s
ão 74 anos de saudades!
 

  

Ó, Francisca, mãe querida,

1917 marcou teu nascer;

O céu te recebeu cedo demais,

Mas na terra ficou teu legado de amor.

 

Tu foste bravura e resignação,

Semeaste vida com gestos simples,

Mostraste caminhos com ternura,

Ensinaste fé com perseverança.

 

Na hora da partida, não houve desespero.

Houve entrega, confiança, esperança.

Partistes, deixando-nos órfãos de afago,

Mas nunca órfãos de amor.

 

Mãe, tu és presença invisível;

A energia que nos guia;

A fé que nos sustenta;

E a luz que não se apaga.

 

Seguiste o exemplo de Jesus,

Deixando-nos símbolos eternos:

Amor, dedicação, perseverança, resignação.

Sob imensa memória, seguimos teu conselho santo:

Fazer tudo quanto Ele ensinou,

Acolher tudo quanto Ele nos prover.

 

Francisca, estrela serena,

Em cada julho, teu nome renasce,

Em cada oração que rezo, tua voz ressoa,

Em cada cotidiano, tua essência permanece.


segunda-feira, abril 27, 2026

EFEMÉRIDES AMAZONENSES

Em tantas iniciativas pessoais, intentei divulgar as efemérides amazonenses, ou seja, a compilação de datas sobre os acontecimentos estaduais que envolvam pessoas e entidades. Andei bastante, mas cansei e parei. Ontem, não sei que razão me levou a buscar os esquecidos apontamentos e me empolguei com o material recolhido. Hoje reproduzo uma parcela arquivada.

                                                    26 de abril

1876 – É sancionada pelo presidente Antônio dos Passos Miranda a lei 339, que cria a Guarda Policial do Amazonas, com efetivo de 73 homens, sendo “um comandante e seu auxiliar, três inferiores, seis cabos de esquadra, dois cornetas e 60 soldados”. O organismo policial destinava-se “a manter a ordem e a segurança pública na Província, e auxiliar a justiça”. Na verdade, era uma (re)criação da Guarda, visto que a primitiva de 1837, com a mesma nomenclatura, já desaparecera. Foi instalada em 4 de maio, sob o comando do tenente reformado do Exército Severino Eusebio Cordeiro, comissionado no posto de major.

1876 – Elevação do termo judiciário de Itacoatiara à denominação de Comarca, por força da lei 341, sancionada pelo presidente Antônio dos Passos Miranda.

1899 – Incorporada à tutela do governo a Academia de Belas Artes até então particular, consoante o decreto 324, sancionado pelo governador Ramalho Júnior. Esteve sob a direção do maestro Joaquim de Carvalho Franco. Extinta, todavia, em julho do ano seguinte. 

1936 – Toma posse no comando da Força Policial do Estado o tenente-coronel PM José Rodrigues Pessoa, na ocasião em que este organismo retorna efetivamente à atividade, após sua desativação em 1930, por decreto do Interventor Álvaro Maia.

27 de abril

1756 – Nasce na Bahia o naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, e falecido em Lisboa em 1815, que empreendeu longa expedição pela região amazônica, após o que escreveu o livro Viagem filosófica pelas Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. Sua importância levou a várias edições, como a da Edições Governo do Amazonas. (foto)

Edição do Governo do Amazonas

1895 – Criado, por disposição da lei 118, sancionada pelo presidente estadual Eduardo Ribeiro, o município de Urucurituba, quando foi elevado à condição de vila, desmembrando-se de Silves e Urucará. Localiza-se no rio Solimões, e tem por padroeiro a São José Operário.

1916 – Faleceu aproximando-se de Lisboa (POR) no transatlântico que viajava à Europa em tratamento de saúde, o Dr. Lauro Batista Bittencourt. Nascido em Manaus, em 1853, logo após instalada a província do Amazonas. A formação superior foi realizada na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, colando grau de engenheiro civil. De retorno a Manaus atuou durante o governo de Eduardo Ribeiro, deixando suas marcas em diversos empreendimentos, em especial como Diretor das Obras Públicas do Estado.

1940 – É criada a SNAPP (Serviço de Navegação e Administração do Porto do Pará), por decreto-lei federal 2.154, como sede na cidade de Belém (PA). Apesar de extinta em 21 nov.1966, foi substituída pela ENASA (Empresa de Navegação da Amazônia S/A), estatal criada em 10 fev.1967. 

28 abril

1917 – Nasceu no lago do Anveres, distrito do Careiro, Francisca Pereira Lima Mendonça, a filha mais nova de Vicente e Adelaide Lima. Mudou-se para Manaus para cuidar da mãe viúva acometida de grave doença. Aqui encontrou o marido Manuel Mendonça, com quem gerou três filhos, nesta ordem, Roberto (1946), Antonio (1948) e Renato Lima Mendonça (1951). Contudo, minha genitora faleceu em 1952, aos 35 anos de idade, vítima de tuberculose.    

1957 – Faleceu no Rio de Janeiro, o senador pelo Amazonas, Manuel Severiano Nunes, nascido em 1892. Exerceu diversas atividades administrativas no Amazonas, tendo sido prefeito de Itacoatiara, deputado estadual (135-37), deputado federal (1946-47) e senador. Fez seus estudos primários no Colégio Sete de Setembro e Lauro Cavalcanti; Ginásio amazonense, Faculdade de Medicina da Bahia (incompleto), enfim, a Faculdade de Direito do Amazonas (1913). Seu nome denomina a Escola Estadual situada no bairro de Alvorada 2.

1989 – Assume o comando do VII COMAR, o major-brigadeiro-do-ar Luís Antônio Martins Leomil. Seu comando estendeu-se até 17 dez.1990.

1993 – Inaugurado o busto do empresário Adelino Pereira da Silva no jardim principal da Beneficente Portuguesa. Nascido no distrito de Vizeu, em Portugal, e falecido em Manaus, no mesmo hospital e na mesma data do ano anterior.

quinta-feira, março 19, 2026

DO CARNAVAL 2026

A crônica cabe a um colaborar de porte, Renato Mendonça, aqui e ali presente no Blog. Dessa vez se valeu do desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói (15 fevereiro), onde ele reside, que celebrou a apoteose de um retirante nordestino. No caso: “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula”, o presidente da República. O autor aproveitou para ilustrar seus devaneios com a saga de nossos avós. Esclareço que o trabalho literário me chegou às mãos em tempo hábil, no dia seguinte ao desfile, antes que os jurados defenestrassem a Escola. Vai hoje publicado porque levei um tempo para me reencontrar com os caminhos do Blog. E outros caminhos... como o dos meus 80 anos!
 



CRÔNICA DE UM ENREDO

No domingo à noite, como quem retorna a um velho templo ou um santuário preferido, voltei a assistir a um desfile de Escola de Samba.  Por anos, meus olhos se cansaram de ver apenas o brilho das alegorias, sambas sem alma, rostos e corpos expostos como vitrines. Tudo me parecia repetição: um carnaval de espelhos que refletiam sempre o mesmo. Talvez fosse apenas o meu olhar crítico, desacostumado a perceber as nuances de criação entre os carnavalescos.

Mas ontem, a chama reacendeu. A Acadêmicos de Niterói trouxe à avenida a saga de Lula, e sua história se fez canto e teatro sob o céu limpo da Sapucaí. Vi o êxodo de uma família que parte com quase nada, levando apenas o peso dos sonhos e uma angústia amalgamada pelo tempo. Vi o retrato de tantos brasileiros, de tantos estrangeiros, que carregam na bagagem a dramaticidade das travessias.

E ali, entre batuques e metáforas, senti-me parte daquele enredo. Meu pai e minha avó deixaram Caballococha, na Amazônia peruana, navegando noites sem fim em uma canoa até tocar a fronteira do Brasil. O destino: Manaus. Meus avós maternos, por sua vez, fugiram de Baturité, terra marcada pela Grande Seca e pela varíola, e encontraram refúgio às margens do lago do Anveres, onde minha mãe nasceu e se criou.

O desfile não foi apenas espetáculo: foi espelho. Espelho da Vida. Vi na avenida a memória das migrações que moldaram minha própria história, e de tantos brasileiros. E por isso fiquei até o fim, acompanhando até a dispersão como quem não quer que a poesia se dissolva. Não sei se os jurados darão boas notas. Mas o que importa, afinal, quando o coração já foi premiado?

terça-feira, março 05, 2024

JOAQUIM HÉLIO BARBOZA DE LIMA |1954-2024|

Faleceu ontem, às vésperas de festejar os 70 anos, Hélio Barboza, na cidade de São Vicente (SP). A brutalidade do AVC atordoou os parentes e amigos, e não podia ser diverso, afinal a lei da vida e da morte possui seus gravames. Conhecido o desenlace, fui aos arquivos da família para postar esta homenagem. Com a morte de Hélio, a segunda geração do casal Vicente e Adelaide Lima, do lago do Anveres, perde mais um membro.
Hélio

Para melhor descrever a maneira cordata, amigável e brincalhona do primo, recorri ao mano Pedro Renato, que teve com ele o privilégio de conviver por mais tempo e mais proximidade. Sua gratidão, Renato anotou em texto que escreveu quando da publicação de seu livro Pedro, o cobrador (Rio: 2018). Hélio foi o autor do prefácio do livro.

Até a eternidade, primo Hélio! 

Vamos aos textos, reproduzidos parcialmente. Primeiro, o Prefácio:

Pedro, o Cobrador é para ser considerado, antes de tudo, um Livro de Cabeceira. A fascinante narrativa, embora linear, traz em cada capítulo lições de vida, individualizando cada etapa conquistada com muito suor, literalmente. De uma vida que nos leva a profundas reflexões, imaginando o ambiente, a locação, os costumes, a situação episódica ocorrida há cinquenta anos. O autor ainda nos presenteia com diversos relatos sobre a origem de alguns bairros, que o garoto visitava durante o seu trabalho diário, e, obviamente, se encaixam no contexto histórico da cidade de Manaus; pormenoriza algumas construções imponentes e monumentos históricos erigidos nos tempos áureos da borracha — fins do sec. XIX e início do séc. XX.

O conteúdo do livro nos mostra um autor sem pretensões de narrar apenas, senão manter o propósito de nos fazer viajar, protagonizar junto com o garoto, para exercer tão bem seu ofício de Cobrador de Quadros. Assim como em seus livros anteriores, nós o vemos narrando com profunda emoção, utilizando o cenário de sua juventude e — como ele próprio me assegurou — pinçando elementos e personagens ficcionais para contracenar com o garoto e compor esta história lúdica. (...)

Não poderia deixar de registrar que o entusiasmo de Pedro é sempre revigorado com a perspectiva de, desalojando-se de sua puberdade, encontrar a cliente especial, sempre às sextas-feiras, para receber dela, além da prestação, o afago de suas palavras, a exacerbada dedicação e um sorriso encantador de uma bela mulher, frequentadora assídua dos seus sonhos.

Joaquim Hélio Barboza de Lima

Agora, o agradecimento:

Quando me preparava para publicar mais um livro, eis que chega às minhas mãos — no sentido figurado —, de surpresa, “os passados valorosos”, um lembranção espetacular do meu primo distante, Hélio. O primo me surpreendeu, positivamente, ao me fazer uma verdadeira oferenda do seu exímio relicário. Quatro cartas escaneadas, assim como os envelopes, que escrevi para ele nos quatro primeiros meses do distante ano de 1968, há cinquenta anos.

E esse ano, era justamente a época em que corria a história de Pedro, o Cobrador, um livro parcialmente biográfico, onde as cartas se encaixaram no enredo, perfeitamente, como o sapatinho de cristal no pé da Cinderela. (...)

Assim, à custa de um pequeno remorso, me penitencio pela minha falha, em não ter guardado com o mesmo cuidado essas “missivas”, essas correspondências quase infantis, trocadas na primavera de nossas vidas. Posso até debitar a culpa na vida nômade que levei, mas não justificaria. Todavia, agora não se perdem jamais, estão arquivadas na memória RAM do computador, no sacrário da nossa memória, e com destaque no enredo do livro.

Aproveito esse espaço, também, para agradecer ao primo, Joaquim Hélio Barbosa de Lima, que emprestou a eloquência e o acalanto das suas palavras para escrever o prefácio do livro.

A família Barbosa vai se reunindo no Alto Astral


segunda-feira, junho 26, 2023

OS PEREIRA LIMA DO ANVERES

 Dias passados a família conheceu a morte da prima Shirley Melo Lima, e mais recente a grave situação de saúde dos primos Luís Jorge e Manuel "Bala". Diante dos fatos, reabri meu baú de anotações para efetuar ligeiro recenseamento dos primos vivos. Encontrei ainda 22 Lima descendentes do saudoso casal Vicente e Adelaide Pereira Lima, que foi morador do lago do Anveres (ontem Careiro, hoje do Castanho).

Casal Pereira Lima

 

ORDEM CRONOLÓGICA

 

1935 | Aluizio Barbosa Lima | Manaus

1943 | Maria Adelaide de Souza

1945 | Luís Jorge Lima de Carvalho | 9 abril

1946 | Manoel Roberto Lima Mendonça | 17 junho

1947 | Arnaldo Barbosa de Lima | 20 maio

   Maria de Nazaré Lima da Silva | 30 agosto

         1948 | Henrique Antonio Lima Mendonça | 13 junho

1949 | Carlos Alberto Melo Lima        

   Ivo Manoel Barbosa Lima | 19 maio

   Manuel (Bala) Lima Filho | 31 outubro

1951 | Pedro Renato Lima Mendonça | 29 junho

   Sebastião Nogueira Lima | 22 setembro

   Jacira Lima Taveira | 26 setembro

1953 | Sonia Lima Baima  

   Gelson Garcia Lima | 26 outubro

1954 | Joaquim Hélio Barboza Lima |16 novembro

1956 | Maria Iracema Barboza Lima | 1º junho

1957 | Suderly de Mello Lima

1958 | José Garcia Lima | 10 outubro

1961 | Cilene Melo Lima

1963 | Edilson Melo Lima

1967 | Fernando Melo Lima   

Lago do Anveres


domingo, junho 17, 2018

MEUS CUMPLEAÑOS



Roberto Mendonça, hoje
Completo hoje 72 junhos bem vividos, com a pretensão de alcançar minimamente a idade de meu falecido pai. Sou oriundo de uma amarração bem peculiar em nosso planeta amazônico: de Manuel, nascido em Caballococha, pequena cidadela peruana plantada no lago de mesmo nome, quase na esquina da fronteira com o Brasil. Com Francisca, nascida no lago do Anveres, no cipoal destes acidentes geográficos achados adiante do Encontro das Águas, então um distrito de Manaus.

Manuel e Francisca encontraram-se na condição de empregados na Fábrica Rosas, da poderosa empresa J.G. Araújo, sucedânea da Fábrica Bijou, situada na avenida Sete de Setembro, tendo a Praça da Polícia por referência. O casarão centenário ainda se mantém ativo abrigando no térreo uma loja TV Lar.

Noivos, viajaram para Iquitos, capital do departamento de Loreto (Peru), onde se matrimoniaram. O casal pretendia ali se estabelecer, até arriscou, porém, diante de adversidades, empreendeu o retorno para Manaus, trazendo formatado o primeiro filho.
Nasci, ainda que gestado nesse poderoso caudal de nossa hidrografia, em terra firme, no barranco do Educandos, então bairro de Constantinópolis.    
A rua Inácio Guimarães foi meu primeiro endereço, pois ali eu nasci, certamente minha mãe assistida por uma parteira. Nesse momento, resido a rua Salvador, em Adrianópolis. Entre aquele 1946 e este ano, já passei por mais de trinta endereços, tema de um inventário que estou concluindo. Farei um esboço, nesta data querida.

De Educandos, ainda infante, passei ligeira temporada no Rio de Janeiro da primeira Copa do Mundo. Novamente estive na rua Inácio Guimarães, com mudança para o beco São José. Veio a mudança para o Morro da Liberdade, quando eu já estava interno no Seminário, à rua Emilio Moreira, na Praça 14.
Em três oportunidades, residi no Rio de Janeiro. Uma, já relatada, as outras por obrigação de estudos militares, com endereço em Deodoro e Botafogo. E, por falar em curso, estive em Fortaleza e Florianópolis. Selecionado para o Mestrado em História, tive residência em Boa Viagem, na capital pernambucana.

Em Manaus, passei uma temporada nos bairros de Aparecida, da Praça 14 e na Betânia, e duas, em São Jorge; ainda morei nos conjuntos Tiradentes, Santos Dumont, Dom Pedro e Coophasa. Para encerrar essa apresentação, asseguro que morei por seis vezes no Centro, nas ruas Igarapé de Manaus (3x), Saldanha Marinho, avenida Sete de Setembro e na Praça Ribeiro Junior, já desaparecida.

Agradeço sensibilizado as manifestações de amizade da família e dos amigos, esperando retribuir em breve.